quinta-feira, novembro 27, 2008

DIAS LOUREIRO TRESANDA A FACTOS


Nunca gostei de Dias Loureiro, se, em política, podemos ter bom gosto
e apreciar o produto humano, a acção e o discurso, como de igual modo
apreciamos ou não um bom filme e uma música que nos toque ou não toque nada.
O instinto e um sentido muito apurado para avaliar caracteres
determinou, assim o quis a química e as ondas hertzianas,
que aquilo nunca me tivesse beneficiado de qualquer benevolência.
O certo é que em Portugal o Estado de Direito agoniza, vitimado pela escória
de uma gente sem escrúpulos, cega, surda e muda, ou na miséria moral
da mais grosseira e sistémica pedofilia na grande parte provavelmente impune
ou na sordidez dos altos negócios ocultos na Banca
com que se escarnece dos cidadãos e da Justiça e que ficará
em grande parte provavelmente impune também.
lkj
Por isso, num momento em que todo o Portugal, mormente o do jornalismo
tantas vezes tendencioso, exige uma testa decente ao investigado
Manuel Dias Loureiro e a não obtém de todo
[por que se não demite de conselheiro de Estado?],
em que este encosta Cavaco Silva
a qualquer parede misteriosa neutral que não sabemos, é sintomático
que este bafejado milionário e condutor de Porches da política não se manque.
Nessa medida, apetece-me em conformidade conceder
às palavras de Alfredo Barroso, que também não é nenhuma virgem pudica,
mas também não é de certeza um milionário da política e um condutor de Porches,
a pertinência que têm, quando a um tempo fustiga o lado do fragilizado conselheiro
e o lado caváquico, um lado fraco e indirectamente entalado,
diga-se, em toda a questão ou não fossem as amizades também
uma intrincada cumplicidade de silêncios:
lkj
«Ora, é um facto que o doutor Dias Loureiro foi um dos colaboradores
mais próximos do professor Cavaco Silva, no PSD e no Governo.
É um facto que o doutor Dias Loureiro é um dos cinco conselheiros de Estado
designados pelo actual Presidente da República.
É um facto que o doutor Dias Loureiro tem andado a fazer em público
uma triste figura. É um facto que a triste figura que ele anda a fazer
incomoda muito o Chefe do Estado.
lkj
Isto são factos do domínio público, e não insinuações urdidas
por conspiradores que só querem o mal da Pátria, da República
e do professor Cavaco Silva. O Chefe do Estado não pode ser julgado
pelos amigos que tem, mas tem a obrigação de os pôr na ordem
e demarcar-se deles quando fazem em público tristes figuras.
Sejam eles o doutor Alberto João Jardim,
presidente do Governo Regional da Madeira e líder do PSD na Região,
ou o doutor Manuel Dias Loureiro, conselheiro de Estado
e ex-secretário-geral do PSD.
lkj
Em democracia, ninguém está acima de qualquer crítica
ou de qualquer suspeita. Nem mesmo o Chefe do Estado,
seja ele quem for. O professor Cavaco não é uma flor de estufa.
E o doutor Dias Loureiro não é flor que se cheire.
Bem podem os seus apoiantes mais caninos desfazer-se em insultos.
Os cães de Pavlov ladram e a caravana passa.»
lkj
Alfredo Barroso, in Sorumbático

2 comentários:

Blondewithaphd disse...

É pôr triste nisso!!!!! Ainda estou para ver no que é que este barulho todo vai dar, mas até apostava no... nada!

antonio ganhão disse...

É espantoso como estes homens pagos a peso de ouro, ditado por um mercado competitivo, saibam tão pouco daquilo para que são pagos! Estava a pensar também no Vitor Vitalício Constâncio.