GARNIZÉ SEXUAL

Nunca poderei esquecer, no Pub onde trabalhei,
o ar de frango-garnizé de um jovem que lá se pendurava
por ser parente do patrãozolas sonso, seu tio. Namorava uma bargirl brasileira.
Passava as noites num canto, com os olhos espetados num computador
onde jogava e usuarizava um MSN sempre lacónico e raciocinando a vapor.
lkj
E esticava o pescoço sempre que algum cliente lha galanteava.
Era vê-lo de mãos nos bolsos, pimpão, magro, de pescoço esticado,
nariz levantado, circulando em ameaços pelo Pub,
pronto para a luta que nunca aconteceu. Aqueles dentinhos frontais espaçados
e o rosto chupado faziam-no um garnizé ainda mais peculiar quando autoritário.
lkj
Ela, a moça, moderadamente atraente e mais europeia de feitio frio e calculista,
tolerava-o apenas. Namoriscava por aí A e B sem que o garnizé sonhasse.
O tio dizia que o garnizé era possessivo porque 'sexualmente impetuoso'.
Pois. Ok. A moça, de férias no seu Brasil, foi retomar o antigo namorado
e voltando rompeu com aquilo. E o desenxergado a desfalecer de saudade
e convicção, a partilhar comigo o futuro daquele casamento!
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