O AUTOGOLO DA PAZ PODRE

Queiroz tem todas as qualidades para estar onde está, menos a da autoridade sobre os jogadores. A Federação tem todos os motivos para evacuá-lo, menos capacidade indemnizatória, decorrente de uma putativa ruptura unilateral do contrato de quatro anos. Por isso, está tudo "bem". Aguardam-nos muitos meses de música melosa na infinita voz palrante e narcísica de este fantástico adjunto alérgico a críticas. Simpático por fora, autoritário, mas sem autoridade, por dentro. Honestamente, Carlos Queiroz é cada vez mais um autogolo nas nossas pretensões de glória ou brilharetes. Nada mais que duas de retórica, e lá passa ele adiante, por cima dos problemas, dos casos e aparentemente em beleza. Resiste à crítica e aos factos como Sócrates lhes resiste: com um sorriso e um cinismo de excepção. Trata de olhar pela sua vidinha com equipas ultradefensivas, de constituição instável e imprevisível, substituições rígidas, previamente planificadas apesar dos dados brutos do jogo cuja leitura é canhestra e desfasada do concreto, todas as cautelas e todos os caldos de galinha, sem humilhações grosseiras nem dissabores demasiado escandalosos. Isso, para si, é ter sucesso. Escapar, fedendo ou não, mas por poucos, por pequenos nadas e pequenos quases, deve ser o seu lema e é aquilo que nos tem servido ao longo da sua já longa carreira. «Carlos, assim não ganhamos!» Se cortarem a raiz ao pensamento e à crítica, como ele gostaria, então Carlos Queiroz está muito bem onde está e deve continuar o seu "fantástico" e "fecundo" caminho: um seleccionador em formação contínua. Um seleccionado cobaia constante.

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