quinta-feira, maio 29, 2008

O SANGUE QUE FALTOU A ABRIL


Não. Não me interessam nada as moções de censura dos partidos à esquerda ou à direita de este simulacro de governo nacional, isto é mais um governo globalizador das empresas portuguesas que estavam em condições de se globalizarem, e falar de esquerda ou de direita, o que quer que isso seja, é hoje confluir no óbvio. Interessa-me que as praças se vão encher de indignados pelo roubo em decurso: houve os capitães de Abril que fizeram uma revolução cobardolas, ninguém se feriu, niguém sangrou, ninguém morreu: foi muito bonita, muito romântica e tal e os povos oprimidos do mundo olharam e choraram.Trinta e quatro anos depois notamos que o Roubo do Povo foi o grande fruto amargo de essa pseudo-revolução. Agora, a nossa indignação chegou a um ponto em que nada poderá ser como dantes. Nada. As praças vão encher-se. O nosso copo de tolerância trasborda pelo roubo sistemático praticado a coberto dos principais partidos alternarem no governo e já não o podemos tolerar, nem ao sorriso de descaso de um verdadeiro filho da puta, com todo o respeito das demais putas e demais filhos. Chega. Basta. Nós sabemos o que se passa em Portugal, porque é que Portugal é a excepção, porque é que Portugal é sempre o pior, porque é que Portugal é neste momento a chacota da Europa porque o seu pomposo e ridente PM desfilou como um Rei nas passadeiras vermelhas da sem vergonheira, porque fechou os olhos às pessoas concretas e nunca quis ver o país, enquanto a fazer espelho estavam outros interesses e outras prioridades impriorizáveis. As praças vão encher e se não haverá militares nem capitães, talvez haja blogger de um outro Abril. Mas as praças vão encher e transbordar, Tiago, de censura. Podes gravar estas minhas palavras porque mo diz o homem da tasca, o secretário do escritório do Advogado, diz-mo o advogado, diz-mo a mulher a dias, diz-me o jovem desempregado, diz-mo quem tudo perdeu, quem de tudo foi esbulhado, quem já, de tanto subjugado de fisco e de chulice, nada mais tem a perder.

Sem comentários: