terça-feira, novembro 18, 2008

MFL E UMA GAFFE TÃO FATAL


Paranoidescamente, segundo MFL, em mais um lapsus linguae
a acrescentar à colecção, para efeitos de reformas estruturais,
se a democracia está a atrapalhar, suprima-se a democracia por, vá lá,
seis meses. Quer dizer, no ápice do actual controleirismo governamental,
inútil e até contraproducente para as suas reformas sem e contra os reformandos,
defender que a chave organizadora era a suspensão
da democracia não lembra ao diabo nem ao Menino Jesus.
lkj
O falhanço ou não falhanço das reformas deve-se, caríssima Manuela,
não ao excesso de democracia [contestatária? participativa? corporativa?],
mas ao seu défice e à sua monstruosa deformação
por gente incompetente, brutal, sem preparação para a negociação
e para a construção multilateral de metas. A democracia das reformas não é feita
pelos iluminados das administrações ou por tiranos temporários.
É uma arte e uma competência de negociadores e de conhecedores do terreno,
capazes de a construir em comum com o seu público-alvo
e tem por princípio o bom senso e a partilha de objectivos.
kjj
Os tiques tiranóides de Sócrates, esse iluminado do porreirismo,
incensado por Dias Loureiro, por Vital Moreira, por José Miguel Júdice,
por Emídio Rangel, por uma cada vez maior minoria de bajuladores oficiais,
não podiam, num dia como o de hoje, sorrir mais com tal gaffe tão fatal
e com os demais excessos de linguagem da ainda líder desnorteada do PSD.
lkj
Creio ser possível adiantar a faltinha que o conselheirismo de Pacheco Pereira
está a fazer, tanto que se suspeita ter sido esta a gaffe de despedida
de uma aventura liderante muito caladinha no início, mas depois
assustadora e desastrosamente desastrada na loquacidade.
khj
Corrigenda?: em última hora, fontes revelam que toda a gaffe-frase
manuela-ferreira-leiteana se reveste afinal de ironia e quer dizer o contrário
do que parece dizer. Que pena nem haver ponto nem legenda nestas graças!
A falta do contexto global das palavras já tramou muito boa gente,
mas temos de admitir que a dimensão beta de MFL, o lado elitista da sua pose,
tinha de dar nisto que, é voz geral, releva de uma crassa inépcia.

11 comentários:

António de Almeida disse...

Inacreditável que o PSD considere sequer a hipótese de ir a votos liderado por MFL . A sra é um erro de casting total, quando abre a boca entra mosca ou sai asneira. O PS esfrega as mãos de contentamento, hoje existe assunto para lá dos problemas da avaliação de professores. A actual liderança do PSD é a maior garantia do engº Sócrates na renovação da maioria. Não era este partido que há 6 meses tinha um líder pouco credível? Mudem de presidente já, e convençam a sra que o silêncio é mesmo a melhor estratégia...

Tiago R Cardoso disse...

acho que o contexto é mais geral...

Ela afirma que não pode existir reformas na educação sem os professores, não pode existir reformas na saúde sem os médicos.

Não sou fã da senhora mas o jornalismo é uma coisa lixada.

joshua disse...

Pois, Tiago, mas deves reler as suas palavras e extrair o sumo gaffeológico de elas. Está lá todo.

Pata Negra disse...

Pedimos desculpa por esta interrupção, a oposição, por falta de democracia - e também por MFL - segue dentro de momentos.
Não escolher entre Sócrates e Manuela, eis a solução.
A Sócrates tudo lhe corre ao jeito: a crise internacional para justificar a crise nacional, o Alegre para argumentar que no PS há pluralismo, a avaliação dos professores para ocultar a tragédia em que transformou o ensino público, a Ferreira Leite para desarmar a oposição... enfim, ele é um pançudo de barriga para o ar.
Um abraço des-animado

joshua disse...

O pior aluno transforma-se no melhor por falta de comparência de todos os outros.

antonio ganhão disse...

Esta senhora que ocupa o insignificante e absolutamente inconsequente cargo de líder do maior partido fora do governo, sente-se incomodada pela democracia... imaginem-na no papel de Bush! Seguramente suprimiria algo mais do que a democracia.

É neste lixo que temos votado? E continuamos a votar?

Tiago R Cardoso disse...

fui ler...

"Agora em democracia efectivamente não se pode hostilizar uma classe profissional para de seguida ter a opinião pública contra essa classe profissional e então depois entrar a reformar - porque nessa altura estão eles todos contra. Não é possível fazer uma reforma da justiça sem os juízes, fazer uma reforma da saúde sem os médicos", completou Manuela Ferreira Leite.

José Lopes disse...

São demasiados lapsos para um qualquer político, e junte-se a isto a dos ucranianos e cabo-verdianos, a dos casamentos de pessoas do mesmo sexo e a das escolhas dos jornalistas, para já ninguém dar crédito à hipótese da ironia.
Cumps

antonio ganhão disse...

Tiago, só tu serias o paladino da senhora...

Joaquim Alves disse...

Já o disse e volto a dizer, que neste momento não há politico que me mereça o voto!

Posto isto, tenho para mim, que uma pessoa como Manuela Ferreira Leite, ou José Sócrates, ou outro qualquer politico destes já batidos, não diria as palavras que MFL disse, sem terem sentido diferente daquele que lhe atribuem.
MFL, pouco habituada a lidar com o humor, não foi capaz de utilizar a ironia com clareza, e por isso mesmo as suas palavras foram dúbias e logo mal interpretadas.
O que é fenómeno comum em Portugal e até noutros países.
De repente a comunicação social escolhe um politico, (nem sempre inocentemente e sem algumas pressões), e vá de o abater, escortinando tudo o que faz e diz, e interpretando sempre tudo pelo lado pior.
Recentemente Sara Palin não sabia que África era um continente, o que se veio a revelar falso, no entanto as parangonas nos jornais foram na primeira página.
Santana Lopes, (de quem não gosto como politico), foi um “saco de boxe” nas mãos dos jornalistas.
Se Sócrates, fosse Santana Lopes, com todas as histórias de licenciatura, telefonemas para jornais, etc, etc, já teria sido “abatido” há muito tempo irremediavelmente.
Quanto ao jeito da referida senhora para falar, é pouco, realmente, mas se nos lembrarmos, Cavaco Silva era bem pior ao principio, (não melhorou muito), e no entanto teve duas maiorias absolutas.
Eram outros tempos bem sei, mas não deixa de ser verdade o que afirmo.
Agora aqui só para nós, eu prefiro um/a politico/a que não tenha grande jeito para falar, mas que seja honesto, integro, empenhado na causa pública e saiba governar com firmeza, mas ouvindo os outros, do que aqueles que têm um belíssimo discurso, empolgante até, mas depois apenas se governam, para o poder e pelo poder.
Ah, esquecia-me, mas desses não me parece haver em Portugal!

Abraço

Manuel Rocha disse...

É por estas e outras que tais que prefiro discutir a substância à sua forma. Obviamente que a senhora não pretendeu significar o que se pretende. Mas mais uma vez são os fait-divers que marcam a agenda.