SINAIS DE IMBECILIDADE

O crime deve compensar e a estratégia de imbecilização de alguma opinião pública,
praticada diligentemente pelo ME, já rendeu um fruto: não a suspensão
do tal modelo absolutamente estupidificante,
mas o decretar da suspensão das greves regionais, pela Plataforma,
cheirando tudo isto a um breve armistício para férias, pacificando provisoriamente
o ambiente apenas para obviar às avaliações de final de período
num clima o menos inquinado possível, se tal é praticável.
lkj
A Opinião Pública está dividida: onde alguns vêem firmeza e determinação na ME
outros já compreenderam e, sendo contagiados pelo asco
que um tal perfil traz à vida política nacional, também compreendem
muitas das questões profundas, espirituais, de princípio,
que estão em causa: desde a falsificação do mérito
com que o ME comprime os docentes até ao seu desgaste moral.
Lembro-me de um tal memorando traiçoeiro que apressadamente
alguém assinou e não representava uma totalidade de consciências e de vontades.
lkj
Há quem simplisticamente deteste a liderança rebocada de Mário Nogueira,
mas é preciso relembrar isto: neste momento os Sindicatos arriscam-se
a representar os professores, mas são os professores
e é a sua vontade que delega ou não delega em Mário Nogueira
qualquer representação massiva verdadeira. A fúria legisladora e deslegisladora
à velocidade estonteante da luz que caracteriza o ME tem transformado
reflexão e teste em factos consumados
a consumir e a calar por gente que sente e que pensa.
+%E2%80%94+Pieter+Bruegel+(1564-1638)+%E2%80%94+Kunsthistorisches+Museum,+Viena.jpg)
Comments
Desconfio é do senhor Mário.
Um abraço sem preconceitos
Com os olhos esbugalhados pelo seu próprio desespero, Mário Nogueira veio aos gulosos tele-jornais dar conta de um baixar da guarda por parte do MEducação.
Veio contar que tinha desmarcado as greves regionais visto que o ME teria entregue os pontos e aceitado colocar sobre a mesa de negociações tudo e mais alguma cloisa.
Mário Nogueira foi longe demais e declarou expressamente que o Ministério teria mesmo aceite discutir com a Plataforma, o Estatuto da Carreira Docente a par de, pelos vistos, poder até suspender a Avaliação dos professores.
Nada mais falso!
Estou em condições de avançar que o ME acaba de fazer sair um comunicado esclarecedor.
COMUNICADO DO MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO
21:00h, 5 de Dezembro de 2008
1 – Chegou hoje ao fim o processo de negociação das medidas tomadas pelo Governo no dia 20 de Novembro para facilitar a avaliação do desempenho dos professores.
2 – Os sindicatos, neste processo, não apresentaram qualquer alternativa ou pedido de negociação suplementar, pelo que o ME dá por concluídas as negociações, prosseguindo a aprovação dos respectivos instrumentos legais.
3 – O ME, mantendo a abertura de sempre, respondeu positivamente à vontade dos sindicatos, expressa publicamente, de realização de uma reunião sem pré-condições, isto é, sem exigência de suspensão da avaliação até aqui colocada pelos sindicatos. Foi por isso agendada uma reunião para o dia 15 de Dezembro, com agenda aberta.
4 – Os sindicatos foram informados que o ME não suspenderá a avaliação de desempenho que prossegue em todas as escolas nos termos em que tem vindo a ser desenvolvida.
A falta de vergonha e o oportunismo não têm limites!
Mas em que mãos se foram meter estes professores...
"A única coisa que pedimos é que os sindicatos auscultem e interpretem adequadamente o sentir dos professores", justificou o coordenador do Movimento para a Mobilização e Unidade dos Professores (MMUP), Ilídio Trindade, no final do encontro que reuniu em Leiria cerca de 150 professores representantes de uma centena de escolas de todo o país.
Na ocasião, Ilídio Trindade lembrou que "os sindicatos existem porque existem professores", reiterando: "É indispensável que os sindicatos representem o verdadeiro sentir dos professores".
"A única coisa que pedimos é que os sindicatos auscultem e interpretem adequadamente o sentir dos professores", justificou o coordenador do Movimento para a Mobilização e Unidade dos Professores (MMUP), Ilídio Trindade, no final do encontro que reuniu em Leiria cerca de 150 professores representantes de uma centena de escolas de todo o país.
Na ocasião, Ilídio Trindade lembrou que "os sindicatos existem porque existem professores", reiterando: "É indispensável que os sindicatos representem o verdadeiro sentir dos professores".
Pela minha parte considero que seria loucura neste momento escamotear o trabalho de mobilização dos sindicatos e entrar em rota de colisão com eles. Mas a verdade é que desde o entendimento com o ME (e quem conhece o modo de actuação dos sindicatos, nomeadamente a Fenprof) os professores estão sempre suspensos do mesmo anti-clímax que se deu após a assimatura do famigerado memorando. E actualmente há medo, muito medo nas escolas. Um medo que urge desdramatizar, fruto das pressões e chantagens que todos os dias os professores e os Conselhos Executivos sofrem, e também da actuação de uns quantos, poucos a que saiu a sorte grande e se sentem entronizados.
A luta dos professores ultrapassa hoje em dia largamente o enquadramento sindical e urge iniciar um movimento de reforma dos próprios sindicatos, exigir a extinção da maioria deles e rejuvenescê-los. Para isso é preciso fazer um debate político sério, democrático e desincrustrar os dinossaurios do aparelho sindical, dando lugar aos novos.Há que também desmascarar dentro das escolas os 'adesivos' que dizem que estão contra o modelo mas que andam num afã frenético para o tentar implementar. São os seguidistas do costumo sempre dispostos a tirar vantagem de situações pantanosas como esta.