quarta-feira, maio 21, 2008

ÉTICA DE PLÁSTICO


Umas das coisas mais belas da história humana, e da história portuguesa recente,
é poder ler o artigo ou a carta aberta que o Ministro do Ambiente Sócrates
escreveu um dia, 1 de Março, 2001,
em reacção a isto de José António Cerejo e confrontá-la,
parágrafo a parágrafo, com os tempos que vivemos sob a sua pata insensível.
lkj
A torção da liberdade informativa para que se inflicta do seu livre curso a bem do público
e sirva ou proteja basicamente a quem lhe pague.
As pressões infinitas sobre jornalistas e as suas matérias, notícias e factos relevantes
para que não saiam ou saiam atenuados e inócuos, pois a caixa dos jornais é todo um discurso.
A conspiração prolongada contra os cidadãos, cercados de taxas por todo o lado,
aos quais se vendem mentiras crassas e a quem em nada se respeita a inteligência,
a capacidade de avaliar a idoneidade ou falta de ela de quem os governa.
lkj
Essa carta é portanto asquerosamente bela.
Nela, vocifera-se pela ética. Ética para aqui, moral para acolá
e o País é hoje uma coisa em estado de choque
pelo mau desenlace das políticas económicas
e em estado de choque por ter suportado linhas de rumo inexoráveis,
inflexíveis, confrontacionais, donde todo o bom senso se ausentou,
onde a liquidação das economias monofamiliares se consumou sem dó nem piedade,
sem o dom das moratórias só para os fortes ou das procrastinações e dilações,
só para empórios, linhas de acção de cuja voragem
nem as IPSS ficam a salvo porque nada se pode opor
à sanha higienista, normalista, tiranicamente inflexível que se alega vir de Bruxelas.
Mas pela parte tomamos o todo.
E pelo todo flagramos a parte podre no seu show pomposo a sós.

1 comentário:

antonio ganhão disse...

Tens a certeza de que não se trata de outro Sócrates?