terça-feira, dezembro 30, 2008

URSOS, LEÕES E OUTRAS AVES



1. Se a confiança dos consumidores norte-americanos não pára de cair é necessário parar de chamar-lhe índice de confiança e passar a chamar-lhe índice de Desconfiança articulado a um verbo mais positivo, 'subir' - a «o índice de desconfiança subiu» soa melhor. Agora imaginem a diferença que seria justamente no momento em que se noticia que a confiança dos consumidores norte-americanos caiu em Dezembro para o valor mais baixo de sempre devido ao agravamento das condições económicas no quarto trimestre e face às previsões de enfraquecimento do consumo em 2009. O índice hoje divulgado pela Conference Board, empresa privada que mede a confiança dos consumidores desde 1967, caiu em Dezembro para os 38 pontos, contra os 44,8 pontos registados em Novembro, devido a factores relacionados com a insegurança no mercado laboral e a instabilidade do mercado imobiliário.
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2. Desde logo é péssimo sinal que o Benfica estrebuche e vá recorrer do castigo de dois jogos imposto a Nuno Gomes para o Conselho de Justiça (CJ) da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) porque não se faz prova que o árbitro Pedro Henriques prestou declarações falsas no relatório sem o auxílio de uma Máquina do Tempo, coisa ainda indisponível.
lkj
3. Acho péssimo sinal que uma mera hipérbole circunstancial e pacífica tenha sido transformada num delito e, perante coisas real e efectivamente graves, a Justiça Portuguesa vá perder tempo com o julgamento do presidente da Câmara Municipal de Viseu, Fernando Ruas, pelo putativo e suposto crime de incitação à violência foi marcado para Maio do próximo ano, segundo anunciou hoje o próprio. Lesto como não é em matérias realmente sérias e pertinentes e não de entreter, além de inoportuno e ridículo, em 2007, o Ministério Público de Viseu emitiu um despacho de acusação contra Fernando Ruas, que é também líder da Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP), por declarações proferidas na Assembleia Municipal de 26 de Junho de 2006, onde afirmou que a população devia "correr à pedrada" os fiscais do Ministério do Ambiente. Sinais dos tempos. O que tem real periculosidade e gravidade não é atendido, tido nem achado. Lamentável caluniar nada mais que uma singela hipérbole, aliás banal.
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4. Um dos maiores e mais monstruosos sinais da perversão devorista portuguesa é que a carga fiscal dos portugueses tenha aumentado em 2007 pelo terceiro ano consecutivo, encontrando-se em máximos de pelo menos 13 anos, de acordo com os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) hoje divulgados. É como se houvesse um secreto escoadouro por onde o sangue vital dos recursos do Estado se perdesse em irremediável hemorragia. Irremediável, não. Bastaria parar de hostilizar com desmesura o Povo e os grupos profissionais basilares e garantes identitários e passar a hostilizar justamente admnistradores e chefias intermédias do Estado, que escolhem todas as mordomias, quanto querem receber escandalosamente e sem que qualquer transparência e vigilância se exerça sobre esse processo convenientemente subterrâneo, sem que nada seja escrutinado e moralizado ou chegue em boa hora ao nosso conhecimento. É terrível que muitos tenhamos sido esmagados até à mais rosnante miséria precisamente por um Fisco Descomunal, que não pune e moraliza quem deve, mas somente e sobretudo quem jaz já nas faldas da miséria, acumulando desemprego, falência familiar e um fosso pessoal, e nada se faça por que a justiça impere neste domínio. Os dados do Anuário Estatístico de 2007 mostram que no ano passado a carga fiscal (valor dos impostos e contribuições sociais sobre a riqueza produzida) estava nos 37,5 por cento, mais 0,7 pontos percentuais do que em 2006, ora, dado o estado endémico de endividamento do País, nós sabemos que é e será em vão que esta carga prosseguirá de agravamento em agravamento: penalizará as famílias e as pessoas e não chegará para conter o abismo da despesa.

2 comentários:

Pata Negra disse...

Não se preocupem com 2009. Estou a tratar de tudo!
Um abraço absoluto

antonio ganhão disse...

Novidades, meu caro, dá-me novidades!