segunda-feira, maio 12, 2008

YEDIOTH AHARONOTH E O SANGUE QUOTIDIANO


lkj
69 anos, director do Yad Vashem.
Vive em Ramat Hasharon, a norte de Telavive.
O Yad Ashem (museu, memorial, centro de investigação), situado em Jerusalém,
é a maior instituição relacionada com o Holocausto.
Shalev, que nasceu em Jerusalém, dirige-o há 14 anos.
lkj
"Celebro o facto de a nação judaica
ter implementado o direito básico de possuir algures na terra uma pátria,
de cumprir o seu destino como parte da comunidade das nações.
Para o povo judeu, a quem faltou esta pátria durante milhares de anos,
era a falta de algo ligado à identidade colectiva.
Não posso tomá-lo por seguro.
Há 60 anos havia 600 mil habitantes judeus e agora,
dos 7,2 milhões de habitantes de Israel, 5,5 milhões são judeus e 20 por cento árabes.
A seguir à II Guerra, vieram 500 mil sobreviventes da Europa
e juntos construíram um país.
Olhando para trás posso dizer que celebro termos revivido a língua,
de os meus netos poderem ler a Bíblia na língua original.
É um milagre do século XX.
E celebro muitas ideias inovadoras para a arte,
termos conseguido tanto, construir uma nova sociedade.
E tudo isso sob a pressão de tantas guerras.
Olhando para o futuro, a principal coisa que não temos é a paz.
Nos últimos 20 anos chegámos a acreditar que podíamos ter uma vida com os vizinhos
mas isso colapsou. Mas tenho a certeza de que conseguiremos.
E mantendo a base moral e a força de espírito,
que são o mais forte na nossa sociedade.
Os feitos dos sobreviventes são imensos.
Perderam tudo, vieram, tomaram tudo nas mãos e nunca olharam para trás
com desespero. Podemos encontrá-los a liderar, na indústria, na ciência,
no desporto, no comércio, ao longo dos anos. É um milagre."
kjh
ISRAEL
kh
«Telavive é uma memória feliz: estive na cidade duas vezes
e ainda hoje recordo o cheiro a maresia, as noites quentes junto à praia.
Os cafés. As livrarias. As mulheres. E a pergunta inquietante:
até quando será possível viver com uma sombra de destruição sobre tudo isto
- sobre este Rio de Janeiro plantado nas margens do Mediterrâneo?
lkj
Não sou caso único e a revista "Atlantic" de Maio formula a mesma questão:
"Estará Israel acabado?" Há algo de trágico na pergunta,
sobretudo atendendo à data: 60 anos depois da fundação,
a possibilidade de uma vida normal está longe de assegurada.
Sim, Israel é uma economia florescente (150 mil milhões no último ano)
e um exemplo no ensino e na investigação. Para lá do óbvio:
a única democracia pluralista no Médio Oriente.
Mas, 60 anos depois, é a sua própria sobrevivência que continua em causa.
kjh
Sobrevivência demográfica, para começar:
com 1,3 milhões de árabes em Israel (um país com 5,4 milhões de judeus),
o que fazer com os 3 milhões de árabes de Gaza e da Cisjordânia?
Retirar era o único caminho, como se viu em Gaza.
Mas, como se viu em Gaza, retirar permitiu apenas a ascensão do Hamas,
armado pelo Irão e apostado em alvejar as cidades israelitas de forma cobarde e impune.
lkj
Os "territórios ocupados" representam bem o paradoxo em que vive o país:
Israel sabe que tem de partir e Israel sabe que não pode partir.
A juntar à demografia, chegam as ameaças externas.
E se os países árabes, como o Egipto ou a Jordânia,
já deixaram de ser os inimigos clássicos do estado judaico,
a ameaça xiita de um Irão a caminho do nuclear tomou o lugar de potências passadas.
Com gravidade acrescida: se Teerão chegar à bomba,
a destruição económica, psicológica e até física de Israel será uma inevitabilidade.
Uma inevitabilidade e uma ironia trágica:
como lembra o historiador Benny Morris,
Israel existiu para proteger os judeus de um mundo perigoso.
Sessenta anos depois, Israel corre o risco
de se tornar no mais perigoso dos mundos para os próprios.»
lkj

1 comentário:

SILÊNCIO CULPADO disse...

Joshua
Há quem consiga renascer das cinzas e não o lamente. A nossa capacidade mede-se sobretudo por essa força interior que nos leva a recomeçar sempre, em todas as circunstâncias.
Força também para ti, amigo.