terça-feira, dezembro 30, 2008

ORGIÁSTICA IMPRENSA A MEDO



1. Depois de os números da Crise nos remeterem à Faixa de Gaza da pré-Depressão e da clara Recessão económicas, os tempos vão voláteis também em matéria de guerra. Naturalmente que há desgaste da parte das populações do Sul de Israel, onde os habitantes se queixam de não ter vida por causa dos rockets do Hamas. Sderot, a cidade mais afectada, perdeu metade da população nos últimos oito anos, a economia está estagnada, as crianças têm medo. Agora, os rockets do Hamas começam a chegar mais longe e a cidades maiores, como Ashdod e Ashkelon, onde já fizeram vítimas mortais. Mas parece-me que ainda que o Hamas lançasse uma nuvem diária de Al Qassam, os Israelitas teriam os meios tecnológicos para neutralizá-los um a um. Do ponto de vista táctico, é, porém, interessante ao poder político a manutenção de um grau de dano sofrível e minimamente tolerável para justificar passos de gigante na justificação futura da anexação, ocupação, integração de um território, onde há muito que nem sequer se sobrevive, dado o aviltamento e a indignidade das condições de vida, rigorosamente miseráveis do lado palestiniano em parte por culpa própria ou não fosse a cultura residente um sério limite a outros horizontes, excluíndo a pequena comunidade cristã palestiniana aliás perseguida e compressa. Por outras palavras, uma civilização limpa a casa, limpa o quintal e os fundos da casa, talvez Israel o faça afinal em seu nome. Em face do que a Europa berra. O Mundo assiste. E as tréguas definitivas e duradouras são uma miragem.
lkj
2. Não faltam más notícias: se de facto nos próximos dois anos, as obras públicas cujo valor não exceda os 5,15 milhões de euros podem ser atribuídas a uma empresa ou consórcio de empresas por ajuste directo, tal como aprovou hoje o Conselho de Ministros, então podemos continuar a esperar o pior do pior: primeiro porque nenhuma obra cumpre com o ajustado e o orçamentado inicialmente e em segundo lugar porque o sinal está dado aos amigos: não será preciso manejar grandes explicações: os cidadãos são cordeiros aos quais se servem exclusivamente factos consumados, negócios duvidosos consumados, avales mal explicados consumados. Igual procedimento pode ser adoptado para a compra ou locação de “bens móveis ou compra de serviços”, desde que os contratos celebrados não ultrapassem os 206 mil euros: este Conselho de Ministros está Louco e anda à solta!
lkj
3. Uma boa solução para Portugal de que muitos interesseiros e avençados da política não gostam é esta forma de organizar um governo: com uma vasta plataforma de entendimentos. Bem sei que a Bélgica são dois povos com um ódio mortífero recíproco, mas a belgicização de Portugal não está muito longe, menos o papão de não haver maiorias nem relativas nem absolutas. Por isso é com naturalidade que podemos ver o democrata-cristão flamengo Herman Van Rompuy como o próximo primeiro-ministro da Bélgica, na sequência do acordo a que chegaram os cinco partidos da maioria, abrindo à porta à sua nomeação pelo Rei da Bélgica, Alberto II, segundo noticiou a comunicação social local. Em Portugal, os partidos do arco do Poder não têm vergonha na cara e já superaram o tempo da reforma. O que em bom rigor faliu, faliu. Não vale a pena andarem com rodriguinhos.
lkj
4. Tendo apanhado nas orelhas de todos os sectores da sociedade e nem a comunidade judaica ou hindú se excluíu de censurar a mercearia eleitoralesca do PS parlamentar, tendo sido tais eventos de uma gravidade extrema que nem o pobre Santana, quando foi incidentalmente PM, é perfeitamente natural que o Governo se tenha recusado a comentar as críticas feitas pelo Presidente da República no acto de promulgação do Estatuto dos Açores. Bem pode o Governo alegar que se trata de uma matéria da esfera da Assembleia da República e não do executivo e tentar, uma vez mais, fazer de nós parvos e chutar para a frente: já todos sabemos que o PS Parlamentar é uma sombra e um espectro nas mãos plenipotenciárias e controleiras de Sócrates.
lkj
5. O exército israelita não rapta nem assassina jornalistas, a não ser em casos esporádicos com soldados fora de si e por isso só pode ser temerária a petição que a Foreign Press Association entregou no sábado ao Supremo Tribunal de Israel onde se lhe pede que emita uma ordem temporária que permita aos jornalistas estrangeiros entrar na Faixa de Gaza, “zona militar encerrada”. A proibição está em vigor há cerca de dois meses e foi levantada apenas ocasionalmente. Lá sabem aonde se querem meter e que moeda de troca desejam servir.
