domingo, janeiro 03, 2010

EVITAR FOLCLORE E PEDANTARIA

Seria cómico que o processo movido por Paulo Teixeira Pinto ao professor Louçã tivesse consequências de maior ou sequer algum tipo de celeridade especial, quando outros não têm nem umas nem outro e quando, sobretudo, há entre quem move o processo e quem é processado um desnível económico absolutamente obsceno. A força moral da causa monárquica basta-se a si mesma. Entre iguais, digladiem-se como iguais. Na causa monárquica, que subscrevo e da qual Paulo Teixeira Pinto é dos mais lúcidos proponentes, militam homens e mulheres de todos os quadrantes políticos. Não percebo o entusiasmo Torquemada do jovem febo e glauco Tiago por se moverem processos deste tipo ou pela ideia burocrática e justiceirista de que ainda mais processos se deveriam mover. Um esforço extra e por que não propor duelos à moda do oitocentos? Quanto ao argumentário de Louçã, ele incha de preconceituoso e simplista e não é uma questão de ódio, mas de ignorância e populismo. Há tantos nexos entre Democracia e República como entre um feijão e uma osga. A actual República de 1974 é um exemplo de decadência, de falência moral, extrema corrupção, nula justiça social, com o progressivo enfraquecimento cultural, demográfico e social de um Povo inteiro, apesar do rótulo "democrata"; a de 1932, República sob a qual vigorou uma longa ditadura, prova quem são os subditos e os soberanos e como não passa de vazia toda essa conversa sobre papéis simbólicos e não sobre a natureza concreta dos privilégios e dos privilegiados. Repúblicas assim, lesivas e empobrecedoras da maioria, não, obrigado! Enquanto isso, por essa Europa, monarquias constitucionais e seus governos e parlamentos democraticamente eleitos, prosperavam. Os portugueses e os partidos devem questionar-se sobre a relação custo/benefício de um Regime. O que ganhamos e o que perdemos com uma liderança longa, experimentada, sábia, em compromisso visceral com um povo sempre livre de destronar quem não esteja à altura das suas responsabilidades?! Uma instituição sólida, estável e independente, como a Monarquia, serve de modo acrescido ou não a felicidade e a inteireza de um País, agora que se esbatem as soberanias e os mais frágeis se ressentem duplamente?

2 comentários:

João António disse...

Nem mais, meu caro !
Abraço

Nuno Castelo-Branco disse...

Pois é, Joaquim, mas o Louçã andava a pedi-las e há muito tempo. Sempre de dedo em riste - um autêntico Torquemada - bem gostaria de nos enviar a todos para "reeducação". Agora que se prepare e de preferência, que abra os cordões à bolsa. no entanto, duvido. Sempre tem aquele recurso que criticava no Dias Loureiro. A imunidade.