quinta-feira, maio 01, 2008

ESCREVO-CORTE EM YPSILON, JOANINHA!


Degradar-se até á mais extrema fealdade, como essa mulher,
e degradar-se até à mais extrema solidão é somente descer a um Inferno, coisa fácil.
Ainda há bocado, Joaninha, enquanto arrumava as tralhas do Pub
e via a TóxicoManuela, célebre personagem de carne e osso
sobre quem também escrevo há meses, ali, na pedinchice de sempre,
surgindo silenciosa no meio do negrume da Noite, deslizando pré-morta,
terrível no seu estigma de dejecto humano, de detrito prorrogado,
sempre feia, magra, esquelética e mendicante,
numa aparência sombria de cemitério ambulante,
mas desta vez maquilhada e feia,
mas desta vez maquilhada e ainda mais magra,
ainda mais feia,
ainda mais triste na sua leveza estranhamente alegre e sorridente,
melhor vestida, mas pior vestida precisamente por isso,
as suas roupas coçadas e sujas de todo o escarro espiritual e social, ficam-lhe melhor,
cadáver feliz que está pronto para a festa,
pedindo incansável para a sua Companheira Mortífera,
pensei nessa alegria tristíssima de Inferno a que aludes, Joaninha,
e na paz de espírito do bracito direito esbracejante do indescritivelmente vaidoso PM,
ontem no Parlamento. Aqueles gestos sempre iguais, asa de frango gesticulante.
lkj
Ainda sorri ele! Ainda se apresenta pródigo a desdenhar de tudo e de todos.
Ainda tem estudos para fazer e consultorias a encomendar.
Ainda consegue fingir que a Autoridade para a Concorrência
tem algum voto na matéria cartelizada dos preços dos combustíveis
de todo o interesse do Estado, tendo em conta o seu desempenho no Trimestre.
Os combustíveis são o ponto de apoio da alavanca orçamental
e da correcção do famigerado deficit.
Já não há mais nada, nem vida!, para além do déficit.
lkj
Vejo a TóxicoManuela e vejo o sorriso de plástico do PM
e compreendo tudo, contrastando-os.
Enquanto se não descer aos infernos dos outros,
pode sorrir-se assim e desdenhar-se assim, de tudo e de todos,
e pautar-se pela mentira e pelos instrumentos esmagadores que a perpetuam.
lkj
Estou a perder a paciência, Joaninha!
Revejo-me de mais nestas pessoas relegadas e sinto-me relegado por demais.
Resisto e protesto, mas mesmo a minha resistência e o meu protesto
podem ser, e são!, silenciados e esmagados,
basta um telefonema para o Jornal cujas notícias comento,
basta uma pressão a partir de cima.
As coisas são assim e são-me transparentes! E são-me confidenciadas!
Não tenho perfil para paranóias, mas nada a fazer se compreendes o embuste em torno.
Foi assim que vi comentários meus suprimidos,
tão directos e tão escritos com a minha esperiência, mas suprimidos!
É assim que todos os dias sou, como outros milhares o são!, silenciado,
reduzido à impotência por ser enorme e explosiva a minha contundência indesejável,
alastrável como um fogo indignado, na denúncia corrosiva de que o Rei Vai Desnudo.
Como reduzido ao reduto invisível dos excluídos que,
aos olhos de esses Interesses instalados,
não são ninguém, estou a perder a paciência!
lkj
Os meus amigos, perante o meu veneno-antídoto, aqui, tão tufão!,
vêem amargura,
lêem pessimismo,
sentem sofrimento,
e essas coisas verdadeiras deveriam ser-lhes absurdamente deslumbrantes.
Porém, tal como desde há milhões de anos, demitem-se, omissos, como fiéis
elementos pertencentes à Espécie Humana no seu pior omisso e silente.
Não deveria ser assim! Essa passividade desinteressada e comprazida na dor alheia,
como se não fosse também nossa (ou já aqui ou no Inferno que nos cavamos omissos).
Morrerão todos! Todos morreremos!
E, sem a presença magnífica de uns aos outros,
terão/teremos vivido apenas miríficas miragens de uma vida a 10%.
lkj
Tão fácil é mostrar Amor e Desistir de Judicar!
Tão Horrivel e Simples, Joaninha!

3 comentários:

Sei que existes disse...

Concordo totalmente contigo! Não deviar ser assim...
Beijos

Joaninha disse...

Meu caro REX, Josh...
Falas-me ao coração, e talvez um dia te possa até contar porque...Mas a história, arrepiantemente perto, não é comigo e não tenho o direito de falar dela agora...Por agora. Mas falas-me ao coração. Te digo, a podridão de todo o sistema começa a ser insustentavel meu amigo. Mas é normal e esperado que te calem, mordes de uma maneira brutal com as palavras ;)
Que bonita joaninha que tens aqui!

antonio ganhão disse...

O tóxico-dor-rex-dependente, insiste no seu rosário estéril. Transforma-te em grão de mostarda: no fim já lá estás.