sábado, janeiro 30, 2010

TORPEZAS E ÊNFASES

Não se espere da espécie humana, por vezes, aquela abnegação triste e pesarosa; não se espere a entrega incondicional de médicos ou outros profissionais da área em face do abismo da dor do outro. Quando é demasiada, advêm a dormência ética e o torpor moral, defesa inconsciente, quem sabe? Por vezes, o prosaico aflora, no meio do sangue, e a vontade de rir e beber, precisamente no cerne das lágrimas alheias. Urge soltar cada qual os seus demónios e aceitar-se tal como é: passível de paradoxo, insensibilidade, oportunismo. Deprimidos, não vamos lá. Compassivos e comedidos, a julgar por este exemplo, também parece que não. Loucos, talvez. É por isso que, não mudando inteiramente de assunto, como poderia pensar o langoroso leitor, não se deve crucificar nem linchar Sócrates precisamente agora, embora mereça castigos corporais e de natureza financeira pela grave salgalhada político-económica perpetrada em plena farsa democrática: o mal está feito e prolongar-se-á nos seus efeitos. É preciso condescender com a pessoa já que ao político lhe foi dada rédea solta e ainda hoje nada acontece com a montanha de escândalos e de estercos acumulados. Quem se deixou enganar ou simplesmente pensou que não havia alternativa ao reluzente engano, paciência! Vai pagar por isso. Tanto quanto os pobres doidos que andaram, e ainda andam!, por aí a vociferar verdades e alertas sobre tal incomensurável Ego Lustroso, ávido de dinheiro e controlo, de onde emergem todos os excessos chavistas encapotados e todas as mentiras danosas da multidão insciente. Afinal, o nosso terramoto sócio-financeiro não é nem será menos trágico ou menos grave que o terrível haitiano nem nos faltam médicos que riem e bebem antes de amputar a nossa legítima paz de espírito.

1 comentário:

Janice disse...

Báh Josh!
Que texto amigo! Tiro meu chapéu!
Descobri ao fim e ao cabo, além de tudo que foi dito,que sou: Langorosa! A palavra é saborosa, embora o sentido, mas é a minha cara, jeje.
Beijão.