sexta-feira, junho 29, 2007

OBVIOUS SPES


Qual medo, qual merda?!
Quanta poesia terá de verter-se em fio de mel
até que esplenda em todos a mais dulcifundamentada esperança?!
lkj
Uma esperança que há-de engolir, destruindo-a,
a vida miserável das crianças recolectoras de lixo
nos arrebaldes de Manila!
Uma esperança que há-de espancar, pacífica, os ventres inflados da fome
entre as crianças africanas lá, onde a abundância da inanidade
rivaliza com a fecundidade mortal das minas anti-pessoais,
dos lança-rockets e demais parafrenália bélica!
çljk
Uma esperança tão Outra-Coisa
que há-de ridicularizar as paneleirices sociais mortas da esquerda
e o frigorífico dos valores arcaicos da direita!
Uma esperança que há-de cilindrar num grande nulo a minha retórica
que aspira a Cícero e a Árquias, a Camões e a Pessoa,
e há-de de igual modo cilindrar a tua que aspira ao confronto com a minha!
Uma esperança que há-de celestificar as mentes e os corpos,
reduzir a nada-nihil a íntima mesquinhez dos mega-investidores,
novos deuses mediáticos, os el-rei Berardo, os donos de Portugal,
dos que poupam todos os cêntimos-razão-de-viver,
causa de vida única!
çlk
Uma esperança inengendrável por gente,
uma esperança que nada nunca pôde sufocar;
que nada pôde distorcer,
que nada pôde destruir!
Uma esperança que é o Menino que fica,
quando a água do banho vai!
Uma esperança!
Uma esperança!
Uma esperança!

terça-feira, junho 26, 2007

TORGA, LUSO TEIXO


Quando escrevias,
era uma seiva a irrigar-te,
primeiro o dúbio e delgado caule saído de S. Martinho,
depois o Teixo frondoso no luso solo fincado em que te tornaste.
Ainda hoje os teus poemas ondulam à brisa lá,
nas alturas, e o sol rebrilha ainda,
em oscilações aquomarinhas,
em cada folha verde do teu verbo vivo.
çklj
Coisa que se engendra, borda, molda,
o teu poema foi sendo a lâmina acrisolada de ser só Homem,
equidistante entre quadro nadas,
talvez criatura, talvez levedura,
ou quatro tudos,
com que o solo pátrio ressequido fendias.

domingo, junho 24, 2007

SEPARAR OS RESTOS


* Lixo é engendrarmos dentro, por razões de competitividade religiosa ou só razões de poder religioso,
a morte do outro, o poder discricionário sobre o outro,
a exclusão do outro-contra ou do outro-outro,
o ghetto para o outro, a miséria para o outro,
o anátema para o outro, o fim do outro.
çlk
Dir-se-á, daqui a um milhão e cem mil anos,
talvez mais tarde ainda,
que o que foi verdadeiramente nocivo para a Humanidade
foi esta tentação de ideologizar uma Proposta que que só se enfrenta numa adesão íntima e livre.
Que o que foi modelarmente devastador para a Humanidade
foi conferir a essa Proposta força de Lei terrena, territorial, através das armas,
e à respectiva desobediência um castigo
entre a purgatória e velha lapidação,
o negro tormento dos Autos de Fé,
as degolações fanáticas da alteridade infiel,
ou o mais simpático ostracismo.
çlk
A Proposta gera liberdade e essência, essencia-nos a vida, saciando-a,
e grita que tudo terá um fim sob esta bela e precária luz,
que os Seus representantes, ainda que medeiem O-Que-Não-Passa, passarão;
que no fundo há muitas outras coisas que medeiam Outra Coisa,
mas são coisas e passarão,
que a feição política atribuída à Proposta passará,
que o proselitismo dos que usurpam a exclusividade da Proposta passará,
que a arrogância dos que julgam representar univocamente a Proposta,
sem atitude proponente, mas impositiva, passará.

