terça-feira, maio 20, 2008

NICOLAU SANTOS E A CASA CADENTE DA ECONOMIA NACIONAL


O cenário que Nicolau Santos traça para os próximos tempos é mau para todos,
mas é uma lição para o Governo: nunca se viu uma tão impante atitude unilateral
num Governo Português, uma tão certa certeza de rumo, viesse quem viesse.
Todas as medidas eram sempre luminosas e inquestionáveis,
todas as medidas prescindiam da nossa inteligência e do nosso contributo íntimo,
tudo seguiria pelo melhor dos mundos porque sim,
porque eles o diziam. E era mentira.
kjh
O tempo de dizer que a culpa era dos Governos anteriores
transforma-se agora em ridicularia.
«Seria completamente diverso agora se o governo tivesse feito
do lado da despesa o que tinha de ser feito.
Por exemplo concretizar o PRACE.
Pelo contrário, andou a empatar o mais que pôde.
O Governo-Partido Socialista, para equilibrar as contas públicas
socorreu-se de tudo, tudo, tudo, tudo, tudo o que mexia,
tudo o que pôde protelar, até ao limite, ter de emagrecer os Quadros da Função Pública,
onde o País tem sangrado a bom sangrar desde há décadas.
O PS-Governo Socratino vai continuar a castigar os consumidores de combustíveis,
se necessário for elimina benefícios fiscais, caso nisso veja urgência,
aumenta os impostos, de preferência os indirectos,
faz de tudo, procura todas as vias, sendo que o último,
o derradeiro recurso será mexer com a função pública,
o que, como temos visto, nem sequer se coloca porque ideologicamente é uma heresia
e é uma questão idiossincrática: no dia em que o fizesse,
José Sócrates perderia o partido e o PS passa a partido da oposição por muitos anos.»
(Pleitos, Apostilas e Comentários).
lkjh
O PRACE implicava a coragem para reorganizar o Aparelho do Estado,
revendo de alto a baixo as suas funções. Não houve coragem para isso.
E por isso mesmo a derrota das Políticas é ainda mais gritante e deplorável.
Se não é a partidocracia sustida e reorganizada
na sua posição de Mama Desproporcionada Estratégica
e Desporporcionada Estratégica Ordenha de Dinheiros
e Favores do Estado a desencadear a queda precoce do Governo,
será a exasperação pura dos cidadãos e dos comsumidores,
apertados como bagaço-mosto no alambique,
a ditar o fim clamoroso de este consulado triste,
pesado, deprimente, errado e erróneo, chamado Socratura:
LKJ
lkj
«A forte revisão em baixa do crescimento previsto para este ano prova que 1) a economia portuguesa nunca poderia ficar imune à crise internacional, como primeiro-ministro e ministro das Finanças nos andavam a tentar fazer crer; 2) que a situação é mais grave do que se supunha.
lkj
Com efeito, cortar a previsão de crescimento em quase um terço (31,8%),
passando-a de 2,2% para 1,5%, é brutal e remete-nos para próximo do crescimento de 2006 (1,3%). Mas o mais grave é que, se este ano vai ser mau,
o princípio do próximo marcará provavelmente a parte mais funda da crise,
o que, por outras palavras, quer dizer que o crescimento em 2009
pode ainda ser pior que o de 2008.
lkj
Poderia ser diferente? Dificilmente. Mais de 70% das exportações portuguesas
vão para a União Europeia, cujo crescimento também abrandou significativamente.
Mais importante, o nosso principal parceiro comercial, a Espanha, para onde as nossas exportações estavam a crescer bem acima da média europeia,
está igualmente num processo rápido de desaceleração,
com consequências para as nossas vendas ao exterior.
lkj
Sem o motor da exportação, também não existe o do consumo interno,
porque as famílias e empresas estão endividadas e receosas em relação ao futuro.
Quanto ao investimento, tenderá a ser adiado, face ao encarecimento do crédito
e à sua rarefacção.
lkj
Portugal sofre ainda dois outros choques: o da subida das matérias-primas, ou mais especificamente, dos produtos alimentares e do petróleo. A nossa balança comercial vive há longos anos profundamente desequilibrada e o endividamento dos agentes económicos no exterior é também muito elevado.
lkj
É certo que, nos últimos dois anos, a recuperação nas contas públicas
torna o país mais preparado para enfrentar a crise.
Mas uma coisa é estar mais bem preparado, outra é dispor de uma situação orçamental
que lhe permita deixar flutuar os estabilizadores automáticos,
tentando apoiar o crescimento com investimento e apoios públicos.
E essa margem de manobra existe para Espanha mas não para nós.
lkj
Deu apenas para descer um ponto no IVA,
mas não dá sequer para descer outro ponto em 2009,
pela simples razão que as receitas fiscais vão também levar um forte rombo.
lkj
Ora, como o peso das receitas fiscais na redução do défice não foi despiciendo,
é provável que, a par de um menor crescimento
- e é preciso topete para dizer que, mesmo assim, o desemprego vai diminuir! -,
o país também tenha de se confrontar com a agourenta profecia do comissário europeu Joaquin Almunia, segundo a qual, Portugal,
que deixou o ano passado de estar na lista dos países com défice excessivo
(acima de 3%), voltará a cair nessa situação já este ano.
lkj
Tudo somado, vamos passar pelo menos mais dois anos (este e o próximo)
a crescer abaixo da média europeia: serão oito anos a divergir com a Europa!
Se esta situação será boa ou não para o Governo
quando chegarem as eleições de 2009, é algo que dependerá da forma
como o Executivo lidar com a frustração dos eleitores
e com o opositor a Sócrates por parte do PSD.
lkj
Mas o certo é que o Governo vai chegar às eleições
com uma situação económica quase tão má como quando chegou ao poder.
Não era isto que estava previsto pelos estrategas de S. Bento...»
lkj
Nicolau Santos

