UM CADÁVER INQUIETO
Até ao estranho crime que vitimou a amante, Lúcio Tomé Feteira era um cadáver absolutamente tranquilo. Pois agora, tendo sido podre de rico, é também podre de mediático, como se lhe não fosse suficiente ser podre de podre, como qualquer cadáver. Tendo em conta a frigidez social e comunitária de tanto português igualmente rico, mas vivo, atente-se no que, nesse ponto, sobre ele escreve Manuel Queiroz, no editorial do i. Um homem reconhecido ao berço só pode ser excepcional embora azarado após o óbito. Azarado ele e Vieira de Leiria, diga-se: «Tinha ainda outra característica marcada, que era a preocupação com a sua terra, à qual deixou uma parte da fortuna que amealhou. Embora, ao que se sabe, ainda hoje esse dinheiro não tenha chegado aos destinatários por causa do imbróglio da herança maldita. Houve muitos que aproveitaram as oportunidades que se abriram para a industrialização do país antes e depois da Segunda Guerra, mas nem todos chegaram ao poder que deteve Lúcio Feteira, como é evidente. Era um tempo em que os industriais mandavam, ao contrário de hoje, em que em todas as empresas mandam os financeiros porque é preciso apresentar resultados de três em três meses. É a financeirização da economia que também ajudou esta crise que hoje vivemos...»
+%E2%80%94+Pieter+Bruegel+(1564-1638)+%E2%80%94+Kunsthistorisches+Museum,+Viena.jpg)
Comments