O que prevalecerá, e necessita de quórum humano pleno,
coisa lenta e abúlica de milénios,
é a humilde prática da delicadeza,
ou desdobramento ético de si em cada outro.

sexta-feira, junho 22, 2007

FUEL LINO


Parece-te a ti implorativa a minha pata?
Enganas-te. Nada te peço. Quero é que brinques comigo.
çjk
Sempre voltado para essa luz,
percutindo os dedos, alheado da minha felídea realeza,
que tal se me desses, por uma vez, verdadeira e adorativa atenção?
E venha para cá esse rato, antes que me zangue!

quinta-feira, junho 21, 2007

EXAMES NACIONAIS


Aspiramos ao máximo de saber,
ao máximo de abrangência e riqueza na aplicação de esse saber.
Não pode haver outra máxima em Educação senão «o máximo, sempre!»
A ressalva de esta máxima é estarmos em Portugal, epicentro da superficialidade,
o que nos deveria isentar de grandes sofrimentos por tal objectivo ou enlouqueceríamos.
çklj
O público-alvo desdenha do saber, dos que o estimulam e veiculam.
O Ministério desdenha dos que o veiculam e estimulam.
As Estatísticas estão-se nas tintas para uns e outros:
visam provar que as recentes iluminadas medidas ministeriais draconianas sobre os docentes,
as machadadas ministeriais à moral profissional dos docentes
pelo seu anulamento e desvalorização práticos,
pela sua avaliação dentro de uma duvidosíssima e percentagina parecerística,
pela sua redução a números com que se tem de lidar enquanto números,
não impactou negativamente nas aprendizagens.
Pois não passa de cosmética de última hora. Cosmética da má.
lkj
Em síntese, os exames têm decorrido com a normalidade portuguesa,
acessíveis aos alunos por demais.
Aqui e ali, escutam-se:
«Ó stor, o exame foi fácil!»
Mas fácil como?
Tanto terror por hiatos programáticos do tamanho de caganitas de ovelha,
tanto suado exercício da esquelética do verbo ou da anatomia da equação,
e depois soa que os exames são «fáceis»? E festeja-se?
Preferiria ouvir que os exames eram... «bons»:
bem feitos, desafiantes, ambiciosos, ciosos, construtores de brio.
lçkj
No fim de tudo, custa-me, por exemplo,
que os arquitectos de este primeiro exame de Língua Portuguesa, terceiro ciclo,
tenham a dada altura levianamente confundido reacções/atitudes
com sentimentos/emoções, instaurando de novo a ambiguidade nos espíritos.
Quanto a este último ponto, façam o favor de corrigir-me, se estiver errado.

RETÓRICA, PARA QUE SERVE?


O medo e o excesso de prudência
fomentam a ditadura mais brutal
que é aquela que vem de dentro,
aquela que nos transforma esta torrente de liberdade irreprimível,
vertida em impulsos de denúncia eficaz
mediante a criação e o tom literários,
num singelo caudal timorato, cintado, espartilhado.
çlk
Acredito na energia dos bons argumentos,
mas não me parece que eles valham de muito
sob a nudez de força retórica nuclear.
Pelo contrário, a energia retórica
associada aos argumentos mais viris e ajustados ao contexto
amplifica a Verdade e faz estragos na Vaidade e no Orgulho,
na concepção hoje vigente de que se poderá alguma vez tecer a trama da política
fora da consideração da pessoa
como o centro e o alvo de todas os desvelos.
Parafraseando todo um Texto: o verbo só pode ser deus.
çk
Vem isto a propósito de nítidos recuos de tom e de
de intensidade, devido a desorientação momentânea receosa,
no espírito de muitos quanto ao tratamento da matéria candente socrática,
mal desaba sobre ABC a sua constituição como arguido.
Era justamente necessário agora uma intervenção blogueana
concertada que mantivesse sob tensão e escrutínio:
1) o estranho clima político que impende sobre Portugal,
2) a grossa dimensão imoral de este Poder já amplamente delimitada,
3) a despudorada tentativa operacional de fomentar o retraimento dos espíritos.
Agora é que urgia transformarmo-nos, um a um, em Antónios Balbinos Caldeiras,
isto é, em observadores e descodificadores activos dos sinais e sintomas
levantados pelo grande e profundo diagnóstico metablogueano de ABC.
çk
Era o que de melhor nos podia acontecer por inconveniente que fosse.

