sábado, janeiro 09, 2010

«I LAMBE IU, SÓCRATES!»


Num momento em que, aparentemente a bem do País e não para salvar a pele do Regime Colapsante (ironia!), as hostilidades entre PS e PSD regridem e mesmo o tom mais geral de cooperação interpartidária adquire matizes claramente afectuosas, pois os deputados se unem como unha e carne na Comissão Parlamentar AntiCorrupção, em manifestações de concórdia e de afecto nada dissimuladas, eis que se soltam, como farpas institucionais, novas emanções nauseabundas do Freeport. O celebérrimo primo de Sócrates, espécie de Kung-Fu Panda Português ex-exilado na China agora repatriado, diz que, à época, tinha autorização expressa, repare-se!, do Ministro do Ambiente para se fazer valer do apelido de família com a finalidade de «conseguir um contrato com o Freeport». Não importa. Há muito tempo que tudo isto chamado Portugal está sob controlo (ironia!). Isto agora, por exemplo, com os seus 10,3% de desempregados e a instituição abstrusa, paradoxalmente conservadora, e encenada, do "casamento" homossexual, um farol da liberdade e da igualdade (ironia!). Toda a gente está feliz. O Bloco Central pode até regressar a fim de resolver os problemas que criou, amamentou e ampliou para chegarmos aonde chegámos. A República pode até até ser refundada e moralizada. Por quem? Por todos quantos se cevaram dela, graças a ela, degradando a Justiça e subvertendo a Economia segundo lógicas favoritistas que excluem o mérito e priorizam a cumplicidade político-partidária, fazendo da Corrupção (Política!) a Lei de Bases da Economia e até a verdadeira Constituição. Mas enfim, temos Governo (ironia!). Temos Oposição. Temos Primeiro-Ministro. Temos Mário Soares, espécie de Sibila ou de Buda impassível, perorando do Alto da Burra sobre o nosso infame derrotismo, pudera! Há um Povo feliz neste canto, montículo de gente com a sua iliteracia e virgindade crítica. Dê por onde der, a coisa vai de cada um se desenrascar. Gente que olha para ele, o Grande e Paradimático Desenrascado, e declara, como um juramento de bandeira, «I lambe iu, Sócrates!».

4 comentários:

José disse...

Isto comprova a existência de crime de tráfico de influências. Um crime previsto no Código Penal, mas atendendo à sua moldura penal está prescrito. Era isso que o José Luís Lopes da Mota queria dizer veementemente aos dois procuradores do Freeport em nome e por conta de alguém que se pode dizer seja o ministro da Justiça, o “corrido” Alberto Costa, mas mandatado pelo José S. que nisto sabe bem o que importa.

No caso Face Oculta, o crime de atentado ao Estado de Direito que as escutas alegadamente indiciam, é do mesmo teor.E este não está prescrito, mas o Noronha acha que não é crime nenhum e o Pinto Monteiro bate palmas à decisão e não recorre dela porque assim entendeu também.

É com isto que contamos no nosso Estado de Direito: a mais flagrante violação do princípio da igualdade dos cidadãos perante a lei ( que tem consagração constitucional) e ainda uma denegação de justiça, confundida com decidão jurídica, cuja polémica lhes aproveita.

Anónimo disse...

Isso contradiz o Sócrates.Um dos dois está a mentir e não parece difícil adivinhar qual…
Que vergonha ter como PM um crápula deste jaez!

José disse...

O Sindicato do MP já disse o que tinha a dizer, bem claramemente: em primeiro lugar, no auge da polémica divulgou publicamente que o PGR deveria ser escolhido de outro modo que não aquele que conduziu este individuo ao posto onde está.
Em segundo lugar, numa entrevista desta semana, o presidente do Sindicato disse que os magistrados do MP não se revêem neste PGR.

Mais palavras para quê?

O Cavaco nada faz, nada quer fazer e tudo fica na mesma. Ninguém se importa, a não ser umas vozes desgarradas aqui e ali. Entre os juizes, só o Maia Neto teve coragem e mesmo assim mitigada para dizer que não concorda com o Noronha.

É preciso dizer mais?

Por onde anda o Laborinho que escreve textos redondos no Expresso na revista de fim de ano? E por onde anda o sindicado dos juízes que nem uma palavra disse sobre o Noronha e o seu despacho de vergonha?

cristina ribeiro disse...

Nunca a expressão " estamos entregues à bicharada " teve tanto cabimento.