terça-feira, dezembro 23, 2008

ULRICH ARRASA GOVERNO


Há pormenores bastante ricos e esclarecedores
acerca dos problemas presentes com que se defronta a banca nacional
nesta entrevista de Fernando Ulrich ao Público. Nela, o banqueiro
chama a atenção para as lógicas amadoras e por isso mesmo infelizes
do discurso bluffiano governamental do 'obrigar' os bancos a financiar as PME,
enunciado ridículo, simplista e demagógico porque desfasado da realidade.
Nela, o banqueiro demonstra como é irresponsável a insistência arriscada
em obras públicas para as quais é muito remoto, para não dizer
inteiramente impossível, garantir financiamento.
lkj
Agradável e claríssima, na entrevista ficamos a compreender
cristalinamente melhor um conjunto de mecanismos recentes
aos quais a banca está vinculada e qual é a raiz das dificuldades
em operacionalizar financiamentos indiferenciados
de uma forma tão fácil e rápida como sucedia anteriormente.
Mas o mais revelador e chocante, no que à acção e ao papel do governo
dentro da CGD diz respeito,
é isto:
lkj
«Público: Como é que vê o facto de a CGD ter realizado em menos de um ano três aumentos de capital directos e um indirecto, no valor de dois mil milhões de euros, sem que o Governo tenha justificado a decisão, apenas dizendo que é para repor os rácios?
lkj
Fernando Ulrich: Tenho dito, por diversas vezes, que a relação da CGD com o seu accionista deve ser um exemplo de rigor e de transparência e não tem sido. Não se percebe que a CGD no espaço de um ano faça três aumentos de capital e uma operação de venda de activo que equivale, do ponto de vista económico, a um aumento de capital. A CGD não pode ser o saco azul do partido que está no Governo ou não pode deixar que se fique com essa ideia. A CGD serve para financiar a economia? Ou é para cobrir os prejuízos que tem no financiamento de acções cujo sentido não se entende? Ou é para cobrir prejuízos de posições accionistas em empresas de sentido duvidoso? Para que as dúvidas não assolem permanentemente os contribuintes, deveria haver uma estrutura de controlo da CGD, ou no quadro do Parlamento, como agora está na moda, ou por via de uma comissão superior. A par de muita coisa bem feita, a CGD tem um conjunto de operações de que se desconhece qual o interesse público que visam satisfazer.»

1 comentário:

Anónimo disse...

Ainda mais tenebroso do que parece. A ser tudo assim, consequências?







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