quarta-feira, junho 20, 2007

ROSETA IMPOSSÍVEL


Costa é até um moço simpático diante de um microfone,
é, aliás, com tal sorriso e simpatia postiços que provavelmente já terá vencido,
acrescido da iliteracia informativa típica do português,
que ou totoboliza a escolha ou é tão fiel a uma sigla como a um clube,
mas Costa está por todas aquelas realidades de bastidores que tresandam,
logo, ele tresanda.
kjl
Ontem eram só sete a convinha que tivessem sido todos:
preciosismo da SIC e mau exemplo da democracia tal como ela se nos apresenta,
múltipla, pura, absolutamente plural, ainda que algo ridícula por isso mesmo,
além do mais, Babel por Babel,
valeria mais pôr toda a gente a misturar o seu persa
com o seu egípcio e, assim, os eleitores lisboetas
ficariam, como continuam, tão esclarecidos como anteriormente.

Do que fiquei esclarecido foi da nacional grunhice:
se não fosse este um país machista,
que vomita machismo pelos olhos,
pelos cornos e pelo cu - qualquer coisa muito ébola moral nisto -
Helena Roseta concetraria uma refrescante maioria dos votos.
Ela tem o discurso da inclusão de todos, da multiparticipação
para que todas as questões se resolvam de forma criativa e rica
dentro de amplos e lúcidos consensos.
Deveria ser ela a ganhar.
çlk
Mas não é assim. Nem será.
O poder magnetiza o pequeno:
e o eleitor comum cidadão superficial
anda mortinho por se osmosear com ele.

PARA QUE CONSTE: HÁ UM HOMEM EM PORTUGAL!



O teu relato, lido com atenção, António,
inscreve-se na longa tradição histórica das grandes vítimas,
dos homens mais corajosos e rectos entre os povos,
das causas mais nobres e respectivas consequências dolorosas pessoais para eles
no curto prazo.
A cada linha lida, sentia no teu caso uma pluralidade de outros casos tão similares:
a história repete-se.
E é todo um lastro,
o esmagador lastro da sordidez,
que tetraplegia Portugal, o cerne de tudo isto.
Ç
Mas agora, António, tu não estás de todo só.

Tens-me a mim e a uma multidão que não trocará por paz de espírito futebolina,
superficial, por preço nenhum,
a dolorosa e nítida consciência do que se está a passar de gravíssimo contigo,
ainda que aparente e comparativamente mais mitigado face à sem-vergonheira de 2004.
çlk
Tens muitíssimo mais gente ao teu lado, gente que,

tendo lido e acompanhado todas as tuas investigações,
tendo chegado a conclusões pessoais, estando no lado oposto do cinismo Paulo Querido,
essa criatura hibrida entre a hipocrisia e a conivência,
entre o servilismo cloroformizante e a dimensão invertebrada,
TUDO FARÁ para dar à situação que te vitima e ousou perturbar
a devida relevância mediática que se pretende manhosamente amordaçar.
çlk
Não se pense que alguém poderoso ficará a rir com esta vergonha a que te submete.

Pelos meus dedos, através do Portugal blogosférico,
através do Brasil blogosférico,
através do mundo inteiro blogosférico, onde se fale e pense,
(e eu sei ser chato, insistente e intransigente até doer),
hei-de clamar e clamar.
Não sossegarei até que a surdez insurdecedora dos média
e a apatia bovina das gentes
se transformem em solidariedade
e a primeira solidariedade é a solidariedade do conhecimento
e consequente indignação fundamentada.
çkl
Toda a minha vida entre plácidas missas

