BENIGNA DIPLOMACIA DO CHARME
Ciumentos ou desconfiados, são alguns os que em Portugal não conseguem ler na acção política e na mensagem desanuviadora de Obama, uma novidade decisiva capaz de inspirar e de influenciar mudanças em paragens sempre esquecidas e miseráveis no Planeta. Aonde quer que vá, a diplomacia de Obama é benigna, conciliatória, instila a paz e a descompressão. O seu charme saudável e positivo. Que o endeusam? Provavelmente há excessos de estrelato e ridículos mediáticos explorados até ao tutano, mas este homem que hoje inspira os Estados Unidos e a sua juventude, que motivou votações maciças e expressões cívicas admiráveis pela pura esperança que significou, pode bem locomover quem precisa da mensagem certa por esse mundo opresso. Sim, depois das viagens papais e das suas mensagens de exigência e de desafio, pode dizer-se que o apostolado político de Obama tem também muito por onde frutificar, desde logo nos mecanismos da boa governança, matéria em que por exemplo, Portugal é tão africano como esses imensos países da infrene corrupção e das monstruosas elites devoristas do grande continente esquecido: «Naquela que é a primeira visita à África subsariana do primeiro Presidente negro dos Estados Unidos, Obama falou perante o Parlamento ganês e apontou a democracia no país como um exemplo para as outras nações e lamentou que a boa governação seja “um ingrediente em falta em demasiados lugares, há demasiado tempo”. Obama insiste que o surgimento de governos responsáveis e transparentes “é a mudança que pode desbloquear o potencial” do continente, mas argumenta que essa “responsabilidade cabe apenas aos africanos”.»
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