domingo, fevereiro 07, 2010

LISTA DE CALADOS

A verdadeira vergonha é esta: que um partido, o PS, não se demarque de procedimentos que estiveram na génese dos seus mais importantes combates e oposições no passado: o défice de liberdade, o esmagamento da opinião livre, a tirania de um só e dos seus tentáculos corporativos. O que não é desmentido deixa de ser alegado. Nada foi desmentido. O PS pode esperar sentado se espera que a divulgação pelo semanário Sol de factos sobre pressões para determinar alterações e afastamentos favoráveis ao Governo e ao PS, ao nível dos órgãos de comunicação social, obtenham um cabal esclarecimento por parte do primeiro-ministro. Se há coisa a que essa Primadonna nos habituou foi às águas podres do indefinido. Entretanto, entre o partido dos senadores socialistas, a lista dos que permanecem calados, nesta podridão, é sintomática. Soares está calado, mas grasnou contra Salazar. Almeida Santos está calado, mas algures terá blaterado por liberdade e democracia. Emídio Rangel deve achar piada a tudo o que o Senhor das Moscas deita mão para se tornar absoluto e inquestionável. O País está farto de esses principescos reformados do Regime e avençados da propaganda travestida em opinião. Estão calados. Não se insurgem. Não falam, logo, abortam a democracia que fundaram coxa, trôpega e clubisticamente ávida, onde pontifica o rapar e o ripanço dos seus.

3 comentários:

Anónimo disse...

Hò, Palavrarex inicie lá um abaixo-assinado online para levar isto ao Tribunal Europeu.
São necessários cem mil assinaturas.
depois dê o link

Zé Povinho disse...

Calados, porque não vá o diabo tecê-las e se acabem as mordomias de que usufruem.
Abraço do Zé

Carlos Sério disse...

Não se compreende o silêncio dos partidos face à gravidade institucional que a publicação dos despachos do procurador João Marques Vidal e juiz de Instrução António Costa Gomes depois das investigações conduzidas pelo inspector da polícia judiciária Teófilo Santiago, sobre o manifesto “indício” de crime de atentado ao estado de direito praticado pelo primeiro-ministro José Sócrates.
Um dos fundamentos da Democracia – a liberdade de expressão - é posto em causa da forma mais torpe e descarada e, perante “indícios” tão claros, os partidos políticos balbuciam a medo palavras de circunstância como se de uma banalidade se tratasse.

De três órgãos institucionais, a Polícia Judiciária, a Magistratura do Ministério Público e Juízes, elementos de carreira de há muitos anos, foram unânimes, com as provas obtidas em investigação, em declarar a existência de crime. O procurador geral da república, de nomeação politica e temporária, decide interromper o decurso normal da Justiça, uma vez que é uma natural obrigação da procuradoria geral da republica instaurar, sempre, mas sempre, um inquérito de averiguações desde que haja um mínimo de indícios criminais. Por incompetência, por compadrio politico ou por qualquer outro motivo tão aberrante quanto aqueles, o procurador geral da republica obstruiu de modo deliberado e inequívoco o prosseguimento da Justiça.