SONDAGENS NA RUA



Nunca pensei nestes termos, mas é bem visto o que saltou numa conversa na rua,
daquelas que contam e resumem tudo o que há de mais autêntico.
Isto por causa das últimas sondagens divulgadas pela empresa Eurosondagem*
e que, em muitas matérias fracturantes, apareciam estranhamente correctas de mais
e estranhamente depuradas de contraditório, de renhido,
demasiado convenientes em todos os patamares
aos interesses do Governo e ao seu sucesso,
ambos demasiado contestados e expostos nos seus excessos e erros,
para alguma vez o seu aplauso geral ser verdade.
lkj
Foi o Alberto Pereira quem me chamou a atenção para isto:
«Sabes, Joshua, temos de ver que a rua não gosta de este governo.
Eu converso com gente e a gente de esses recantos da cidade
já percebeu o mentiroso ditador vaidoso que lhe calhou e que lamenta.
Depois é só raciocinar: não tem ele genericamente a imprensa na não?
Não tem ele as TV's na mão, excepto talvez a TVI, cujas reportagens são muitas vezes
surpreendentemente superembaraçosas para o Governo?
Não tem ele até o PR na mão, limitado, fragilizado e cercado pela questão do BPN?
[Diz-me com quem andas e dir-te-ei quem és: um fraco transigente com facínoras].
Não é ele, todo o Governo, um esquema de pressões, de telefonemas,
de lógicas de força, de assédio à divergência, de processos sornas? Por que motivo
mais uma empresa nacional de sondagens, talvez endividada, talvez aflita,
talvez desesperada por dinheiro e sobrevivência, não haveria de fazer, por uma vez,
um frete em final de ano, quando a rua ameaça transbordar, encalhar políticas,
defenestrar ministros odiosos em toda a linha?
lkj
As sondagens são um instrumento ao serviço de políticas,
mesmo que as políticas sejam uma bosta e com resultados de bosta,
como sabemos ser todos os do Governo e em toda a linha.»
lkj
Num tempo em que governar é um estúpido ignorar olímpica e desprezivamente
o clamor das pessoas comuns e não acolher o pensamento
dos demais múltiplos parceiros da sociedade civil para, no fim,
se obter uma decisão mais completa e inteligente
[A Ota era um erro teimoso, lembram-se?], é bom ouvir a rua
e eu gostei particularmente de sentir no Alberto Pereira,
que está reformado e é um grande leitor de jornais e conversador,
aquela palavra sábia que mete num bolso muitos blogues assanhados,
espumando de derrota e do lado torcionário e errado de todas as questões,
como, por exemplo, o Homem ao Mar, um blogue menor e minoritário,
morto nos seus postulados sôfregos, mas que até ao momento
disso não se deu conta.
lkj
«Teoria da Conspiração: Não é por acaso que sobem o partido do poder e os dois partidos que se mostram dispostos a coligarem-se com o partido do poder em caso de necessidade. Descem os partidos que não entram nesse cenário. Curiosidades apenas ... coincidências. E o dono da Eurosondagem ser Rui Oliveira e Costa, outra. A Eurosondagem ter a exclusividade dos questionários de opinião para o Expresso, outra. O Expresso ser uma p*** velha, sabida e com a **** muito funda, outra.»
ljk

Comments

Joaquim Alves said…
Curiosamente também coloco em causa estas sondagens, no texto que hoje assino no Notas.

Embora, como lá digo, não escreva sobre politica....

Abraço, Joshua
"blogues assanhados,espumando de derrota e do lado torcionário e errado de todas as questões, como, por exemplo, o Homem ao Mar, um blogue menor e minoritário"

Também não havia necessidade!
antonio ganhão said…
Vais a ver e usaram o Magalhães para apurar os resultados...
Anonymous said…
Joshua, por vezes, penso que vás um pouco longe de mais nas tuas diatribes ... o exemplo de incapacidade democrática que deste neste texto fica-te mal, não é digno dos créditos que tens!

Logo tu que vituperas o engajamento das agências e das conspirações vindas de S. Bento, tu que proclamas alto que ainfa falta completar Abril, entendes tu que o do HOMEM AO MAR (que por mero acaso nunca li, mas agora vou ler só para ver) não tem direito à opinião dele? E a deixá-la circular?
joshua said…
Tarantino, era só uma alfinetada. O contraditório por cá urdido pode ser devastador, é verdade, mas nunca passará por negar a voz ao oponente apesar das hipérboles com que eu mimoseie os seus postulados tendenciosos, feitinhos com o poder socratinesco.
Anonymous said…
Raio de homem ... também já aprendeste a táctica das alfinetadas? :)
joshua said…
Acho que nos temos sido mestres recíprocos.
Anonymous said…
Nota: este texto foi escrito em 4 de Dezembro e destinava-se a outro fim.

