sábado, dezembro 13, 2008

O CONTÁGIO GREGO


[Lennon, o grande agitador, auscultando a rua.]
lkj
É sintomático que vozes como a do Pedro Correia prudentemente alertem
para o perigo da desautorização democrática que quaisquer processos
de anarquia violenta perseguem, como o grego, aliás, a seduzir já
outras capitais europeias com focos isolados e inexpressivos semelhantes.
Basta auscultar a rua [lembro-me daquele funcionário de um escritório de advocacia]
para saber que ninguém acredita senão numa revolução sangrenta,
em face de desmandos e de esbulhos à vista de todos como se nada fossem.
lkj
Qualquer cidadão concordará com o Pedro. No entanto, o discurso é redutor:
a morte do jovem grego é, sim, só um pretexto para excessos
sem justificação, mas os agentes do caos têm outras motivações
que nos deveriam fazer reflectir: constituem eles hordas de licenciados
ou em vias de se licenciar pelas faculdades gregas, muitos deles imigrantes,
que já sabem e antecipam a via-sacra de desemprego e de dificuldades que os espera;
por outro lado, voltam-se para o poder político e, pelo exemplo de um ministro corrupto, compreendem que a corrupção, mensagem de negligencia ao bem comum, forma de caos,
violenta ofensa à democracia, só pode transversalizar a sociedade no seu conjunto.
Dito de outra maneira: o que é que Portugal e outros países europeus
estão a fazer para que em breve a rua não rebente ao jeito grego?
kjh
Os interesses instalados podem tremer e temer porque ninguém
vai pacificamente para a pobreza injusta, cercados de fisco abusivo e violentador,
da gula imoral dos bancos que oneram os cidadãos e os exploram sem dó,
de desemprego crescente e desespero omnipresente, de humilhações
gritantes sobre quem, trabalhando, empobrece constantemente.
Ninguém aceita isto sem fazer aquele 'muito barulho' que Medina Carreira prevê.
ljk
Por outras palavras ainda, a democracia formal representativa portuguesa,
por exemplo, ao colocar-se exclusivamente do lado dos fortes em tudo,
ao dar azo a grandes promiscuidades e contaminações de interesses corruptos,
tem por isso mesmo cometido também erros e crimes de lesa-democracia.
Depois, quando a extrema-direita ou a extrema esquerda transbordam
a sua violência e desencadeiam a sua destruição, é já tarde de mais.
A mentira e a traição da plutocracia travestida em democracia
terão carcomido e deixado em oco um País, uma Nação mal curada.

1 comentário:

Anónimo disse...

Caro amigo, concordo em tudo com o seu post.
Eu tenho visto imensos jovens como eu que juram que um dia hao de rebentar as costuras. Grande parte desses sao jovens com um canudo na mao e desempregados. Como doutorado e desempregado e sentindo que tenho um pais que nao quer saber de mim, muitas vezes tb sinto o mesmo...