5 comentários:

antonio ganhão disse...

Meu caro estamos apenas na presença do apurado faro jornalistico. Chegou ao fim a era Sócrates, abriu a caça. Os cães batedores partem tomando dianteira aos rafeiros...

Há 6 meses atrás Sócrates era o maior e as medidas inevitáveis... numa coisa tens razão, é o mesmo Nicolau, o mesmo faro.

David R. Oliveira disse...

Mau caro Joaquim Carlos(já lhe sei o nome)...
mais uma vez os meus agradecimentos pela(s) referência(s)ao "Pleitos..." - eu que não gosto nada de trocas de galhardetes!- mas já que se me refere e a propósito de algumas considerações que teci em comentário aqui postado - a presciência das nossas luminárias - já agora faça, para confirmar, o seguinte: você (todos) têm, em arquivo, tudo o que escrevi desde o dia 29.03.06 no "Pleitos...". Compare o que eu venho dizendo, virando, revirando, desmentindo, etc... com o que Nicolau Santos escrevia exactamente nessas ocasiões. Uma cambalhota! Era aqui que eu queria chegar. Sabe porquê? por causa das "agendas". Eles têm agenda a maioria de nós não.
Mais sabe o que que isto significa?! talvez os primeiros sinais de que Sócrates já deu...(até já o DN dá bicadas). Está visto. Mas meu amigo o problema bom era que acabasse aqui, com isto, assim...mas para nossa infelicidade não acaba. Vai continuar. Continuar mal. Vá aparecendo lá por casa que aqui venho todos os dias.
Abraço
David
P.S.: agradecia é que alguém me explicasse porque é que (eu sei qual é. Só que não a digo para poder comparar)os nossos poucos leitores são tão parcos em comentários? Quer aqui em sua casa quer na minha casa.

Pata Negra disse...

Estes senhores nem a jogar o Sim city conseguiam! Asfixiaram o país, o povo, as pessoas! Os melhores resultados que se conhecem é o aumento do fosso entre ricos e pobres! De medida em medida não mediram nada!
A culpa, vão dizer, é da conjuntura! Se tivessemos igualmente mal, como dantes, convencer-nos-iam que as coisas melhoraram por obra deles! Mas como estamos na merda até ao pescoço, enfiam a cabeça na areia e atiram as culpas à conjuntura internacional!
Um abraço desconjuntado

David R. Oliveira disse...

É preciso denunciar!
Escândalo. Inacreditável!
A Direcção Geral do Orçamento publicou o Boletim de Execução Orçamental, de Janeiro a Abril, ás 11 horas e mandou retirá-lo. Já não está online. VERGONHA! ESCÂNDALO!
Sabem porquê? porque vai haver o debate na Assembleia, o tema escolhido é a economia e os números conforme ainda hoje explicarei são um DESASTRE!
ESCÂNDALO!

Anónimo disse...

É a hecatombe lusa aliada à sorte madrasta internacional ... e assim se esfumam os vestígios de estratégia; o busílis da questão é que nenhum de nós, e nem eles, estava preparado para o descalabro ...