quarta-feira, dezembro 17, 2008

ALEGRE, HAMLETIANA HESITAÇÃO


São José Almeida analisa as potencialidades do Movimento encabeçado por Alegre,
recobrindo os vários pontos de um puzzle exigente na sua consolidação,
destacando-se a montagem criativa que deve recuperar o melhor
das experiências passadas para as integrar numa consistente
organização programática, isto, perante a chacota e o desdém blá-blá-esquerda
com que muitos espíritos cevados beneficiários ou beneficiáveis
pelo círculo dos interesses dentro do PS, nervosamente recobrem de malogro
e antevêem malograda tal iniciativa:
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«Não pode haver um partido ou um movimento que redefina a esquerda em Portugal sem um sólido programa político. E há que encontrá-lo nos escombros não só da falência do comunismo soviético, mas também do liberalismo de Ronald Reagan e de Margaret Teatcher, bem como ainda da social-democracia que se enamorou do primado do mercado e esqueceu as pessoas como centro da sua acção programática
[...]
«É claro para os dirigentes bloquistas que tal só poderá ser feito perante a prévia assunção de uma base programática sólida e nova e que tenha em conta as respostas à nova sociedade que está a nascer em Portugal, com os seus problemas específicos, como as novas formas de trabalho, assim como tem de ter em conta o colapso do capitalismo financeiro e a falência do neoliberalismo de idolatria do mercado, mas sem regressos a fórmulas totalitárias ou nacionalistas e logicamente sem pôr em causa a integração europeia
lkj
Talvez também através de uma releitura da Doutrina Social da Igreja,
cujo primado e princípios radicam clara e notoriamente na Pessoa, nunca perdida de vista por nenhum outro enamoramento espúrio pronto, tarde ou cedo a voltar-se contra ela
e a implodir com um mínimo de organicidade social.
O perigo está todo continuação da actual pasmaceira ideológica e na agenda
meramente espectacular e pontualística do Governo e na manutenção de essa prolongada escandalosa glutonaria clientelar com que PS e PSD
têm devorado Portugal. Maior escandaleira e exemplo de decadência não existe.
lkj
Já Pulido escrevera acerca da dimensão hamletiana no homem e político Alegre
e a verdade é que passa no seu discurso uma vontade que hesita,
que ousa reflectir divergindo e demarcar-se do PS socratino
que nada tem de esquerda e menos ainda de socialismo,
mas hesita,
que denuncia as derivas autocráticas e a fealdade impositiva de este Governo,
mas hesita,
que confronta um poder do mais lesivo e desprezivo das pessoas
que já se viu em Portugal, mas hesita. É ele, porém, o único a corporizar
a única esperança consistente da grossa decepção que este odioso e odiado governo
deixa nos eleitores, cidadãos e contribuintes.

1 comentário:

Pata Negra disse...

A Sócrates tudo corre a favor, ele é o paradigma do aproveitamento das crises, a crise mundial, a crise no PSD, a crise das ideologias e tantas outras crises que capitaliza. Ocorre-me que também Alegre joga em seu favor: no PS há pluralidade de opiniões, há discussão, há lugar para todos!
Poderá não haver condições para a criação de novas forças partidárias mas Alegre tem de optar pela orfandade do alegremente só. Caso contrário ainda veremos Alegre na campanha do partido de Sócrates nas próximas eleições e perguntar-se-á então: para que serve Alegre?
Um abraço pouco alegre