domingo, fevereiro 07, 2010

PENEDOS E A FLACIDEZ

É possível continuar a olhar para o lado quando se revela claríssimo a associação entre o Poder e a sistemática castração de opinadores demasiado livres para a bajulação? Ninguém se choca perante este tipo inédito de esquizofrenia paranóide do Poder que não olha a quaisquer meios para esmagar quem lhe faça frente, sobretudo no plano mediático, havendo tão ponderosos assuntos de Estado a adressar? Estaria Manuela Moura Guedes tão fora de registo perante aquilo que se revela como deriva obcecada e descontrolada de um inaudito Primadonna à frente dos destinos de Portugal?  Calar gente livre, jornais, directores, por interpostas negociatas com a complacência viscosa de outros poderes, será isso tolerável apenas porque, como escreve o director do Sol, José António Saraiva, o PM até tem 'algum jeito' para primeiro-ministro? Não se pode ser demasiado flácido com gente perigosa que não inspira qualquer espécie de confiança. Sinal nítido de lúcida demarcação do «Chefe» e da sua esfera de rufias constitui a decisão tornada pública hoje por Paulo Penedos, através do seu advogado, Ricardo Sá Fernandes, numa espécie de arrependida dissidência: perante quem, contra as suas obrigações, em nada clarifica a Opinião Pública e nada nega, dispõe-se ele a tudo clarificar pela sua parte, no fundo a clarificar-se, autorizando a divulgação pública e contextualizando as escutas em que surge. 

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