sexta-feira, setembro 12, 2008

NOTAS SOLTAS CRISALIDADO?


Que esta seja uma crise de crescimento,
embora seja nítida uma clivagem interior de tendências e de perfis
que não mostra sinais de ser sanável.
lkj
Um blogue como o Notas, naturalmente, se assumido de um modo apaixonado,
torna-se uma tarefa muito exigente. Por ser colectivo,
a relevância individual esbate-se, exige empenhamento,
constância e não depende o sucesso comentado de cada um
da posição que ocupem na página quotidiana:
os valores e o valor das pessoas ombreiam entre si
e são o que são, em alguns casos com grande margem de progressão e afirmação,
salvo para quem não quiser correr riscos,
não estiver para refregas, polémicas, discordâncias,
conflitos posicionais, levantamento de fragilidades argumentárias
e por aí.
lkj
A entrega deve ser grande. O risco de não ser lido é altíssimo,
mas a luta está precisamente aí e, se calhar,
por muito que saltemos de projecto em projecto,
há em todos os casos apenas um projecto. O pessoal, dentro de um colectivo.
E mesmo se não houver, se houver antes um projecto colectivo
que marginalize o lado pessoal nele,
na verdade ele continua a ser pessoal.
lkj
A competição interna não tem de ser demonizada,
a dialéctica interna, o contraste dos caracteres
não têm de ser em todos os casos conducente a finais rasgados
ou a esfriamentos amorosos, como aquele a que agora se assiste
e nem todos conseguem compreender inteiramente
porque cientificamente não muito fácil de explicar o ciúme,
o preconceito pela simplicidade,
a nudez da inteligência apesar do erro ortográfico
e da falta de citações clássicas, literárias ou outras.
lkj
Enfim, simplesmente tenho saudade do tempo
quando esses óbices, que porventura se avolumaram até ao desfecho presente,
não se colocavam de modo absolutamente nenhum.
Havia sinergia e a promessa de vitalidade estava no ar.
O Tiago trabalhou muito. O António de Almeida trabalhou muito,
realmente imperturbável, sem nunca desalinhar na correcção urbana
(não é pessoa para se descabelar e simular excessos
com um verbo a doer como eu faço,
mas antes para seguir sereno num registo,
passe a piada bem intencionada, de Pantera Cor-de-Rosa
muito determinada e sempre em cima do acontecimento),
mas sempre de uma limpeza relacional absoluta.
Todos fizeram o seu quinhão, mesmo o Tarantino,
quando a sua alegria pontificava e sobrelevava entre as demais,
mas a verdade é que o Notas desbotou.
lkj
Elencar culpados e motivos é uma tarefa inglória
porque fará vítimas e responsáveis injustamente responsabilizáveis e vitimáveis.
O que é preciso é trabalhar, habitar o tempo e comentá-lo
com um sentido construtivo e subversivo o maior possível.
E aí, ressuscitar o Notas é possível.
A blogosfera é uma arena muito ampla para relações,
afinidades, brilhos de espécie diversa,
e triunfos variados. Há que ir à luta dispostos a sangrar.
lkj
Eu vou, por mais que me digam subtil e tacitamente:
«Morre! Desaparece! Não te suporto! Muda! Não vais lá! Foste derrotado!»
Eu continuo, como desde o princípio.
E digo, muito sinceramente a todos esses que tacitamente
ou explicitamente tal mo tornam implícito ou explícito:
lkj
lkj

3 comentários:

Pata Negra disse...

Se bem me lembro, foi através desse Notas que conheci o Joshua e o Tiago - esses ficaram. Por lá vou frequentemente, agarrar-me aos taipais de gente que não é da minha camioneta. É um espaço único, que não invejo (passo junto a uma bonita e vistosa vivenda e não a quero minha). E depois sempre me pareceu haver por ali um cimento adulterado, um castelo onde todas as paredes queriam ser alçados principais, enfim:
- Gosto e não gosto, nada que me faça não gostar de por lá passar!
Da minha leve experiência blogosférica, cada um na sua casa, nada de colégios!
Um abraço - porque é que me deu para comentar isto?

quink644 disse...

É mais um como o http://democraciaemportugal.blogspot.com/... Que havemos de fazer? Lembro o versos de Rosalia de Castro: Este parte,
aquele parte
e todos, todos se vão... (...)
espero que não vás, embora, às vezes, também me apeteça mandar isto tudo á merda...
Um abraço e força...

Anónimo disse...

Reparo agora que dedicas um post e uma análise a um projecto colectivo que descarrilou.

Admiro e registo a preocupação e a análise, embora tenha para mim que a mesma é debalde.

Basta ver o que por aí se diz e escreve, cada um emudecido na sua razão e alguns a quem não sei sequer que deva apelidar, a debitarem e darem um ar da sua graça. Mordaz e irónica, mas sem qualquer conteúdo que se aproveite.

Regista, por favor, que não falo, nem penso em ti.

Quanto ao testemunho que deixas, permitirás apenas que releve a injustiça feita ... quando destacas o labor de dois, deixas de lado um vasto conjunto de pessoas.

É o teu direito, é a tua opinião, mas não é a minha.

Nem sequer entrarei pela idiótica reivindicação das percentagens ou do trabalho dado, pois isso é discussão estéril.

Registo apenas que uma vez me disseste que existia empenho, cometimento e uma solidariedade em tempos que também apodaste de rotineiros e previsíveis nas escritas ... sucedeu um "lift up" em tudo e foi o descalabro ... como disse, publicamente, a culpa é minha e apenas minha. De mais ninguém.

Por isso, não vale a pena uns estarem a proclamar que não batem em mortos, outros a assobiarem para o lado ou tu a protestares, meu caro Joshua.

Se quereis um alvo, um culpado ele está aqui.
Por isso, nada mais há que dizer sobre as notas que se soltaram e resvalaram de ideias tontas para outra coisa qualquer.

No fundo, meu caro Josh, a gestão das crises era mais fácil quando existia o tal cimento e argamassa da solidariedade; admito, hoje, que possivelmente não devia ter acedido a transformar aquilo num albergue espanhol onde cada um dizia o que lhe apetecia (e muito bem) mas com isso armafanhava, por vezes, os escritos dos outros, por exemplo ... e eu, assumo-o, tenho cá as minhas solidariedades e essas vão para os que me acompanharam desde a primeira hora!

Doa a quem doer ... e por muito que um ou outro teimem em não acreditar.

No mais, meu caro Josh, não é pelo erro ortográfico, pela falta de citações clássicas, literárias ou outras ... pois se assim fosse, desde o início que estaríamos mal!

De qualquer modo, fica aqui a minha pequena intervenção motivada não só pelo teu escrito, mas também pelas reacções laterais que, penso, são imerecidas e injustas.