ALEKSANDR ISAEVICH SOLZHENITSYN, 1918-2008


Sempre olhei e li Aleksandr Isaevich Solzhenitsyn com enorme admiração e esperança,
porque em todo o tempo, sobretudo no auge da Guerra Fria,
se comportou como uma gigantesca referência moral, uma reserva de verdade
contra o apodrecimento das liberdades de milhões de escravos submetidos,
sob indizíveis crueldades em nome da nova fé comunista vigente na URSS.
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Morre o homem, mas ficam indeléveis e actuais as denúncias na sua obra.
Ontem, contra a Tirania Comunista. Hoje, válidas contra a Tirania Tecnológica,
o lado tirânico e bigbrotheriano dela, e a Tecnocracia Vesga que, de lés a lés,
parece contaminar a Europa com o modelo falido Norte-Americano de organização económica,
instituindo desumanização, estagnação e falta de imaginação social lá,
onde tem sido possível conciliar bem-estar, justiça retributiva,
estruturas defensoras e promotoras do respeito pelos direitos humanos e laborais,
progresso e desenvolvimento sociais, dados adquiridos europeus
completamente em causa hoje. Está na moda liberalizar prodigamente
a miséria e a castração.
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(Em Portugal, por exemplo, o rosto seco da burocracia esquartejante da pessoa,
dentro de esse Pavilhão dos Cancerosos, que é o Systema Educativo Nacional,
tem sido notoriamente Maria de Lurdes Rodrigues, a grande hostilizadora da docência.
Só ela chega e sobra enquanto symbolo da Planificação Autocrática na grande obra
de nivelamento por baixo de tudo e de todos dentro do Ensino).
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Nasceu em Kislovodsk, no Cáucaso, a 11 de Novembro de 1918.
O pai morreu na guerra, antes do seu nascimento.
Aos seis anos, muda-se com a mãe para Rostov,
onde vem a fazer estudos de Matemática.
Participa na Segunda Guerra Mundial, sendo várias vezes condecorado.
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Uma carta dirigida a um amigo, em que expressa as suas opiniões sobre Estaline,
leva-o à prisão e é condenado a trabalhos forçados.
Em 1962 publica "Um Dia na Vida de Ivan Denissovitch",
um depoimento sobre o sistema prisional.
"O Primeiro Círculo" e "O Pavilhão dos Cancerosos",
editados em 1968 no estrangeiro,
trouxeram-lhe o reconhecimento internacional.
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'Agosto 14' corresponde ao início de uma vasta obra de natureza histórica.
Em 1970 foi-lhe atribuído o Prémio Nobel da Literatura,
mas receando que lhe interditassem o retorno ao país,
não foi recebê-lo a Estocolmo.
Pouco depois da publicação de "O Arquipélago de Gulag", em Paris,
em 1974, é preso, julgado por traição e, finalmente,
condenado ao exílio.
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Instala-se nos Estados Unidos,
prosseguindo a sua obra literária
e procurando reunir os dissidentes na sua luta contra o sistema vigente na URSS.
Em Setembro de 1991 foi por fim ilibado da acusação de traição pelo governo soviético
e em Julho de 1994 volta à Rússia.
Escritor de inspiração católica, a libertação interior do homem
é o tema central da sua obra e a razão da sua luta.

Comments

A. João Soares said…
Também coloquei um post esta manhã, logo que soube a notícia. O exemplo de Solzhenitsyn deve ser devidamente meditado pelos cidadãos de todo o mundo, principalmente os que vivem sob a repressão de ditadores ou sob os abusos do poder de governos que, embora ditos democráticos, agem como ditadores.
Mesmo em plena repressão que parecia não deixar uma fresta para entrar a luz da liberdade, este homem genial soube encontrar o orifício que lhe permitia observar o mundo exterior, obter referências e alinhar rumos de raciocínio que possibilitaram resistir positivamente, escrever obras de indiscutível valor para a alteração de comportamentos das pessoas mais influentes, ao ponto de dar um valioso contributo para a queda do regime irrespirável.
Tudo que teve início terá um fim, por maisimortl que pareça, e este exemplo mostra qiue nunca se devem cruzar os braços quando se julga conveniente alterar para melhor as condições de vida das pessoas, quer individual quer colectivamente. Os Nepaleses já chegaram a essa conclusão, o Tibete chegará, e a China, tal como aconteceu ao seu gigantesco vizinho - a URSS - também acabará por harmonizar a vida das populações das regiões mais carentes.
Se, como se diz em democracia, o poder reside na população, é também certo que o povo, para exercer o poder de soberania, tem que ser organizado e enquadrado, ter um timoneiro em quem confie.Mas aí reside um perigo, o da idoneidade deste. Para o sistema ser eficiente, para evitar desvios nefastos, cada um deve desenvolver o seu poder de crítica, ao ponto de poder tomar as suas opções sem necessidade de seguir cegamente um cacique que pretenda influenciar e condicionar o seu voto, como acontece neste momento com os partidos.
A comunicação social e os blogues podem e devem desempenhar papel importante nesta tarefa de esclarecimento.
Um abraço
A. João Soares
Nuno Miguel said…
Uma justa homenagem a um homem que lutou por um mundo livre, e um escritor excepcional.
Parabéns pelo excelente "poste"!

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