kjh
6. Num claro sinal errático e alienador de empregos e de sectores estratégicos do País, na senda aliás de todo um longo caminho desgraçante e degradante para os interesses de Portugal, o Conselho de Ministros aprovou hoje a última fase de reprivatização do capital da Siderurgia Nacional que é controlada pela Atlansider em 89,9 por cento e que agora irá comprar os restantes dez por cento do capital por 32 milhões de euros. Depois segue-se a treta elencada no comunicado do Governo que acrescenta que as relações mantidas com a actual gestão da Siderurgia Nacional - Longos deverão permitir "a continuidade do projecto empresarial desenvolvido desde o início do respectivo processo de reprivatização, em função do interesse para o sector e para a empresa no prosseguimento continuado dessa estratégia". Isto é, de repente a gestão Longos e a Atlansider, num de estes dias, resolvem vender a Siderurgia Nacional a uma siderúrgica qualquer espanhola e bem podem estes venais limpar as mãos à parede ou, o que é o mesmo, integrar os respectivos CEOs, que é a vida seguindo o seu livre curso promíscuo.
lkj
7. Um dos grandes milages da Socratura foi que, dentro da célebre Lei do Tabaco de que o PM está isento, um ano depois, o encaixe fiscal do Estado permanece sensivelmente o mesmo, mas já a tal lei anti-tabaco, supõe-se, fez reduzir o número de fumadores em cinco por cento, anunciou a hoje a Ministra da Saúde presuntivamente. Acrescenta-se que a nova lei também mudou os hábitos de cerca de 30 por cento dos fumadores em relação ao tabaco. Já sabemos que o Fisco também vai estrangulando a economia, que a Justiça vai estrangulada de atrasos e palhaçadas em simulacro, que o Ensino está um farrapo e os professores cada vez mais tapede dos pés do sistema. «Pelos frutos os conhecereis». Não faltam bons resultados de más paleolíticas políticas.
kjh
8. Por que se há-de exigir que se condene o que, por natureza, só pode ser condenável? Para que servem estas exigências formalísticas repletas de ocos formalismos? Israel, na verdade, nunca nos fez mal absolutamente nenhum e os seus cientistas têm-nos feito imenso bem, o mesmo não podemos dizer dos sanguinários paquistaneses que recentemente mataram israelitas, europeus e indianos sem olhar a quem, lá, na célebre Bombaim. Parece-me fátua e só para mostrar que existe e faz alguma coisa a iniciativa do Conselho Português para a Paz e Cooperação (CPPC) ao, reparem bem, exigir, verbo horroso!, hoje que Portugal e a União Europeia condenem os ataques de Israel a Gaza e pedir a implementação de políticas internacionais que ponham fim ao "desumano" bloqueio ao território. Há instituições que, de tão inexistentes e inócuas, esticam um pescoço menor que o calcanhar.
lkj
9. Mostrar serviço e parecer altruísta e eficaz, de tais ingredientes se fazem anúncios como o de a vacinação para prevenir o cancro do colo do útero ir custar cerca de 17 milhões de euros no próximo ano para abarcar as jovens nascidas em 1992 e 1996, sobretudo se nos não esquecermos a luta que foi por que efectivamente o Estado mantivesse a sua natureza, vocação e função primeira nesta matéria, assumindo o que lhe compete. Bastará, para tanto, consultar que lutas se travaram para travarem as pretensões de fazer recair sobre os cidadãos directamente os custos com esta vacina. Em 2008, o custo da vacina foi de dez milhões de euros, menos quatro do que o esperado, escusado será virem alardear de futuro que o Estado afinal aqui e ali até cumpre com os seus deveres.

3 comentários:

António de Almeida disse...

Não faltam más notícias: se de facto nos próximos dois anos, as obras públicas cujo valor não exceda os 5,15 milhões de euros podem ser atribuídas a uma empresa ou consórcio de empresas por ajuste directo, tal como aprovou hoje o Conselho de Ministros

-Porque não gosto de falar antes do tempo, por agora afirmo apenas que irei estar atento às concessões que serão atribuídas à Mota-Engil.

j. manuel cordeiro disse...

Contrariamente ao caro António Almeida, eu cá não me importo de arriscar o prognóstico: se não é ilegal, porque não há-de ser uma obra entregue aos amigos do partido em vez de a outros? E como não há pressão para escolher o preço mais baixo, o que impede simplesmente que seja a obra ou serviço pago pelo valor que se queira cobrar?

antonio ganhão disse...

O Hamas está a prestar um grande serviço a Israel. Ou agora, ou só daqui a dois mandatos presidenciais Norte Americanos.