e o sossego de uma boa consciência,
a fome sôfrega de justiça e equidade neste país,
desembocaram para mim nisto hoje:
HÁ UM HOMEM EM PORTUGAL!
HÁ UM HOMEM EM PORTUGAL, repito!
çkl
Talvez o único homem em Portugal, deve dizer-se.
Talvez o que reste do ser Homem em Portugal:
chama-se António Balbino Caldeira
e está a ser molestado mais uma vez porque os factos e as verdades por ele investigados
e que apodrecem soterrados, cavando o abuso e a injustiça sem escrúpulos em Portugal,
as mentiras,
os tráficos da mentira,
a olaria baixa da mentira em Portugal,
não passaram sem devida divulgação no Do Portugal Profundo.
Isto não é menorizável.
Isto não é eufemizável, lavável com detergente,
não é para passar em claro como se fosse um pró-forma.
Não!
çkl

Ai de nós, se agora o país não arder indignado como um rastilho perante isto!
Ai de nós, se agora não atearmos,
potente e desde já,
o fogo da mesma verdade, o fogo dos mesmos factos,
do incontestável fruto esclarecedor da tua investigação
quanto a perfis viciosos e viciados,
quanto a um sistema iníquo e quem dele se governa sem escrúpulos,
para que nunca mais se diga que a blogosfera é uma Babel,
vozearia caótica das tertúlias de café,
sem rumo, sem destino, indigna de crédito,
e não, como de facto é, esta massa que converge, que se une,
que, numa crescente e admirável sinergia,
multiplica a sua autoconsciência e capacidade de intervenção válida e concorde!

terça-feira, junho 19, 2007

AS PUTAS BARRABÁS


Já toda a gente sabe,
não será novidade para ninguém,
haver em certas mulheres novas-quase-velhas uma tendência
para a monstruosidade profissional
na proporção exacta em que passaram a desconhecer
a delícia de um orgasmo por sistemática desabituação
e entorpecimento gradual da erogenia corpórea,
tão negligenciadas como fêmeas puras se tornaram,
indignas de tesão autoconsideradas.
E quando as partes calam e o clítoris já não grita,
quando aquelas mamas não mais se vêem devastadas por mãos firmes e resolutas,
cresce-lhes simplesmente, como erva daninha compensatória, a língua.
çlk
Por isso mesmo, as salas de professores,
as unidades de produção,
os bares das faculdades,
as sacristias,
as secções do partido,
os corredores da DREN,
os corredores sindicais,
todos os sectores onde três ou mais fêmeas
se reunem para algo semelhante a trabalhar,
além de ser o Diabo a penetrar no meio delas e não outra entidade benfazeja,
todos esses locais estão por vezes cheias de novas-quase-velhas putas
frias e desconsoladas
com o verbo afiado maledicente e o radar controleiro e cruel aceso.
São elas as mais exímias na murmuração danante.
São elas as que mais se excedem
na construção de uma opinião isoladora, denegridora, de alguém alternadamente alvo,
conforme os fígados delas,
procurando enredar na teia de uma doxa local tóxica
sobretudo os que têm como mandamento essencial nas suas vidas
cagar largamente para o que pensem novas-quase-velhas putas desconsoladas
e beber suficiente consolo da vida todos os dias, mas todos os dias!
Ei-las agarradas hiena ao osso da inerme cria gazela.
Ei-as coyote insistindo em fazer presa sua o fatigado roedor encurralado.
lkj
Barrabás era, ao que parece, um homem, e salteador, quando solto.
Mas, se tivesse sido mulher,
teria certamente uma língua capaz de levantar
um zelota exército apaixonado contra Roma.
E vencer.
çlk
As mulheres dizem de si mesmas mulheres serem a pior e mais impiedosa peste
à face da terra, gente que alega boas razões na hora de liquidar alguém.
Não seria eu a pôr em causa tal comprovada opinião generalizada.
Só lamento que a falta de consolo no corpo
transforme este tipo de fêmeas em severinos guardas-prisionais impiedosos.

