quinta-feira, agosto 21, 2008

MAU KARMA PORTUGUÊS


Portugal vive de omissões políticas graves, de políticos fracos e venais.
Todos, mas todos, pecam pela continuada desordem no Estado
de que se beneficiam directamente. Não há moral e mereciam ser varridos por um referendo
que votasse esmagador pela Monarquia e, de lés a lés, a Regeneração Nacional.
Esta legislatura foi indevida e criminosamente feroz contra o cidadão,
queimando-lhe o ânimo, empobrecendo-o despudoradamente por todas as vias.
Antes de o Mário Crespo propor que imaginássemos o que a seguir se transcreve,
confesso que, após o anúncio de Fernando Pinto, o imaginara também,
embora descrente e desiludido pelos irresponsáveis feirantes
que nos apascentam de mentiras.
lkj
O mau karma português é ser governado por Pinócrates, é a mentira ser espessa,
é não haver um verdadeiro sentido de serviço e de ética públicos,
uma cultura de responsabilização apertada e bem escrutinada dos eleitos.
A avaliação do sistema político português e dos seus actores dá Mau, dá Medíocre,
e é por isso que, por enquanto, fundamentalmente me envergonho de quase tudo aqui.
Podem não querer ver nem aceitar, mas urge em Portugal uma Primavera Revolucionária
que remoralize o que jaz decadente, infiel, e traidor dos pobres cidadãos.
Também lamento a indelével ideologia da mediocridade e da ignorância
que o salazarismo semeou por mais de quarenta anos na sociedade
e que em parte explica que perante tanta desgraça e mentira nos não levantemos fartos:
lkj
IMAGINEM
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«Imaginem que todos os gestores públicos
das setenta e sete empresas do Estado decidiam voluntariamente
baixar os seus vencimentos e prémios em dez por cento.
lkj
Imaginem que decidiam fazer isso independentemente dos resultados.
Se os resultados fossem bons, as reduções contribuíam para a produtividade.
Se fossem maus, ajudavam em muito na recuperação.
Imaginem que os gestores públicos optavam por carros dez por cento mais baratos
e que reduziam as suas dotações de combustível em dez por cento.
lkj
Imaginem que as suas despesas de representação diminuíam dez por cento também.
Que retiravam dez por cento ao que debitam regularmente nos cartões de crédito
das empresas. Imaginem ainda que os carros pagos pelo Estado
para funções do Estado tinham ESTADO escrito na porta.
Imaginem que só eram usados em funções do Estado.
lkj
Imaginem que dispensavam dez por cento dos assessores e consultores
e passavam a utilizar a prata da casa para o serviço público.
Imaginem que gastavam dez por cento menos em pacotes de rescisão
para quem trabalha e não se quer reformar.
Imaginem que os gestores públicos do passado,
que são os pensionistas milionários do presente,
se inspiravam nisto e aceitavam uma redução de dez por cento nas suas pensões.
Em todas as suas pensões. Eles acumulam várias.
Não era nada de muito dramático.
Ainda ficavam, todos, muito acima dos mil contos por mês.
lkj
Imaginem que o faziam, por ética ou por vergonha.
Imaginem que o faziam por consciência.
Imaginem o efeito que isto teria no défice das contas públicas.
Imaginem os postos de trabalho que se mantinham e os que se criavam.
Imaginem os lugares a aumentar nas faculdades, nas escolas, nas creches e nos lares. Imaginem este dinheiro a ser usado em tribunais
para reduzir dez por cento o tempo de espera por uma sentença.
Ou no posto de saúde para esperarmos menos dez por cento do tempo
por uma consulta ou por uma operação às cataratas.
Imaginem remédios dez por cento mais baratos.
Imaginem dentistas incluídos no serviço nacional de saúde.
Imaginem a segurança que os municípios podiam comprar com esses dinheiros.
Imaginem uma Polícia dez por cento mais bem paga,
dez por cento mais bem equipada e mais motivada.
Imaginem as pensões que se podiam actualizar.
Imaginem todo esse dinheiro bem gerido.
Imaginem IRC, IRS e IVA a descerem dez por cento também
e a economia a soltar-se à velocidade de mais dez por cento em fábricas,
lojas, ateliers, teatros, cinemas, estúdios, cafés, restaurantes e jardins.
lkj
Imaginem que o inédito acto de gestão de Fernando Pinto, da TAP,
de baixar dez por cento as remunerações do seu Conselho de Administração
nesta altura de crise na TAP, no país e no Mundo,
é seguido pelas outras setenta e sete empresas públicas em Portugal.
Imaginem que a histórica decisão de Fernando Pinto
de reduzir em dez por cento os prémios de gestão,
independentemente dos resultados serem bons ou maus,
é seguida pelas outras empresas públicas.
lkj
Imaginem que é seguida por aquelas que distribuem prémios quando dão prejuízo.
Imaginem que país podíamos ser se o fizéssemos.
Imaginem que país seremos se não o fizermos.»

2 comentários:

Nuno Miguel disse...

É facil imaginar, o pior é essa gente que se governa com o Estado, que vive e respira Estado, fazer algo que choque com os seus direitos e garantias adquiridos ao longo de anos e anos de sucessivos governos cuja política principal foi a do despesismo público.

Joaninha disse...

Só tem um problema, imaginar isto implica imaginar que essas pessoas tem vergonha na cara ou tem etica ou tem mesmo consciência, e embora tenha uma imaginação fertil não a tenho assim tãããõ fertil ;)

Bjs