Todos os governos em Portugal, depois do 25 Novembro de 75 foram, são de direita, de um modo muito claro e preciso, no sentido de que todos estão para servir os interesses do grande capital financeiro e dos empresários. Todos os governos até hoje tudo fizeram para diminuir os direitos dos trabalhadores e das classes medias, e quanto maior for a maioria ,pior será o dano dos portugueses em geral. Maioria absoluta significa dano, prejuízo absoluto para 70 a 80% dos portugueses.

Nestes termos porque não há qualquer hipótese de em eleições haver uma solução de governo à esquerda, é importante trabalhar par a retirar a maioria absoluta a qualquer governo do PS ou do PSD, porque ambos são partidos neo-liberais, ao serviço do capitalismo financeiro e das grandes fortunas, e, bem assim, das grandes aldrabices, como sejam a do BPN, do BCP e do BPP.

Neste contexto o Sr. Eng. Sócrates tem uma estratégia muito fácil e inteligente para manter a maioria, na minha opinião com duas linhas fundamentais, a saber:

1- jogar na total pulverização do PSD, seu partido irmão, o que pode conseguir com a fraca liderança de Ferreira Leite,

2- procurar manter Manuel Alegre no PS, com algumas promessas vãs, como seja apoiá-lo nas próximas eleições Presidenciais que serão ganhas novamente por Cavaco da Silva, personagem que corresponde muito mais ao ícone de um PR do que Manuel Alegre. Podem também alguns daqueles que se identificam com o seu pensamento serem colocados no governo ou noutros locais, mas depois de lá estarem cumprirão exclusivamente as directivas do Primeiro ministro, passando Manuel Alegre a um D. Quixote da actual doente democracia.

3- Dar chorudos dividendos aos magnatas da banca e da indústria e algumas migalhas ao povo e prometer em ano de eleições coisas míseras, mas que só serão feitas se o Sr. Sócrates for eleito, como os tais aumentos de 6% no suplemento das condição militar lá para o ano 2010, mas depois nos cinco anos seguintes todos os trabalhadores, as classes médias e os pobres serão esmifrados até ao tutano para que os ricos fiquem mais ricos e os pobres mais pobres.

Um governo de maioria do actual PS ou PSD, será sempre de defesa dos interesses dos banqueiros, dos ricos e dos poderosos, pelo que seria muito importante que Manuel Alegre definisse a sua posição e, na minha opinião, o melhor contributo que pode dar é ser realista, realismo que, desde logo, deve levar a considerar que o próximo PR será Cavaco da Silva se concorrer contra si, pelo que o apoio do partido socialista à sua candidatura não resultará no efeito desejado.

Livre desta fixação, então, poderá compreender que pode ser da sua responsabilidade reconstruir o vendeiro partido socialista, porque o do Sr. Eng Sócrates é neo-liberal, e está interessado no poder pelo poder, e para servir a gula e a ganância dos grandes capitalistas, fazendo de Portugal, o país mais desigual da Europa.

Se Manuel Alegre continuar a deixar-se enredar na rede de sedução e encantamento do Bloco de Esquerda estará a praticar o seu haraquiri político, e só poderá estar a prestar um serviço ao Bloco de esquerda capitalizando votos para aquela formação, sem pôr em causa a maioria do PS do Eng. Sócrates.

Um número razoável de analistas consideram que Manuel Alegre por causa do apoio à sua candidatura à Presidência da República por parte do PS e ainda pelas razões afectivas que o ligam ao partido, não sai do PS, e esquece, como esqueceu o milhão de votos da eleição presidencial, e , entretanto, vai credibilizando a politica do Bloco de esquerda, e, assim. sustém a votação do PCP, isto é, se o seu comportamento for este reforça a maioria do PS e quebra à esquerda a força do partido mais combativo e coerente que é o PCP, isto, é um facto histórico

Nesta conjuntura alguma mudança na política depende de Manuel Alegre ( é um facto) se resolver criar uma alternativa fora do PS, mas não dentro do bloco de esquerda. Dentro do PS ou do bloco de esquerda, Manuel Alegre não passará de um nado morto em termos da mudança que os tempos requerem.

Seja como for o tempo urge, e se Manuel Alegre quiser desempenhar um papel de estadista do POVO, da Democracia e da social-democracia humanista será agora, se não o fizer não deverá alimentar mais falsas esperanças.

É um imperativo MORAL que Manuel Alegre com coragem diga por onde e para onde vai, e deverá fazê-lo já em Janeiro do ano bom de 2009, depois será demasiadamente tarde. Que a determinação e a coragem de Obama e de Salgueiro Maia o inspire.

Andrade da silva 4 Dezembro 2008-12-04

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