ARROLADO E ARROLHADO


Parece maximamente útil aos mesmos de sempre
que uma voz rigorosa, livre e séria,
como a de António Balbino Caldeira,
se veja constrangida ao silêncio,
por via das inerências recentes
processuais da sua injusta situação de arguido,
sobretudo no momento crucial
da delicada eleição fatal do Buda Sentado,
António Costa.
Eleição que plebiscitará este governo autocrático
e seus sequazes controleiristas, o cancro da democracia,
essa gente que vai tacteando a pouco e pouco o terreno concreto nacional
a ver se pode ser crescentemente castradora, imaginativamente repressora,
sem que se levantem demasiadas vozes ou se afinem demasiadas orelhas.

segunda-feira, junho 18, 2007

UM PAÍS MORTO DE SONO


Acho piada aos tempos que correm!
Choquetecnologiza-se por todo o lado todas as coisas
à boca cheia governativa com gratuidade de PC's,
grandes velocidades néticas no interior profundo,
com que se promete apoio a gente tesa desta vida,
a estudantes,
a universidades,
talvez e afinal somente a todos os que pedinchem roseamente.
lkj
Acontecem impensáveis anacronismos impunes Guida DREN,
(todo um sistémico contágio de brutalite,
de estupidez,
de mau aspecto,
de grosseria,
de grunho abuso do poder,
já no tom quanto mais na praxis),
de tendencialites e favorecimentos estratégicos Lurdes Rodrigues,
de exclusões liminares das vozes discordantes
Associação Nacional dos Professores de Matemática Lurdes Rodrigues,
de imputação das responsabilidades pelo insucesso
exclusivas a professores Lurdes Rodrigues;
processam-se os cordeiros pascais
(mais cordeiros e mais pascais que imaginar se possa)
deste pauis-país-sem-justiça,
os cordeiros da investigação jornalística Profunda
Licenciaturas fradulentas, pedofilias e outros crimes, e outras fraudes,
Balbino Caldeira mais honesta e rigorosa, credível e séria,
tornam-se ministros e candidatos a alguma coisa os manobradores de bastidores,
os dobradores de influências, os coniventes com as sobremesas pedofilizantes
que se serviam estratosferianamente aos sublimes intocáveis poderosos do país,
e, mesmo assim, o País segue com naturalidade adiante de tudo isto
como quem, anestesiado de notícias,
já nada filtra,
já com nada se choca.

Eis o grau zero da cidadania,
ó beatífico assobiar para o lado quando são os outros na berlinda,
ó nevoeiro que te adensas ainda mais aqui
sob a patorra PS,
esse modo indiscutível de ser, arg!, governo!
Foi com um sono cívico destes que grandes fodas históricas se deram
calamitosamente para tantos mudos e quedos,
incréus de que tal coisa fosse possível.
ºçlj
Oposição?
Nunca ouvimos falar de oposição.
Desconhecemos o que seja,
mesmo perante o estudo a fingir / só de fachada CIP/Alcochete.
O governo é a única oposição a si mesmo Linota, Pinhota, Guidren.
Só o governo faz eficiente oposição à Oposição, que é um ente nulo e amorfo.
Mesmo somente a Oposição faz eficiente oposição a si mesma Oposição.

domingo, junho 17, 2007

A DÁDIVA DO SONO


Múmia em que ou quem se tropeça,
de repente descobrimos que o país existe gravítico,
órbitas elípticas de todos os dias,
em torno de esse grande sol chamado futebol.
Mudam os regimes, mudam os actores,
mas não me venham dizer que o ópio muda.
Não. O ópio há-de ser sempre o mesmo,
nuvem de ruído que abafa o essencial,
manobra conveniente de diversão em relação ao que se está a passar de gravoso.
Por isso, dá vontade de um grande sono
pelo qual se sub-viva ou, no fundo, se transviva este tom-de-bola em todas as coisas.
Emagrece o tom-poesia em todas as coisas,
um tom de perdão, de sorriso, de justiça e de verdade.

