PROVOCAR, PROVOCAR, PROVOCAR
Falta um ano para o balanço efectivo de uma década. Perda. Desperdício. Retrocesso. Sente-se que a corrupção recrudesceu na mesma proporção com que Portugal regrediu e não mais cresceu ao mesmo tempo que a pobreza alastra a par do envelhecimento da população. A incompetência das elites políticas é clara para os portugueses. Provocar mudanças aparece, por isso mesmo, como lei para o cidadão bem informado e capaz de se escandalizar com o que lhe escondem e o quanto lhe mentem. É notório um crescer de impaciência e um asco novo pelas dimensões política e pública das figuras mais odiadas no seu egocentrismo estadista ou mais subservientes a um certo poder sem peias, sem escrúpulos e com uma péssima relação com a realidade ela-mesma. Provocar é preciso. Os blogues são a ala avançada de uma nova cidadania arrastando à reflexão e a actos consequentes toda a demais sociedade. Excedemo-nos? Com toda a certeza. Porque por aqui as nossas hipérboles ou o registo global hiperbólico, repleto de disfemismos, comparados com os factos brutos que analisamos todos os dias, podem não passar de singelos eufemismos. O lado humano e simpático das figuras públicas não as isenta de responsabilização política por actos, decisões e retórica, exorbitados. Pois vivemos tempos em que o Poder Político e as instituições por ele controladas ou a ele submetidas, exorbitam, cedem ou omitem, claramente. E contra isso nos insurgimos. É preciso contrabalançar que façam gato-sapato do cidadão comum e poupem despudoradamente o cidadão incomum.
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