domingo, maio 11, 2008

O IMPÉRIO DA MENTIRA



É evidente que todo aquele que se embrenha pelo bizarro mundo das notícias,
que todo o dia é inundado pela voragem das notícias,
que na sua vida é sensível à esmagadora pressão das notícias
há-de desenvolver um pontente sentido crítico e acumular
uma espécie de capital vital de Pessimismo Céptico, carapaça anti-ingenuidade,
de que só a Fé e uma Esperança trans-histórica o pode resgatar.
A prevalência das Estruturas da Mentira
e dos seus efeitos maléficos sobre nós são como a crise financeira em decurso.
Afinal o Mercado não tem auto-regulação e a cupidez especulativa desencadeia caos.
lkj
Nesta medida, nada do que o Reitor declara pode ser contestado e é, mais uma vez,
brando e eufemístico de mais. Costumo ir mais longe nessa denúncia:
a mentira e o abuso da ignorância das massas são o grande traço do século XXI.
A cupidez perverteu os Estados e há Estados, como o português, dos mais pervertidos,
onde a boa consciência e a acção inteligente e criativa em favor do máximo número de pessoas
deu lugar a tacticismos rascas, a manobras baixas, a um reles conceito de fazer política.
Portugal está nas mãos toscas de poderes cuja estrutura moral está corrompida.
lkj
Por isso, por essa necessidade de regeneração de um corpo ferido de morte, Portugal,
é que vejo como inevitável referendar e votar pelo regresso da Monarquia como uma
lufada reversível (reversível, repito!) de ar fresco e de recomeço
para uma nação multissecular hoje desorientada e prostituída nas mãos toscas
e mesquinhas dos que nos pastoreiam.
lkj
Quanto à Igreja, que ninguém se preocupe: cheia de vícios e de problemas de exemplo
ainda assim nos sobreviverá a todos, sobretudo aos quixotescos laicos,
como o meu caro amigo Sem Quórum, que anacroniza a sua luta com aquela perícia argumentária, mas cabal derrota de intento, que caracteriza certas paranóias.
kjh
Comentário de Ouro
lkj
11.05.2008 - 16h20 - Anónimo, Portugal
A questões "clubísticas" pouco trazem de produtivo à discussão. O que é relevante é saber se as críticas tem razão de ser ou não têm. E do meu ponto de vista têm. Não é a igreja que está a lançar pessoas no desemprego. Não é a igreja que cobra altos impostos. Não é igreja que governa o país. Não é igreja que tem objectivos de encerramento de estabelecimentos e prisão de pessoas. Não é igreja que persegue o mérito. Não é a igreja a responsável pela desigualdade social. Não é a igreja que promove activamente o aborto e o divórcio. Não é a igreja que tem seguido políticas tendentes à destruição do mundo rural, e da sensibilidade rural. Não é a igreja que abusa dos contribuintes. Não é a igreja que gasta 67 milhões de euros com um evento para a assinatura de um tratado. Não é a igreja ....

1 comentário:

joshua disse...

Está na moda desdenhar de Fátima, desde há quase cem anos, e, mais uma vez, insistir no fenómeno comercial dentro do fenómeno espiritual propriamente dito.

Nunca comprei nada em Fátima. Nunca deixei uma esmola em Fátima. Sempre fui o homem mais realizado e feliz em Fátima, como um bom judeu na sua peregrinação anual ao Templo em Yerushalahim. Fica sempre bem a acrimónia contra essa minoria estridente que é o poviléu que se espraia nas esplanadas do Santuário, se protra e arroja pelo pavimento. Mas é necessário aceitar os factos simples da vida: é dentro da sua liberdade que as pessoas lá vão ou deixam de ir e não mais manipuláveis que os que bebem Sagres e preferem certo tipo de preservativos ou automóveis ou partidos ou clubes ou roupas.

Porém, o fenómeno religioso é-nos consubstancial e nem Sócrates, o filósofo e pedagogo grego, desedenhou dele, mesmo quando instaurava um paradigma racional para enquadrar criticamente toda a realidade da Polis e moderar a religião.

Os druídas celtas, os sacerdotes romanos, os irmãos da loja maçon, os xamanes, os rituais prodigiosos do Egipto Antigo - tudo isto é cultura e tudo isto somos nós, nos seus convenientes e inconvenientes. Pessoalmente, sinto-me no melhor dos sítios sempre que vou a Fátima. Precisamos todos de lugares onde como que nos tornamos mais transparentes e podemos relativizar-nos em face de tudo.

Há uma ordem de higiene interior que poucas coisas na vida nos ministram: uma relação afectivo-sexual intensa e gratificante, os amigos verdadeiros, uma viagem intercontinental, uma peça de teatro intensa, uma peça clássica apaixonada. E Fátima!, doa a quem doer, Fátima. Sempre.

PALAVROSSAVRVS REX