quarta-feira, fevereiro 24, 2010

POLVO QUE LAVAS NO RIO

Ele devia ficar de castigo e nunca mais dar entrevistas. É um menino com um conceito de si abafador dos demais. As entrevistas são uma falácia animalesca e rapace. A presa é a Verdade. São os Factos. Sob a orientação da bina abastadíssima Proença/Júdice, sempre as subverte em passes retóricos vitimistas agora com cheiro a arguido. As suas perpétuas justificações lembram cínicas alegações finais em Tribunal. Este é um Polvo escapista, danoso, que se lava no rio das mais pérfidas maquinações, depois negadas e renegadas. Bem tentam sonegar ao derradeiro braço cívico de uma imprensa irreverente e ousada, um módico de denúncia por que finalmente respiremos deste monturo de manifesta manha, incúria e gula por Poder. A liberdade pratica-se, recordem-se, vocês aí, escrupulosos efluentes sanitários: «Sousa Tavares tem um programa na SIC. Um directo que começou com o tratamento televisivo do "segredo de justiça". O que informou sobre o fenómeno são inanidades a não ser num ponto: concluir que a violação do segredo de justiça é imputável a quem detém a guarda do processo, ou seja, os magistrados. Esta acusação gratuita, sem provas a não ser a do palpite, enferma do mesmo vício deste jornalismo de bolso: ignorância e má-fé. Prova desta imputação? A primeira e única violação de segredo de justiça no processo Face Oculta está imputada a um advogado de um dos arguidos do processo. A mais grave violação do segredo de justiça neste processo ocorreu para ajudar os suspeitos quando estes se encontravam sob escuta e tinham passado longos meses sem qualquer quebra da parte dos investigadores. O que aliás, se manteve, ainda assim, durante meses e num período eleitoral cujo resultado se afigurava incerto. Este programa de Sousa Tavares, com este rigor jornalístico tem a mesma validade profissional que uma crónica no jornal O Jogo ou A Bola sobre um jogo de futebol: irrelevante. Nada irrelevante é a entrevista que segue, ao primeiro-ministro José S. Boas perguntas, directas, explícitas e sem rodeios. Sobre o caso Tagus Park/Figo a pergunta é directa: é lícito que se usem meios públicos para isto? A resposta de José S. é a habitual: negar tudo, foi tudo um acaso e nada pode ser interpretado nesse sentido. "Nada teve a ver uma coisa com a outra e acho aliás uma infâmia", é a explicação dada por José S. Perante a insistência na coincidência de factos, (de manhã Figo fez uma coisa; à tarde resulta outra) José S. continua a negar. E Sousa Tavares cita as conversas transcritas pelo Sol: "certamente há explicações para elas", diz José S. E agora vamos à história da putativa compra de um terço da TVI, diz Sousa Tavares. Nunca teve conhecimento desse plano?- pergunta Sousa Tavares. "Nunca me informaram e nunca dei orientações". E José S. cita as escutas na parte em que o próprio PGR refere coisas que o ilibam... O Sousa Tavares insiste - e muito bem - no assunto: alguém o citou a propósito do assunto da venda. José S. renega e volta a negar. Sousa Tavares insiste outra vez no plano e nas conversas em que o nome de José S. é citado como "chefe", como "primeiro" etc. E José S. desvia-se e diz que não costuma ser tratado como "chefe" e se alguém lhe invocou o nome invocou-o abusivamente. Pronto, é este o discurso. Portanto, Sousa Tavares diz que o que resulta é uma sensação de cansaço. E fala do caso de Rui.Pedro.Soares e do que se passou e até lhe diz que a prova que esse indivíduo é incompetente é o facto de andar a negociar à revelia do próprio José S. Mas este não quer fazer "julgamentos apressados e muitas vezes injustos". E fica nisto. Sousa Tavares cita os casos que envolvem José S. "Já são muitos", diz. E José S. diz que explicou todos os casos. E volta novamente ás escutas para citar em sua defesa o PGR e o pSTJ. "A acumulação de casos são o lançamento de suspeições atrás de suspeições", diz José S. vitimizando-se. Sobre o Jornal de Sexta, ainda diz que o jornal era "política disfarçada de jornalismo". É a imprensa que não gosta de si ou V. que não gosta do jornalismo?, pergunta Sousa Tavares. E José S. admirado com a pergunta... E regressa ao tema das escutas que José S, acha que está a pôr em causa a democracia. E acha que o Estado (o legislador) tem o dever de impedir que conversas privadas sejam publicadas. E insiste nas conversas privadas e na intenção de rever a legislação sobre o assunto. E José S. acha que é uma perversidade esta publicação ser feita em nome da liberdade. E acha que não deve ser invocada a liberdade para se publicarem essas escutas. E Sousa Tavares muda de agulha. E fico por aqui.» José

2 comentários:

joãoeduardoseverino disse...

Este é o melhor título de sempre em toda a bloga. Parabéns, Joshua. Genial. Abraço.

Anónimo disse...

1. O primo de José Sócrates usa o seu nome de forma abusiva para tentar negócios. Que se saiba, nenhuma satisfação é tirada por Sócrates por este facto.

2. Lopes da Mota usa o nome de José Sócrates de forma abusiva para pressionar os procuradores que detêm o caso Freeport (pressão essa abafada pelo MP e só denunciada pelo respectivo sindicato). O governo de Sócrates, em vez de dispensar Lopes da Mota do Eurojust, assobia para o lado.

3. Vara e os administradores da PT nomeados pelo governo usam abusivamente o nome de Sócrates para concertar um plano para controlar a comunicação social e para recompensar apoios eleitorais ao PS. Em vez de serem imediatamente afastados os administradores da PT e do PM se demarcar do seu amigo Vara, Sócrates nada faz e continua com juras de amizade.

Sócrates, como se vê, tem ficado muito incomodado e reagido com inusitada virulência sempre que várias pessoas (algumas delas muito próximas) usam o seu nome abusivamente.