terça-feira, agosto 17, 2010

SEF E A LÓGICA DOS CORTES

A desproporção entre o número de funcionários do SEF e os seguranças de um artista angolano ditou, no Aeroporto, um desfecho que ridiculariza Portugal e faz antecipar o pior para o futuro. Ainda que o caso prime pelo insólito e, de tão exótico, prometa ser raro, a caixinha dos ventos foi destapada. Força e autoridade deverão estar sempre do lado certo da lei, rapidamente e em força, e não o oposto, para todas as eventualidades. Ora, o efeito perverso dos cortes em pessoal, presume-se esse ali o cerne da questão, é a perda de vantagem no terreno e o enfraquecimento da dissuasão. Por isso, a porta para o ridículo ficou escancarada. A coisa conta-se assim: o inspector do Serviço de Estrangeiros e Fronteira (SEF) que estava no Aeroporto de Lisboa nem queria acreditar quando o artista angolano Yuri da Cunha e a comitiva de meia dúzia de cidadãos daquele país tentaram entrar pela fila prioritária, habitualmente destinada a tripulações e outros funcionários ou pessoas com dificuldades motoras. Barrados à saída, dos argumentos aos insultos foram dois minutos, ao ponto de o inspector do SEF se preparar para algemar o artista angolano: cerca de seis homens que o acompanhavam fizeram frente ao funcionário e, não só evitaram a detenção, como ainda passaram na zona prioritária. Pouco passava das cinco da manhã quando o voo de Luanda chegou, mas estavam menos funcionários do SEF que a suposta comitiva de Yuri da Cunha. Mau, muito mau. Seis anos, mil pecados: professores atacados pelo preconceito apoucador do seu orgulho profissional. Polícias capados economicamente no seu sacrificado brio. Agentes do SEF em menor número que o necessário. Ora, quando as coisas correm mal e vão tão mal, a culpa não é certamente dos posts de este blogger. Ou será que, sempre que o blogger escreva e descreva, a decisão política logo fica turvada e o descontrolo toma posse dos decisores? Não é por falta de Fisco que o Estado está teso. É por excesso de mentira e irrealismo visionário "socialista". No seu desnorte, a auto-desculpabilização "socialista" esforça-se por remontar responsabilidades ao cu de Judas temporal lá, quando o Cavaco da segunda maioria absoluta já começava a descomandar isto. Será que não vêem que é remontar de mais?!

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