PROFESSORES EM HORÁRIO NOBRE


A necessidade de uma programação dirigida
em horários diferenciados coloca um problema às colocações
que surgem aparentemente rígidas, no final de Agosto,
aquém das necessidades e com vista à economia de recursos do Estado,
uma vez que todas as colocações posteriores a 7 de Setembro
equivalem a uma economia de pagamentos em salários.
lkj
Tempo é dinheiro e o que um professor contratado vai auferir,
quando e se colocado depois de esse período de sete de Setembro,
só o receberá no final do mês de Outubro ou ainda mais tarde,
passando praticamente dois meses a trabalhar sem rendimentos.
Esta é a aritmética a operar pelo orçamento.
lkj
O Estado joga assim orçamentalmente com as colocações há muitos anos,
autorizando-nos a declarar que se o Ministério não uma Agência de Emprego,
artificializando necessidades para colocar pessoas,
também não é uma Boa Agência da Verdade,
uma vez também falta à verdade acerca das colocações
realmente necessárias inicialmente.
lkj
Normalmente estes professores contratados,
colocados sucessivamente ao longo de cada semana do ano até Maio,
caem no sistema escolar quando ele está em andamento,
quando as primeiras reuniões e os primeiros trabalhos e tarefas
já foram distribuídas.
lkj
As colocações são feitas tendo em conta os horários previstos,
mas os horários reais são sempre em maior número,
divisíveis e plásticos, de acordo com conveniências várias e cálculos variados.
A função docente possui uma “nobreza” não passível de sátira
e amesquinhamento no horário nobre da bloga e da imprensa
que agora é todo dia, a toda hora, dependendo daquilo a que o público é sensível
e de que é sabedor ou mau sabedor.
lkj
Acredito que existe o horário nobre das audiências e das pessoas
nos seus trabalhos, que deve ser analisado muito mais do ponto de vista do público
que se quer alcançar que propriamente do que é ditado pelo relógio.
Quando se trata de públicos específicos na Escola,
para uma comunicação mais dirigida,
outros horários podem ser considerados nobres porque vão atingir,
por exemplo, adolescentes. Levando-se em linha de conta
alguns dos hábitos desse público, que estuda pela manhã e gosta de sair à noite,
o período da tarde pode ser considerado seu horário mais nobre na Escola.
Daí o sucesso de produções como a novela Morangos com Açúcar
e outras que aliás brincam deliberadamente com a Escola e a figura do professor,
remetendo-o para o papel que realmente tem na sociedade, o de bombo.
lkj
E a mesma coisa se aplica a outros públicos específicos:
as donas-de-casa no começo da tarde, as crianças pela manhã,
a cada qual o seu horário e também são esses horários nobres perfeitos
para um público escolar.
lkj
Hoje o conceito de horário nobre evadiu-se dos media para a Escola:
o horário é uma tenaz e uma treta formal, quando toda a vida vi professores
a excedê-lo por dedicação apaixonada e eu próprio muitas vezes
o extravasei dadas as magnas tarefas entre mãos.
Mas isto não anula a outra interpretação: levar as mensagens do Ensino
a um número cada vez maior de públicos não pode ser feito à custa
do escurecimento deliberado da figura do professor
que quer trabalho sem público,
o que justifica a diferenciação bipartida
das perspectivas quer neste blogue,
quer um pouco pela sociedade portuguesa.
lkj
A cizânia está lançada, os professores foram atirados aos cães
que agora os disputam como a raros ossos com tutano
em que se pode morder e bater à vontade.
Dividir para reina nunca foi tão materializado em Portugal
como com esta classe.
e pelo preconceito lograram tão magníficos resultados
a contento das políticas mais restritivas e desqualificantes na prática,
enquanto na teoria enchem a boca de qualificação
apenas para conformar multidões de cábulas
e de culpados pelo próprio percurso escolar medíocre e insuficiente
de não apenas serem desempregados crónicos,
mas também trabalhadores mal remunerados,
maltratados e deixados com os piores restos da riqueza nacional.

Comments

quink644 said…
“Ministra da Educação diz que contratou os professores pedidos pelas escolas”
Podia era também ter dito que deu ordens às escolas para não pedirem professores… Na escola onde estou, há uma enormidade de lugares por preencher, já que, com a excepção dos professores do quadro, mais nenhum lugar foi preenchido e esses lugares representam qualquer coisa como 30 ou 40% das necessidades de mão-de-obra da escola… Logo, talvez tenha razão no que disse, não disse foi o resto…
Depois, mão-de-obra é, no meu entender, uma expressão extremamente infeliz no que respeita ao trabalho docente, já que nem os alunos são coisas nem os professores ensinam propriamente com as mãos… Mas, uma vez mais, talvez ela tenha razão e as escolas não passem hoje de meras fábricas de forjar certificados, mas também os resultados não são produto nem dos alunos, nem dos professores, tão só da aplicação de leis e fórmulas cada vez mais permissivas, em que, praticamente, só reprovam os alunos que são presos ou falecem durante o ano…
Boa forma de começar outro ano no país das maravilhas…
Vão lá inaugurar os computadores novos das escolas chiques, na minha continuam os mesmos do ano passado e o decoro impede-me de falar sobre eles… e a vergonha quase me impedia de dizer que, onde presto a minha mão-de-obra, não há sabão para as lavar, nem papel para limpar seja o que for... Custava menos sofrer estas coisas se estes governantes estivessem quietos e calados...

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