quarta-feira, maio 21, 2008

«MODERA-TE», TU DISSESTE!


Os e-mails desagradáveis que tenho recebido
e as mensagens assassinas de anónimos que tenho de moderar multiplicam-se
e na verdade é preciso ter estômago para ler certas pontas de faca
apontadas ao meu coração, rouquejando elas que ou me calo ou me fodo.
lkj
A bloga é na verdade este lugar espinhoso a par de maximamente estimulante.
Mas vivemos afinal numa Democracia em que a palavra 'democracia',
à força de se pronunciar autohipnoticamente, parece chegar e sobrar
para que se pense estar efectivamente numa. E nada mais falso.
A verdade e a democracia são metas ainda e utopias.
Isto ainda é uma Impunecracia, um lugar ainda regido pela lei do mais forte
e não pelo Princípio da Lei e do Direito sem apelo nem agravo.
Se assim não fosse, quem nos apascenta trataria de operar a medidas
tendentes a fazer da nossa sociedade uma sociedade mais integrada,
mais justa, e não fomentar ainda mais este fosso crescente entre ricos e pobres.
lkj
Os e-mails e os anónimos dizem-me também que a verdade e a investigação dos factos
são uma coisa abjecta e destestável a muito cidadão comum
que preferiria não ser molestado com ela e por ela perder as ilusões e os prazeres que ainda lhe restam. Não saber e não pensar muito nas coisas e nos problemas de todos,
mas só em futebol, faz com que na mente de muitos amigos meus e anónimos
não haja mais problemas que pagar a prestação do automóvel e pouco mais.
ljkjh
Nasci num tempo intermédio. Ainda havia a Fé como caminho de Céu
ou a Ideologia como certeza de igualizar o planeta e estabelecer aqui o Céu Comunista.
Hoje, mortas as metas e as ideologias, há somente um individualismo atomizador
das pessoas, uma fractura entre o bem comum e a cupidez desenfreada de cada um.
O cigarro murmurador e o fino-imperial ocioso e desassuntado pelas esplanadas
preenchem uma ideia de lazer nos meus amigos enquanto me dizem que me modere,
que escrevo de mais, sou violento de mais, duro de mais, mesmo se tenho razões.
Os anónimos dizem-me que morra, que estou a morrer, que estou elencado
nas ementas e listas de reeducação mental
pelos bufos e requintados filhos da puta de que o regime se tece.
lkj
Enfim, se o dia-a-dia é tóxico e é melhor não lhe tocar, não investigar mais um pouco,
não estudar, não avaliar, não comparar, não acrescentar variáveis e preencher
lacunas da realidade que a todos diz respeito, é mesmo porque querem que morra
para seguirem descansados no seu descaso,
pois para eles não vale a pena remar contra a maré.
Nasci num tempo intermédio, ainda havia Fé num Céu Fraterno,
numa Justiça Diva que tardaria mas não falharia.
Ainda havia Das Kapital e a utopia comunista servida a dialéctica e a kalashnikov
para estabelecer, quer quiséssemos quer não, o Céu na Terra.
kljh
Sou, portanto, feito de remar contra a Maré.
Remar contra a Maré é a minha natureza. Até que a Maré mude!

4 comentários:

David R. Oliveira disse...

Ó companheiro, emails desses são bom sinal. Bom sinal!
Você sabe como funcionam os mabecos? se não souber eu explico-lhe!
1- são muito cobardes
2 -só funcionam em matilha. Em matilha rosnam mas
3 - isolados nem de lupa se encontram.E nunca rosnam. Latem!
Abraço
David
BOM SINAL!

Anónimo disse...

Diz alguém muito melhor do que eu (não me lembro quem, mas é certamente melhor) que aquele que nunca contrariou a corrente não conhece a sua força.
Agora digo eu, que aquele que não conhece a sua força já está vencido - e digo-o fundado na experiência longa de muitos "kumites" - dos que venci e, especialmente, dos que perdi.

antonio ganhão disse...

A corrente empurra os rios... em Moçambique atravessei a foz do Bons Sinais numa almadia, os meus remadores tiraram partido da corrente para atravessá-lo, não a combateram mas usaram a sua força.

Pode-se atravessar um rio ao sabor da corrente mas desembarcamos onde não desejávamos. Para se chegar ao nosso porto, temos de saber como tirar partido da corrente.

Unknown disse...

Não desista!
Só se progride na antítese. Só se melhora no confronto. Só se aperfeiçoa na exigência.