sábado, setembro 13, 2008

LINKOPOEMA, SURFANDO LARGAMENTE


Não foi uma semana fácil. A carteira sinceramente seca,
mas a filha feliz na creche, um pequeno-almoço frugal, darwiniano, com a esposa,
galão e pão, acabadinho de sair do forno do Pingo-Doce, com manteiga,
e o vaticínio persistente das nossas dores, nossa gravidez,
e a sinceridade vantajosa e avantajada dos outros
apunhalando-me a batalha diária e alienígena,
sem promessa de ilha dos amores.
lkj
E ler, e escrever como um louco, reparar no último trojan
que me vem devassar o Kasperky infalível, afinal liberal
e passento, punir-me de seda com mais sessenta euros extra,
uns inesperados 110,26 euros, pena em vão, a mortificar-me as faltas.
Nem alecrim nem tapete de flores, nem liberdade, nem independência
me trazem a especialização em verve pelo mini que não conduzo.
lkj
Ponho os olhos liberais no pianinho da filha, colorido, azulinho, resistente,
o sol obliqua ali, deus nu, um reflexo em ofuscação,
e é o nostos, a nostalgia de a encher de amor
abrindo as minhas asas-cisne pelo seu bafo de ouro,
ela é o meu cartel da arte, minha garrafa viva, um pouco de Joane alecrim
em minha vida naviarra nossa vossa,
meu musgo, meu creme, meu tufo, graciosa
filhinha excitada, ridente, saltitante,
pintante e escrevente a cada momento, cá por casa,
mãos imersas na plasticina cisne delicado de aprender.
lkj
Ah, mas a mini esparsa semente da poesia que me vulcaniza
e me enche de cardos quer desgarrar-se e desgarrar-me da realidade,
por não mais ser esse outro bafo de ouro,
e musgo e creme e tufo e gaiteira esperança.
lkj
Tarda o teu flamejante esgar, Poesia, anilha incorporada,
arreio cavalaria de congraçada tropa
ainda atribuladamente sequiosa seda
e é em vão a nata que goteja,
por mais que no-lo neguem dolorosamente.

2 comentários:

antonio ganhão disse...

Surrealismo linkado? Un dia a tua filha vai-te perguntar: o que é que andaste a fazer com a tua escrita?

Tiago R Cardoso disse...

parece-me que isto é mesmo para me chatear, cruz credo !!!