terça-feira, abril 18, 2006

PUBLICIDADE SANTA CASA: ENTRE OUTRAS MENTIRAS















Gostava de apurar se o que o caríssimo desabafante diz,
que a Santa Casa é de Lisboa e que, portanto,
somente beneficia Lisboa, é mesmo verdade,
mas hoje em dia a verdade é que tudo,
mas mesmo tudo, é composto de mentira,
como o álcool na cerveja, na graduação mais diversa.
lkj
Acredito, por experiência, que a Santa Casa (de Lisboa)

deve mentir em matéria de publicidade na mesma proporção com que alicia e manipula enganosamente o Zé para que jogue... com alegria e confiança.
O Zé sorri, mostra os dentes podres, enterra as mãos nos bolsos vazios e,
fazendo-as convergir para o centro das calças, diz: «Joga aqui!»
jkh
Acredito que toda a publicidade santacasiana acende no Zé

uma fé triste, uma esperança mentirosa,
de poder ganhar alguma coisa de jeito nos seus jogos,
mas o certo é que a megamerdamáquina, o computador santacasiano,
sabe desviar-se matematicamente das apostas do Zé,
sejam elas quais forem, mercê do seu apuradíssimo método matemático
de neutralização-dos-registadores-de-muitos boletins,
neutralização que passa por bizarras chaves sorteadas do tipo 18, 19, 28, 29,
duplicações horizontais e verticais, quando a coisa não lhe cheira.
kh
Por outro lado, convenhamos que isto de os lucros santacasianos

recairem somente na grande Lisboa se justifica:
Lisboa é como uma mulher decadente, cheia de vícios, cheia de riscos:
as instituições e as pessoas mais fragilizadas precisam do dinheiro santacasiano
em Lisboa e é para lá que devemos ir, pois pode acontecer que,
depois de acreditar nas promessas de sorte santacasiana,
e chegados à miséria decorrente de tal fé,
nos aconteça finalmente poder mamar na teta generosa santacasiana.
lkj
Acredite que, do ponto de vista dos jogos,

não há misericórdia nenhuma: quando jogamos,
sai-nos sempre o dinheiro da carteira e parece que vai alegrar crianças e velhos
pois nos dizem "que é uma boa aposta"
e que "não nos deve pesar os rios de dinheiro que gastamos
na esperança defraudada de alguma sorte", mensagem subliminar.
çlk
Ora, desde que me conheço, não há coisa mais cruel, coisa pior,

mais filhadaputamente desagradável, que se dizer isto,
por isso, ao passar de carro pelos outdoors esverdeados
e com números gordos, levanto sempre o dedo medio,
que fica por segundos o mais erecto possível,
em sinal de desrespeito completo.
lkj
Esses rios de dinheiro decorrentes do jogo ajudam os lisboetas carenciados

e podem vir a ajudar ainda mais, quando O NOVO GRANDE TERRAMOTO vier lavar
a falta de seriedade da podre capital sob todos os pontos de vista,
incluindo o político, não esquecendo o crime da boa camisa e gravata,
dos bons sapatos, dos grandes armanis, ou a pobre noite lisboeta,
que é tóxica, encandeante e fodilhona,
além de bêbada e ainda assim cheia de automóveis velozes e rapaces.
lkj
Se a sorte existisse e não fosse, como é, um bem sujeito tal como qualquer outro,

a um apertado e matemático sistema de controlo de qualidade,
eu já seria milionário há muito tempo ou até bilionário.
Acontece que a sorte não existe porque é gerida e administrada sabiamente
nos misteriosos meandros do magnetismo das bolas,
é, no fundo, um capricho ocasional após alguns jackfilhosdapot.
lkj
Resta-nos o trabalho honrado, a paciente famíla, e o mérito intelectual.
A contra-publicidade ideal seria: «Não sejam patos, pela vossa saúde!»