POLÍTICA PLAYBOY SOCRATESIANA
As férias lagostanianas de Sócrates na Menorca não auguram nada de bom para Portugal. Simbólica e concretamente elas representam a concretização do axioma evangélico: «pelos frutos os conhecereis». Não é possível simular interesse e empenho genuíno pelos desempenhos da economia nacional e levar uma vida particular de playboy, com gostos e gastos requintados que escarram na face de quem, graças ainda por cima à sua Farsante Fantasia, passa mal, muito mal. Típico de uma vida e de uma política playboy, pelintra, tesa, ávida de endividatório e ostentação, vocacionada para a Indiferença Ética para com o Outro [que não seja Forte, Grande, MegaEmpresarial], não importa o número inquantificável de vítimas deixadas pelo caminho pelos quais se derrama suprema altivez. Nada mais que palavras amarelas tem a oferecer esse inaudito playboy em face do pior índice de desemprego de que há memória em Portugal, nos últimos cinquenta anos, dispensa comparações com uma Europa incomparável, mesmo nos subsídios com que suporta e dignifica os seus desempregados. O EUROSTAT, a Comissão Europeia e a OCDE não mentem. O PIB per capita em Portugal passou de 77% da média comunitária em 2003 para 75% em 2008, apesar de entretanto terem aderido à UE dez novos Estados-membros menos desenvolvidos provenientes do Leste, os quais contribuíram para baixar substancialmente esse índice de comparação. Quatro desses novos países já nos ultrapassaram em termos de desenvolvimento económico e social. A produção industrial portuguesa em Junho de 2009 caiu 10,8% em relação a Junho de 2008, que já havia sido um ano de recessão. O PIB português no segundo trimestre de 2009 caiu 3,7% relativamente ao segundo semestre de 2008. O rácio da dívida pública portuguesa disparou no ano eleitoral de 2009 para perto de 90% do PIB. O défice da Balança Comercial foi de 23,3 mil milhões de Euros em 2008. As políticas péssimas, o perfil sonso, o gosto da farsa, o estilo pesporrente e arrogante, a fuga à verdade e à realidade, o desprezo das opiniões contrárias, tudo isso, como antigamente um Rei Fraco, fazem fraco, inconvicto, desanimado e triste um Povo Bom, que se transcende no trabalho e no mérito fora de este ambiente pestífero de incúria e de mentira bem vestida, bem calçada, escanhoada e penteada. Poucos gostam de MFL, mas todos sabem como é imperioso rejeitar prestes o Absolutamente Mau: «A presidente do PSD disse hoje que o desemprego é o "sintoma" das "políticas profundamente erradas" do Governo e acusou o primeiro-ministro de "fingir que já esperava uma taxa elevada" para dizer que "afinal foi mais baixa".»
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