FACE LUNAR, PAI-NATAL DA COCA-COLA

Para Isaltino e para muitos como ele, mas ainda indevidamente conservados em sossego, a face da Justiça nunca se mostrará nem célere nem carrancuda. Por isso, logo à partida, ele traz aquele semblante sereno e feliz. A sua face lunar de Pai-Natal da Coca-Cola lembra preparativos de casamento e não o rosto de um arguido. É uma face requeijada que recorda um turista, não alguém que arrisca a prisão. Eis em Isaltino mais um turista abonado da Justiça Portuguesa. Aparece rubicundo, com boas cores, bem nutrido, e até alegre nas audiências ou ao enfrentar os jornalistas. A mesma alegria campestre evidencia-a, por exemplo, Dias Loureiro, ainda persistindo no seu número pantomineiro de completa normalidade enquanto arguido não sei se a mesma normalidade para Pedro Marques Lopes, cujo pensamento sobre Loureiro tresanda a lambisgóia brandura e hesitação própria de um Comentador Oficioso do Regime em evidente situação terminal. A Isaltino, imagine-se, deu-lhe para queixas e queixumes quanto ao tom na leitura das Alegações Finais. Mas em que é que a forma como se lêem Alegações Finais interfere seja no que for?! De que é que se pode queixar?! Os seus méritos autárquicos são tão elogiados pelas populações, a cobertura mediática que lhe fazem do caso vai tão branda e leve. Há imensa gente com pena dele. Uma pena tipicamente portuguesa, claro. Não por ter ele abarbatado tanto dinheiro simpático em troca de favores, fora das regras éticas e da limpeza moral que supostamente o seu cargo exigiria. Pena por um herói destes ter de ir dentro, como se isso pudesse acontecer em Portugal! Não foi exemplar o que aconteceu a Avelino Ferreira Torres, a Fátima Felgueiras ou o que aconteceria a Mesquita Serrote ou ao cacique proprietário de Olhão, se isto fosse um País a sério?! A Justiça, para este tipo de caça e para a outra caça parda de águas profundas, com mais um empurrãozinho de este pútrido Regime insosso, bem pode sufocar no seu próprio metafórico vómito. Isaltino nasceu para folgar e fazer festa. E folga e dança como o Frade Vicentino. Ponham é os olhinhos no seu delfim e velho* aliado Perestrello e no que diabo entenderá ele por perda de genica aplicada a Isaltino. O diabo é tendeiro, anda pelas sondagens e sai-se com tais pérolas: «O Ministério Público pediu hoje a condenação de Isaltino Morais a uma pena efectiva de prisão superior a cinco anos e a inibição do exercício de cargos públicos durante o mesmo período de tempo. Isaltino Morais, presidente da Câmara Municipal de Oeiras, abandonou hoje de manhã o tribunal, durante as alegações finais, em protesto contra a forma como o procurador do Ministério Público, Luis Elói, apresentava a sua tese.»
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Comments
Típico de um país terceiro mundista.