OBAMIZAÇÃO DE McCAIN

Quem contraste a realidade política portuguesa com a norte-americana
terá matéria para se angustiar profundamente pelo défice de frescura português,
pelo défice de afectividade português, pela impossiblidade
de os variados líderes dizerem coisas boas sobre Portugal e os Portugueses.
Tenho a queixar-me não apenas do dirigismo de todos os discursos,
mas também de todos os desfasamentos emocionais.
lkj
O show político norte-americano é contínuo, segue os seus rituais,
contém palavras fortes de envolvimento emocional e um velho prisioneiro
com as marcas indeléveis do seu cativeiro tem, ainda assim,
a energia suficiente para arrostar com todas as possibilidades de vitória ou derrota
e arrastar com notório carisma entusiásticos apoiantes
não o fazendo porventura a tanta distância como isso de Obama.
Aliás, Obama não é apenas uma moda, dizem alguns, europeia
mas um fenómeno transversal de ascenção da política tanto à magia
como ao circo romano.
ljlk
A coisa em Portugal fia de outra maneira.
O tom é de velório e é justamente um velório sem sorriso
e sem qualquer atractividade à partida o que esperamos
do célebre dia 7 de Setembro, em Castelo de Vide, com um discurso
que não poderá rivalizar em adrenalina e excitação
com dois minutos em directo da Red Bull Air Race, no Porto e Gaia.
lkj
Que saudade de Adelino Amaro da Costa e de Sá Carneiro,
porque com eles as palavras tinham peso, adequação ao momento
e nos revíamos nelas e neles tal como nos é agora impossível revermo-nos
seja em quem for que devamos confiar e investir.
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