terça-feira, setembro 23, 2008

NA PIRA DO DESESPERO



Os mercados bolsistas estão mais instáveis e ígnios
que, segundo alguns biógrafos talvez demasiado sugestionáveis,
as fantasias lúbricas da Rainha Victória,
the Queen Victoria of the United Kingdom, Deus a tenha.
Porque tudo isto que arde nos mercados e semana a semana explode nos mercados,
como curva e contracurva e em apogeu e perigeu, pico e abismo,
como alívio e carregamento de cenho e novamente alívio,
tudo isto lembra a arma horrível do Fogo Grego,
recurso secreto de terror e de desastre sobre o inimigo, quer usado,
quer de uso prometido, e a que em vão, diga-se, os bizantinos deitavam mão
nas batalhas e cujo segredo rasuraram a tempo mesmo de nada lhes valendo.
lkj
Todos aguardam boas notícias, mas elas serão péssimas até que a crise passe.
Veja-se hoje o salto para cima do preço do crude: terrível, súbito, enorme. O perigo ronda
os investidores do vento, do vento lucrativo e infinito. Cave investimentum caenmque!
Com o apelo a que outros governos mundiais sigam o exemplo norte-americano,
intervindo da mesmíssima forma na liquidez dos seus mercados,
na verdade os investidores não podem mostrar senão terror e zero confiança
perante o gigantesco, mas não gigantesco o suficiente!,
plano anunciado pela Administração norte-americana
para evitar novas falências no sector financeiro.
Elas estão aí, mesmo que encapotadas.
lkj
Medidas à velocidade da luz reconvertem estruturas bancárias.
Ligas de bancos, japoneses e outros, são arrolados
para comprarem percentagens de activos, para assumirem parte da missão salvadora.
Tudo o que tem sido feito para assumir as dívidas relacionadas
com o crédito hipotecário que estão a asfixiar as empresas
pode na verdade não ser suficiente e enquantos alguns desesperam
outros aguardam e observam, talvez a Alemanha, talvez a Rússia
para fazerem uma grande OPA à economia norte-americana periclitante,
pelo menos é o que me autoriza a fantasiar o tipo de arrepio na espinha
que me percorre quando escuto o sr. Henry Paulson e o sr. Ben Bernanke.
lkj
Ainda não temos uma noção clara do que efervesce por aí,
mas, por Héracles, pigs do fly, pigs are all over de skys and floating like shit.
Que saudades dos Muppets e do seu irónico Pigs in Spaaaaace!
E, by the way, tudo está ligado.
Pequenas greves pontuais à compra de combustíveis em dias marcados,
e a explosiva percepção absoluta da longa e silenciosa hipocrisia governamental
durante e perante o obsceno congelamento de preços pelo oligopólio petrolífero nacional,
enquanto o crude descia e descia e se mantinha baixo semana após semana,
nada disso é resposta suficientemente forte à provocação insultuosa
a que submeteram os consumidores
e a opinião ainda e sempre amorfa dos portugueses.
lkj
A verdadeira resposta é optar por hybridos em força e já, é resistir, usar as pernas,
os transportes colectivos, usar a imaginação e começar a partilhar mais.
A verdadeira resposta é reconvertermo-nos a nós, cidadãos, por nossa conta e risco,
por todos os modos e meios, e lutar por alternativas energéticas, acelerando o seu uso,
retirando o tapete quer à alta taxação aos produtos petrolíferos,
quer à artificiosa necessidade sequer dos produtos petrolíferos:
hidrogénio sintetizado do mar pelo processo da baixa amperagem, já!
Hidrogénio a partir de estruturas reactivas entre alumínio industrial e ar, !
Baterias de lítio para automóveis, já! Alternativas e mais alternativas, já!
lkj
Se aos Estados não interessa romper com o lóbi e o circuito dos seus dividendos,
a nós interessa-nos, e muito!, avançar para aí e por todas as razões.
Interessa-nos romper com os circuitos de mentira e conveniência
que nos retêm ainda nesta triste e manipulável dependência.
lkjh
Curioso como a revelação dos negócios entre o Manuel Sebastião e o Manuel Pinho
aceleraram imensamente as coisas em matéria de descida. Velhos sornas
estes políticos e as suas autoridades por si indigitadas de trela curta!

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