segunda-feira, dezembro 13, 2010

SEI QUE GOSTO DE MARCELO

Nada sei quanto a Portugal e à resiliência dos portugueses, ao lado fénix de se ser português, traído por políticos, rodeado de corrupção por todos os lados menos por um: o Céu. Sei que marcho dez quilómetros por dia a pé em direcção ao meu local de trabalho e de regresso, desde há três meses e gosto. Adoro esse despojamento, aliás. Sei que o frio que passei e passarei e a água que me ensopou e me ensopará de deram e darão prazer redobrado em estar vivo e poder contemplar mais longamente os rostos dos passantes assim como os róseos crepúsculos, róseas auroras e róseos ocasos. Sei que deixo o carro em casa e não me pesa a sua falta porque o tempo e o tom neste meu novo estar vivo têm outro sabor, bem outro, como uma inesperada espiritualidade próxima das pessoas e mística porque próxima de Deus igualmente, na humildade e na purificação interior. Sei que trabalho com alegria muito embora ganhe uma miséria que mal dá para um, quanto mais para os quatro que nos somos família. Sei que o rosto dos meus alunos, na harmonia da nossa empatia exigente e fraterna, vale por quinhentos mil despachos contraditórios da labiríntica babel chamada Ministério da Educação e pode-se ser feliz centrados no essencial que é viver para eles e dar-lhes tudo, fazer de tudo, por que o básico e indelével lhes fique para a vida como um farol de ousadias e bom gosto. Nada sei quanto a Portugal, mas sei que gosto de Marcelo, que fez anos ontem, parabéns. Também sei que acredito nele para além de todos os ziguezagues e volubilidades de opinar. Faz-nos humanos o cerne fraterno e a razão errática, sempre insatisfeita, na empresa de volver cada qual à sua Ítaca.

1 comentário:

floribundus disse...

os portugueses andam dispersos pelo mundo e perdidos no rectângulo.

o 25.iv descobriu o regresso do caminho maritimo para a India,
mas não o retorno a Ìtaca depois da sua Odisseia porque esta continuará ad aeternam.

a minha magra reforma ainda serve de auxílio a outros mais necessitados. isto está uma miséria. a pior que conheci em quase 80 anos.

Marcelo é o único comentador. uns gajos que por aí andam são tipo mulher a dias pagos à peça com recibo verde.

o 'pritibói' anda cada dia mais ET