quarta-feira, agosto 27, 2008

VENTOS DE GUERRA FRIA II


Extremam-se posições. O isolacionismo internacional da Rússia significa
que deitará a mão de todos os recursos e alternativas imagináveis de modo a exercer
uma pressão chantagista sobre o resto do Mundo: reconhecimentos, recuos, trocas,
a des-independência do Kosovo pelo recuo nas anexações recentes no Cáucaso, por exemplo.
Em última instância, recorrerá a uma aliança decidida e já firmada ao Irão Nuclear
e a outros estados párias, oprimentes, tirando partido da proximidade de interesses
com países como Cuba e Venezuela
que lutam por resistir ao chamado imperialismo norte-americano,
mesmo sem saberem exactamente o que fazer com o serem-lhe antagónicos.
lkj
As peças de xadrez dos argumentos diplomáticos jogam-se no tabuleiro do Mundo
e a Guerra Fria II é um facto bem quente, pronto para as primeiras escaramuças
convencionais, entre Secretas, de perfil clandestino e obscuro
ou mais ou menos aberto, onde a hipótese nuclear não está posta de parte,
pelo menos assim parece sinalizar o verdadeiro Medvedev,
que é ousado na sua cara de Arcanjo Vingador
certamente ainda ressentido pelas napoleónicas,
um homem que emergiu de esta crise como alguém que parece
ter um extraterrestre hostil implantado no sistema nervoso central,
vindo directamente dos Ficheiros Secretos ficcionais
para a mais crua realidade numa linguagem que há muito não ouvíamos.
O momento global norte-americano é delicado. Chegou a hora de outros actores.
Putin anda mais camuflado nos jogos de guerra,
mas Medvedev mostra bem de que material inoxidável e laminado é feito.
Não é para brincadeiras. É a Guerra, enfim! Nem tudo é mau:
os muçulmanos odeiam-nos, colonizam-nos as cidades, desdenham-nos,
um dia desapareceremos e ficarão eles e a sua descendência
que finalmente nos islamizou por mera aritmética demográfica.
Os russos odeiam-nos, vendem-nos gás e petróleo,
mas desprezam-nos a fraqueza, a fantochada da União Impotente Europeia.
Um dia desapareceremos e ficarão eles e a sua descendência
que finalmente nos ortodoxizou com um pouco de persuasãozinha musculada.
Entretanto teremos, nós europeus infecundos,
desaparecido e ficarão eles, russos, e eles,
muçulmanos, digladiando-se por bagatelas, tal como na Idade Média.
lkj
E é pena. Ainda estamos mal refeitos da Primeira Grande Guerra Mundial
e já entramos a passo acelerado num conflito bem mais amplo e imprevisível,
onde o Petróleo, o controlo de territórios interessantes
do ponto de vista das matérias-primas, como a Abkházia, a Ossétia do Sul,
como se calhar e naturalmente a Tchechénia, o acesso livre ao Mar Negro,
a hegemonia nos negócios energéticos e o controlo das sociedades ocidentais
que essa hegemonia permite alcançar, são, porque sempre foram,
o irresistível cerne de tudo.
lkj
Falar em pró-ocidentalismo ou pró-russismo, à luz dos eventos recentes,
é somente o recurso à semântica mais estúpida porque ninguém sai aqui ileso.
Ainda temos a prática e a ilusão da Democracia,
onde outros têm os interesses e os meios para defendê-los.
Ainda temos o descargo de consciência da defesa e prática notórias
das causas humanísticas e dos direitos humanos do nosso lado.
Os outros têm snipers, têm tanques, têm armadilhas,
têm minas, têm mercenários e tiveram um pretextozinho de merda
para mostrarem os dentes.

5 comentários:

Contacte-nos disse...

Bravo, grande artigo!

HORTA F's disse...

E um bom artigo. A questao da Tchetchenia, nao e talvez, mas sim a certeza de que a brutalidade russa se deveu as riquezas desta Republica.

HORTA F's disse...

E um bom artigo. Na questao da Tchetchenia, nao e talvez, mas a certeza de que a actuacao russa se deveu as riquezas daquela Republica.

HORTA F's disse...

E um bom artigo. Na questao da Tchetchenia, nao e talvez, mas a certeza de que a actuacao russa se deveu as riquezas daquela Republica.

Jest nas Wielu disse...

Oi, bom artigo, focou uma coisa interessante, já que os russos reconheceram os separatistas da Abecásia e Ossétia dos Sul, então UE / EUA podem começar reconhecendo as independências da Chechénia, Tartária (Tatarstan) e quem sabe da Sibéria e do anclavo de Koningsberg. Para que todos os povos sintam a mesma liberdade....