SINAIS DE IMBECILIDADE


O crime deve compensar e a estratégia de imbecilização de alguma opinião pública,
praticada diligentemente pelo ME, já rendeu um fruto: não a suspensão
do tal modelo absolutamente estupidificante,
mas o decretar da suspensão das greves regionais, pela Plataforma,
cheirando tudo isto a um breve armistício para férias, pacificando provisoriamente
o ambiente apenas para obviar às avaliações de final de período
num clima o menos inquinado possível, se tal é praticável.
lkj
A Opinião Pública está dividida: onde alguns vêem firmeza e determinação na ME
outros já compreenderam e, sendo contagiados pelo asco
que um tal perfil traz à vida política nacional, também compreendem
muitas das questões profundas, espirituais, de princípio,
que estão em causa: desde a falsificação do mérito
com que o ME comprime os docentes até ao seu desgaste moral.
Lembro-me de um tal memorando traiçoeiro que apressadamente
alguém assinou e não representava uma totalidade de consciências e de vontades.
lkj
Há quem simplisticamente deteste a liderança rebocada de Mário Nogueira,
mas é preciso relembrar isto: neste momento os Sindicatos arriscam-se
a representar os professores, mas são os professores
e é a sua vontade que delega ou não delega em Mário Nogueira
qualquer representação massiva verdadeira. A fúria legisladora e deslegisladora
à velocidade estonteante da luz que caracteriza o ME tem transformado
reflexão e teste em factos consumados
a consumir e a calar por gente que sente e que pensa.

Comments

Tiago R Cardoso said…
O que se pede é a suspensão do modelo, negociações sérias de forma à criação de um aceite por todas as parte.

Desconfio é do senhor Mário.
Pata Negra said…
Mário Nogueira, goste-se ou não, não é homem de vender a alma ao diabo. Muitos começam agora a reconhecer que o não acordo, a que estrategicamente se chamou entendimento, afinal foi um passo de marcha para ganhar novo fôlego. É certo que o pelotão teve vontade de correr antes da ordem mas não se houve debandada. Qualquer luta, qualquer batalha, não se realiza avançando cegamente em frente - corre-se o risco de encontrar o abismo - nem se vence às ordens de cada soldado. Há que retemperar forças, respeitar o Natal e começar um novo ano. Política com política se combate.
Um abraço sem preconceitos
MFerrer said…
ÚLTIMA HORA

Com os olhos esbugalhados pelo seu próprio desespero, Mário Nogueira veio aos gulosos tele-jornais dar conta de um baixar da guarda por parte do MEducação.

Veio contar que tinha desmarcado as greves regionais visto que o ME teria entregue os pontos e aceitado colocar sobre a mesa de negociações tudo e mais alguma cloisa.

Mário Nogueira foi longe demais e declarou expressamente que o Ministério teria mesmo aceite discutir com a Plataforma, o Estatuto da Carreira Docente a par de, pelos vistos, poder até suspender a Avaliação dos professores.

Nada mais falso!

Estou em condições de avançar que o ME acaba de fazer sair um comunicado esclarecedor.


COMUNICADO DO MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO
21:00h, 5 de Dezembro de 2008

1 – Chegou hoje ao fim o processo de negociação das medidas tomadas pelo Governo no dia 20 de Novembro para facilitar a avaliação do desempenho dos professores.
2 – Os sindicatos, neste processo, não apresentaram qualquer alternativa ou pedido de negociação suplementar, pelo que o ME dá por concluídas as negociações, prosseguindo a aprovação dos respectivos instrumentos legais.
3 – O ME, mantendo a abertura de sempre, respondeu positivamente à vontade dos sindicatos, expressa publicamente, de realização de uma reunião sem pré-condições, isto é, sem exigência de suspensão da avaliação até aqui colocada pelos sindicatos. Foi por isso agendada uma reunião para o dia 15 de Dezembro, com agenda aberta.
4 – Os sindicatos foram informados que o ME não suspenderá a avaliação de desempenho que prossegue em todas as escolas nos termos em que tem vindo a ser desenvolvida.

A falta de vergonha e o oportunismo não têm limites!
Mas em que mãos se foram meter estes professores...
psergio57 said…
Os professores reunidos no Encontro Nacional das Escolas em Luta aprovaram hoje (6/12/08), por maioria, uma proposta na qual exigem que qualquer acordo entre o Ministério da Educação e a Plataforma Sindical dos Professores seja objecto de um referendo.

"A única coisa que pedimos é que os sindicatos auscultem e interpretem adequadamente o sentir dos professores", justificou o coordenador do Movimento para a Mobilização e Unidade dos Professores (MMUP), Ilídio Trindade, no final do encontro que reuniu em Leiria cerca de 150 professores representantes de uma centena de escolas de todo o país.

Na ocasião, Ilídio Trindade lembrou que "os sindicatos existem porque existem professores", reiterando: "É indispensável que os sindicatos representem o verdadeiro sentir dos professores".

"A única coisa que pedimos é que os sindicatos auscultem e interpretem adequadamente o sentir dos professores", justificou o coordenador do Movimento para a Mobilização e Unidade dos Professores (MMUP), Ilídio Trindade, no final do encontro que reuniu em Leiria cerca de 150 professores representantes de uma centena de escolas de todo o país.

Na ocasião, Ilídio Trindade lembrou que "os sindicatos existem porque existem professores", reiterando: "É indispensável que os sindicatos representem o verdadeiro sentir dos professores".

Pela minha parte considero que seria loucura neste momento escamotear o trabalho de mobilização dos sindicatos e entrar em rota de colisão com eles. Mas a verdade é que desde o entendimento com o ME (e quem conhece o modo de actuação dos sindicatos, nomeadamente a Fenprof) os professores estão sempre suspensos do mesmo anti-clímax que se deu após a assimatura do famigerado memorando. E actualmente há medo, muito medo nas escolas. Um medo que urge desdramatizar, fruto das pressões e chantagens que todos os dias os professores e os Conselhos Executivos sofrem, e também da actuação de uns quantos, poucos a que saiu a sorte grande e se sentem entronizados.

A luta dos professores ultrapassa hoje em dia largamente o enquadramento sindical e urge iniciar um movimento de reforma dos próprios sindicatos, exigir a extinção da maioria deles e rejuvenescê-los. Para isso é preciso fazer um debate político sério, democrático e desincrustrar os dinossaurios do aparelho sindical, dando lugar aos novos.Há que também desmascarar dentro das escolas os 'adesivos' que dizem que estão contra o modelo mas que andam num afã frenético para o tentar implementar. São os seguidistas do costumo sempre dispostos a tirar vantagem de situações pantanosas como esta.

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