DAVID E GOLIAS COM GOLIAS ENGOLINDO DAVID


A frieza objectiva dos quadros comparativos em geral,
e de este supra em particular, é como a subjectividade por vezes entre as pessoas.
Divide.
Perante dilemas de afecto, os olhos não vêem a mesma coisa,
as pessoas não têm as mesmas prioridades, a mesma perspectiva
e por isso mesmo imensas vezes os caminhos bifurcam-se inapelavelmente.
A Rússia, ou metafórica Golias, por este caminho, vai estrangular a Europa Ocidental
com um Fio de Aço chamado oleoduto e a Europa Ocidental, se não fizer nada,
vai estar objectivamente na mão da Rússia. O resto é folclore.
A Geórgia, ou David metaforicamente, está no meio, mas para ser sacrificada,
e sem a arma secreta Funda ou sequer a ilimitada bênção divina.
lkj
Ainda há umas horas tive uma conversa MSN com um amigo
que vive e trabalha nos Estados Unidos. Bom, mais uma discussão que uma conversa.
Ele diz-me que eu saio pouco. Eu digo-lhe porque blogo muito e escrevo de mais.
Ele diz-me que eu não procuro os amigos e que por isso mesmo os amigos não me procuram.
Eu digo-lhe que não pode ser verdade que de repente todos os amigos,
num admirável concerto de posições, nem uma sílaba troquem comigo
durante meses a fio simplesmente porque também eu não troquei,
por meses a fio, uma sílaba com eles nem os procurei.
ljj
Por outras palavras, ele, que tanto e tão bem me compreendia, enquanto cá estava,
agora que está longe há meses parece friamente apostado em demonstrar-me,
com o diagrama geométrico e frio de uma insistência meridional e científica,
que a culpa de eu estar e de me sentir posto à margem, a secar como o bacalhau
ou a carne de sol, é toda minha!
lkj
Como a leitura subjectiva de quadros objectivos, a subjectividade separa as pessoas!
çlk
Do meu ponto de vista, padeço de um ostracismo deliberado, também natural e consentido,
pela diferença de prioridades e fases na vida, na minha e na de esses meus amigos.
Eu tenho estado basicamente, desde há seis anos,
em crise de crença na Sociedade, no Progresso, na Justiça,
na Ordem e no sentido de proporção das coisas nesta, um dia!, nação portuguesa;
assola-me o desemprego bissexto no Ensino, ano sim, ano não,
acumulo ainda mais as privações, as dificuldades, o assédio de um Fisco Louco.
Só por isso não posso ser muito compatível com eles, ainda jovens,
a terminar os estudos, tão virgens e confiantes no futuro,
mal sonham eles o que promete castigá-los de chinês, no sentido laboral do termo,
ainda nada causticados pelos cabrões que virão por aí a esmagar-lhes os miolos de papéis,
de hieraquias maquiavélicas, torcionárias, oprimentes, erráticas,
ainda com a vida simples de pagar um carro, caso trabalhem,
de viver com os pais, como eu ainda, vá, isso temos em comum!, de ter uma namorada,
talvez a mesma desde há uma década - já passei por isso! -
enfim, vidas divididas pelas variáveis da desigualdade objectiva.
lkj
Portanto, Bush, é muito complicado vires agora tu, um amigo, outrora compreensivo,
prescrever-me massagens e pílulas sociais de iniciativa para que me levante
e vá, já-para-a-casota-Piruças, estar com aquelas pessoas de quem eu muito gosto
e que supostamente muito gostam de mim, mas que se calam inteiramente
perante um caralho, eu, sim, senhor, eu, que escrevo que me desunho o santo aninho
por aqui, na minha Caverna Alegórica Nova, este blogue,
pouco ou nada escondendo de mim-lírico, derramando opinião, poesia, narcisismo estético,
subjectividade lírica novamente, aqui, não longe e inacessível, mas aqui, joshua,
PALAVROSSAVRVS REX, o meu autoCAD, percebes?!, eu, o homem das cartas antigas,
aqui nisto, somente uma página com electrões disciplinados e obedientes
à polpa dos meus dedos,
e sem que esses teus e meus amigos saibam, por uma vez, uminha sequer, dizer:
«pá, gostei» ou «puta que pariu, não se percebe nada, este gajo.»
lkj
Porque... enfim... Nada. Não dizem nada. Nem sequer falam, falam.
lkj
Quem subestime o que se tornou importante para mim, vital para mim,
só pode estar a subestimar-me um pouco, ou não? Vês-me melhor daí, de Manhatan?!
Ora, não se bebem copos fraternos com os Golias da verdade toda que,
maiores que eu e em maior número, já me mataram e enterraram
nas suas opiniões sobre o meu interesse real em estar com eles.
Os georgianos também não podem esperar nada mais que a aniquilação
da sua soberania porque a deproporção de forças é vergonhosamente desigual
e a gordurosa presa em vista parece valer à vontade invasora russa
bem o sacrifício das vantagens das boas graças diplomáticas internacionais.
lkj
A frieza objectiva dos quadros é como por vezes a subjectividade entre as pessoas
e a falta de amor e compreensão, com exigências de gestos formais de interesse.
lkj
Divide.
lkj
Porque, Bush, quando a Condição para a Amizade é a Condição* acabou a naturalidade
e talvez tenha acabado aquilo que começou e se afirmou precisamente
na base da incondicionalidade. É isso que nos torna depois irreconhecíveis, diversos.
Definitivamente, amigo Bush, olhas para mim com um ar de
«Manhattan chama Gaia-Portugal à Recepção.»
lkj
Gaia-Portugal bem responde, but it's to fucking Bronx-hard to be heard**.
lkj
*Did I mention to ya I had a caganeira atack the day before you went back?! Well I did have one. A Bad one too.
**I dare you to comment what you just did on MSN so I can no longer forget what the fuck is wrong with me and I can't see.

Comments

Anonymous said…
Poema perfeito. Mas afinal quem é o Bush?
-Meu caro, não quero que tropece em mim, porque quem tropeça corre o risco de cair, se bem que o meu amigo mesmo que caia, levanta-se acto contínuo. A guerra irá acabar hoje ou amanhã o mais tardar, com a Georgia a perder de uma ou outra forma a Ossétia do Sul e a Abkhasia, mas calculo que a História irá repetir-se, os russos agora justificam a acção com o precedente do Kosovo, amanhã alguém irá justificar algo semelhante com o precedente Georgia. E os russos têm a Tchechenia, que também não é muito diferente, se aplicarem a mesma teoria que advogam aqui...

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