sexta-feira, setembro 12, 2008

JANELA INDISCRETA À TUA OBRA IMPLUME


Uma recta algo oblíqua, deve dizer-se,
como uma viagem, a de Lolita e o seu nynphetófilo, Humbert Humbert
outra coisa não é o desejo senão variações oblíquas sobre a recta da vontade.
Há esta janela de onde insistes que te espie e compreenda.
Tem sido e será sempre a minha janela indiscreta
à génese da tua obra implume, ó Implume.
lkj
Percebe-se, percebo!, bem o prazer de que te embebes ao escrever.
O meu prazer é semelhante e faz de mim Sarça Ígnia,
mas a escrita para mim é um perpétuo experimentalismo errático e cumulativo
que trata de rejeitar as formas normativas
ao mesmo tempo que as admite e reconhece como válidas,
minha forma sofisticada de preguiça e de rebelião às conversões forçadas
de uma paixão a atear paixão em cada linha. A tua. Paixão. Linha.
lkj
De repente, politizar e espraiar-me sobre territórios meio imprevistos
será sementeira para quando o meu Oco ainda presente,
o meu Halo da vontade que me retém e não rompe já na labareda de foguete prometida,
darão lugar ao derramamento mais deliberado,
fiel, mais cerebral e operante que imaginar possas.
Livro após livro. Narrativas hybridas, nem conto,
mas também conto, nem poesia explícita, mas também,
nem crónica, mas também crónica.
Não há que ter medo do hybridismo e de uma exposição trabalhada e retrabalhada,
que não enrede o artista no emaranhado dos equívocos de quem leia.
lkj
Um ano de sofrimento cru, como este que tive, como outros,
tinha agora de dar lugar à terapia de um des-empenhamento oposto e opositivo
ao teu presente empenhamento de escritor a tempo inteiro,
com esse teu disfarce absoluto, hitchcockiano,
tão bem conseguido de um técnico em outra coisa erecta, recta,
antoniana e anteniana qualquer.
lkj
Que ninguém laboralmente imagine o laborioso urdidor de narrativas
que se enovela na tua tão secreta crisálida quotidiana
antes de tempo, Implume. Or else. Or nothing.
lkj
A tua ambição é como a minha. Esmagadora.
E temos vinganças corrosivas bem sonhadas prontas a aspergir
sobre quantos estupores nos relegaram, rejeitaram a epifania,
a quota de ter sido génios, isolado e cortante eu. Tu, um carmeloniano obediente.
Disseste que eu/a minha matéria tinha potencial. Pois eu quero o casamento perfeito
entre o descobrirem em mim colombianamente
uma América Áurea e o nada ser mais áureo que a recta,
o Poema em Linha Recta sem ponta de vileza ou ironia com a vileza,
dentro da minha vontade aprumada, sagitada por ser seta.

1 comentário:

Blondewithaphd disse...

Meu Deus a Força que para aqui vai!