terça-feira, fevereiro 23, 2010

SINAIS DE FLATO

Não sei por que se persiste em chamar entrevistas a monólogos monolíticos com a criatura duplipensante ainda em funções executivas. Miguel Sousa Tavares, no seu Sinais de Flato, não entrevistou. Foi encostado à passividade de um mero espectador ante o aluvião de propaganda do PM, como qualquer português encostado ao sofá, quando ela passa. Comparar o desempenho económico português, no défice e na dívida, com os desempenhos e índices de qualquer dos demais países ricos da Europa é no mínimo sádico, dada a desproporção dos respectivos níveis de vida. Invocar desconhecimento da tramóia pré-eleitoral com Figo e com os media começou por ser o velho exercício zen, tão típico no Primadonna, de fingir tão completamente que chega a acreditar ser verdade a mentira com que deveras mente. Invocar o Primadonna hoje as leituras e despachos do «senhor PGR», para se ilibar como mentor e alma mater do «Plano», corresponde exactamente à convocatória do Rato Mickey, cuja seriedade todos atestam naturalmente. Isto é assim, pelo menos, para quem anda informado. Enfatize-se, porém, que ele não fala para quem lê jornais ou anda informado. Fala para clientelas e criaturas crédulas e simplórias. Conhece e explora bem o lado torvo do povo que apascenta. Pode armar-se em postiço guardião da Lei e em pífio regulador do Estado de Direito sem espinhas. E ai de quem lhe negue o tal Estado de Direito, i.e., à medida das suas-dele necessidades e conveniências.

1 comentário:

Anónimo disse...

O Miguel Sousa Tavares é uma perfeita desilusão como entrevistador. Com o 1ºministro fez de caixa de ressonância da prima dona que nos governa, com o G Amaral, perguntou e respondeu ao mesmo tempo. È facil bater em quem não se pode defender, utilizando linguagem sarcastica e pouco respeitosa. Fazia dele outro tipo de pessoa, mas pelo que me foi dado ver nestes dois primeiros programas concordo inteiramente que não é "fogo" é mesmo "flato" para não dizer "fátuo"! Arrogante, auto convencido, é a imagem acabada do "intelectuol"português que está convencido que possui toda a verdade. É pena !