quarta-feira, janeiro 20, 2010

AVÉ, Ó CHEIA DE LATA!

Quando o duplipensar orwelliano bateu à porta de Fernanda Câncio, ela estava em casa. Nua. Pronta para uma maratona de familiaridade íntima, bem aninhada no âmago a propósito disto. Obviamente, o duplipensar entrou-lhe, penetrou-lhe fundo e hoje é o que se sabe em prosa de encher chouriços e de atirar uma cortina de fumo sobre o cerne dos problemas, protegendo por todas as vias o seu Príncipe das Trevas. Avé, ó cheia de Lata! Porque se o Conselho Europeu considerou que o “interesse público” do tema [António José Laranjeira publicou, em 2000, dois artigos no semanário regional "Notícias de Leiria", de que era director, em que citava fontes que acusavam um antigo autarca de Leiria de alegado abuso sexual a uma doente e o Tribunal de Leiria acabou por o condenar por um crime de violação de segredo de justiça e dois de difamação] se sobrepunha à protecção do inquérito judicial que decorria e à reputação do arguido, já que o facto de um dos visados da notícia ter cargos políticos e ser uma figura pública, e justificava que pudesse haver quebra de protecção de segredo de Justiça, e por isso condenou o Estado português a pagar 8.700 euros ao mesmo António Laranjeira por danos materiais, quanto terão de pagar um dia ao mesmo Estado Português todos quantos neste momento barram e perseguem a Justiça?! E o fazem a pretexto de os casos arrolarem ocupantes de cargos políticos e figuras públicas, como é o caso tipicamente impunitário do Face Oculta?! Câncio acha que os Juízes Europeus estão a ver mal a coisa. Eu acho que Câncio é um desastre e uma desgraça em segunda mão à luz do conceito que a traduz fidelissimamente, o duplipensar. Quem o diz de Câncio, di-lo de Isabel, Isabel e Isabel: «Aliás, como jurista que és, Pedro, e habituada a ver-te argumentar contra e a favor de decisões jurídicas de juízes (sim, parece pleonasmo mas não é), espanto-me, mas não ao ponto do desmaio ― seria preciso um pouco mais de espanto e neste caso, tenho de certificar, isso está há muito fora de questão ―, com o facto de neste caso aparentemente não te ocorrer colocar a possibilidade de os juízes estarem, digamos assim, a ver mal a coisa.»

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