PEIXE GRAÚDO E PEIXE MIÚDO

O endurecimento das normas de trabalho na função pública,
com esta promulgação do Regime de Contrato de Trabalho em Funções Públicas,
equiparação a todas as que vigoram no sector privado,
constitui o culminar do chamado ímpeto reformístico do Governo.
lkj
O derradeiro desaparecimento de todos os guarda-chuvas
garantísticos de estabilidade no emprego
têm os poucos dias que lhe restam contados.
Consolar-nos-ia isto se a aplicação de este Regime fosse absolutamente fiável
e soubéssemos que os gestores públicos, técnicos e ténicos superiores,
que auferem muitas vezes prémios de produtividade
em empresas públicas falidas, também eram liminarmente despedidos
por inadaptação e incumprimento de objectivos
para além da avaliação de desempenho amiguinha que têm garantida e os pode salvar.
Também não sabemos qual será o futuro dos gestores públicos de confiança política,
de todos os que foram colocados em funções e estruturas de confiança política,
para além das competências prévias, para além sequer de qualquer currículo
que o autorizasse. Seria bonito para o País compreender a transparência
esconsa de este tipo de casos e o que o futuro lhes reserva.
lkj
Mas provavelmente as coisas não serão assim.
Uma vez mais, a competitividade e a discricionaridade,
a verdade, a aparência e a mentira, caminharão de mãos dadas
com prejuízo apenas dos pequenos e vulneráveis
tratadores de jardins públicos
ou funcionários sobrecarregados de papéis e da bílis dos chefes
numa qualquer Repartição de Finanças.
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