quinta-feira, novembro 20, 2008

UMA MÚMIA NA 5 DE OUTUBRO


Estas manobras de aparente cedência e aparente recuo do Governo
prometem mais do mesmo, isto é, a inaceitável perpetuação do problema,
a inaceitável protelação do multilateralismo negocial numa base nova e refrescada,
visto que, num momento em que o espírito e a letra de este modelo
são ambos contestados, o que agora se faz anunciar,
numa tentativa desesperada para salvar o posto e a face destemperada
da desastrada Ministra, com o biombo de peso do Conselho de Ministros Extraordinário,
é porventura simplificar a letra do processo, mas manter a iniciativa unilateral,
verticalista, directivista do Ministério, mantendo de igual modo
intacto o espírito de esta avaliação, que enferma de impertinência
e desadequação provadas e comprovadas.
lkj
Não há simplex que salve o complex estabelecido:
as fontes de conflitualidade e de agastamento inter pares permanecerão,
a sobrecarga de trabalho permanecerá sobrecarga de trabalho,
e a famosa burocracia não desaparece com os retoques de cosmética prometidos.
Se foi avançado anteriormente pela tutela que os efeitos de esta avaliação
só seriam validados em 2011, como primeiro gesto apaziguador envenenado
da contestação, diga-se!, por que motivo não se constrói um novo instrumento de raiz?
Na verdade, quando a manta de retalhos das desculpas, os sinais de derrota
e a inconsistência de métodos forcejam por prevalecer contra tudo e contra todos,
dá-se a mumificação dos titulares dos cargos: estão ali, parecem gente,
mas já não existem nem representam nada. Quebrado o vínculo de respeito
e confiança na cooperação e na boa-fé, porque o destruíram,
o que são são-no já em efígie e é precisamente assim, esta Ministra ilustra-o bem!,
que se tornam disfuncionais, irrelevantes e por isso mesmo insustentáveis.
lkj
Resta saber que tipo de resposta os professores, com e para além dos sindicatos,
terão a dar nesta guerra tacticista, medonha, onde o desgaste da Ministra
ainda assim com ares postiços de salvaguardada das péssimas consequências
de si mesma, lhe permite continuar no seu lugar, como um desafio à nossa paciência:

6 comentários:

Anónimo disse...

Interrogo-me em que medida a saída pura e simples de Maria de Lurdes Rodrigues contribuiria para a tua felicidade imediata?

Mas eu como a real besta que sou e populista aldrabão que em mim vês é que sou assim!

Compadre Alentejano disse...

Estou convencido que com a saída da sinistra ministra melhorava muito a azia que vai neste país.
O Fuhrer terá é que pedir ao manuel Alegre uma nova ministra, tal como fez com a saúde.
Compadre Alentejano

Tiago R Cardoso disse...

recuar ?

Então não estava tudo bem?

pelo menos era o que a ministra dizia.

antonio ganhão disse...

Desconfio que um certo assessor autárquico se posiciona... temos eleições à vista?

Casemiro dos Plásticos disse...

Cheira-me que o Cavaco nos bastidores vai fazer alguma coisa... hoje vi um bocado da entrevista na Judite de Sousa, e a mulher pareceu-me nervosa...

Pata Negra disse...

Por cada manifestação de 100000 a senhora apercebe-se de um problema. Para se aperceber de todos os problemas a Avenida da Liberdade tinha de estar fechada ao trânsito durante 10 anos! Quem não percebe o caos e o desânimo que se vive na escola pública - seja ministro, encarregado de educação ou opinião pública - poderá ficar encantado com o coelho que saiu da cartola. Quem está farto dos truques, da humilhação pública e do faz de conta, sabe que ainda a noite é uma criança!
Fiquem lá com os votos que nunca tiveram em troca daqueles que nunca mais vão ter. O caso é demasiado sério para servir de brincadeira política.
Para já, o primeiro problema a resolver, quer do lado do governo, quer do lado do ensino público, é o mais pequeno e chama-se ministra.
(Já trago este comentário copiado)
5 de Outubro - a data merece-me deamsiado respeito para ser metida no meio desta porcaria - ou não fosse eu rei de coisa tão porca.
Um abraço frustado