domingo, agosto 31, 2008

UMA RÚSSIA POPULISTA E CREDÍVEL


Eu compreendo os argumentos do presidente Medvedev e subscrevo
quaisquer teses pela multipolaridade do mundo. Nessa medida, as acções unilaterais
dos Estados Unidos nos últimos anos, pela natureza despreziva de outras sensibilidades, opiniões, contributos internacionais e participações alargadas,
entre as quais a russa, esteve sempre ferida de ilegitimidade
mormente no Iraque, um crime internacional
e uma sangria provavelmente inútil, incompreensível à luz dos conhecimentos actuais.
lkj
O problema é que, por sua vez, a Rússia não se constitui nenhum baluarte de valores
nos quais nos revejamos, sendo somente um país antagónico e rival dos Estados Unidos
e uma potência fornecedora de energia à Europa,
e pronta a brandir esse argumento, conforme fez à Ucrânia.
lkj
Para que as teses de Medvedev tivessem peso, fossem escutadas, soassem a credível,
a título planetário, era necessário que se visse, na Rússia,
um conjunto de sinais e de intervenções internacionais positivos e inequívocos:
condenação dos abusos chineses no Tibete, dos abusos militares na Birmânia,
procurar uma correcção de injustiças históricas contra os povos que no passado contundiu:
os crimes e repressões na antiga Checoslováquia, actual República Checa,
a usurpação territorial do Istmo da Carélia à Finlândia,
uma acção decidida e não ambígua em favor dos Direitos Humanos em sede da ONU,
onde habitualmente os seus pronunciamentos, vetos e votos, primam
por ostensivas formas de bloqueio sancionatório de Estados ou líderes párias,
ou bloqueios de outra natureza, em matérias bastante consensuais e urgentes.
lkj
O problema é também que a sociedade civil norte-americana
em todo o caso inspira-nos bem maior confiança do que a sociedade civil russa
na sua situação frágil entre a tenaz bicéfala dos poderes no activo
pouco ou nada transparentes, quanto mais fiáveis.
lkj
Portanto, o que Medvedev diz é música para os nossos ouvidos,
mas a prática tradicional russa basicamente
é um haltere pesado e duro atirado a famélicos.
Que não seja à custa da Geórgia que a Rússia populisticamente
contesta e contraria a unipolaridade dos Estados Unidos.

3 comentários:

João Roque disse...

Texto muito lúcido sobre a perigosidade que reprentam para o mundo os últimos desenvolvimentos no Cáucaso.

Deanne disse...

A bandeira da Rússia é branca, azul e vermelha, no lugar do azul essa bandeira aí está na cor roxa.

Deanne disse...

Nessa bandeira da Rússia o azul está roxo. Isso é meio que uma ofensa.