sábado, junho 16, 2007

A CONSPIRAÇÃO MAQUIAVÉLICA


Interessa que um só homem morra em vez de todo um povo,
interessa que um só homem seja o pretexto para incendiar Roma
e outros ficarem com os despojos, as vantagens políticas,
terem simplesmente o prazer da destruição e da desgraça.
çlkj
António Balbino Caldeira, nunca o esqueçamos,
é, a partir de hoje, a vítima, o instrumento de suplício,
e o próprio local do suplício.
Todos falaram.
Todos reflectiram.
Todos contestaram.
Todos se insurgiram.
Mas é ele que está a sofrer.
çlk
Sem falar se se deve,
pode punir-se a Internet inteira, a blogosfera nacional,
banir quantas coisas «licenciatura», «José Sócrates» se escreveram?
Não.
Constitua-se, então, como único arguido
o cidadão identificado no seu blogue António Balbino Caldeira.
Ele que pague, ele que seja desassossegado, que seja incomodado
por ser fundamentadamente Livre, Corajoso e Português.

DO INTERMINÁVEL NOJO


O meu amigo António Balbino Caldeira
acaba de ser notificado estranhamente por telemóvel
como arguido e como testemunha no âmbito do Dossiê Sócrates.
Corre subtil a intimidação, a repressão sorna
e a vergonha tem de invadir-nos duplamente.
lkj
A confirmar-se tal cenário,
no mínimo o Presidente da República deveria intervir,
dissolvendo a Assembleia da República
por manifesto abuso de poder
tentativa de repressão da cidadania livre, sobremaneira
corporizada no Do Portugal Profundo,
e por perigoso crescendo de tendências autocratas neste poder socrático.
O homem é perigoso e os seus sequazes implacáveis, está visto.
Nem Bush recorre a estes subterfúgios de perturbação
dos seus milhões de críticos e opositores.

quinta-feira, junho 14, 2007

O MEU AMIGO POETA PERSA



Há comentários que comovem. E comovem por vários motivos, o principal é o sabermos como vivem amordaçados pela censura e pelo medo tantos milhões de bons seres humanos que, ainda assim, se mantêm bons e humanos, em nada procurando imitar uma corrente maioritária de autoritários punidores. É o caso de este meu novo amigo poeta persa, que me deixou tão simpático comentário na penúltima postagem: امیر said... hola Joaquim,:) I know it's funny, but that's all I can say in your beautiful language! no, even if the visitations you make are a matter of more audiences,  I'm still happy that you visited mine. Gracias! if you look at the posts, you are the only one who has ever commented :)  and it's not strange to me, because I have never given my blgg's address to anyone :p  I write my Persian poems there, just for my own sake  (I also write my favorite poems from other poets).  I do this because I can't read them for the one I produce them for.O your are right, picture's talk.  they even talk better than humans.  humans could be silenced, but pictures couldn't!  they will say everything before anyone wants to silence them :) hope some day the world changes...

GUIDA, A CANÇONETISTA


«Nós temos tudo o que tem saído na comunicação social,
nos blogues, ofícios,
em tomadas de posição, em artigos de opinião... »,
mas nós, quem?
Se Guida, nesta entrevista,
diz que tem reduzido os custos com pessoal
nos 'gaguinetes' da DREN,
quem sobra e se encarrega da vigilância ciclópica
dos que ODEIAM prepotência
e emitem o SEU DIREITO À INDIGNAÇÃO
escrevendo, livres?
lkj
Parece-me que, por um bom tacho,

se é capaz de tudo e se tem tempo para tudo:
também para esta NEOPIDESCA vigilância
de que a Senhora Guida é epígono.
çlk

Soa tanto a desajuste e a fealdade todo este justiceirismo dela.
Só sei que o seu delator fiel, o agente servil da queixa-precesso-Charrua,

é meu colega na escola, onde sinceramente o terror abunda
e as pressões SER OU NÃO SER ESCOLA são do pior,
onde a plena informatização ainda não chegou,
onde os funcionários de secretaria
e outros rarearam clamorosamente durante todo o ano,
comprometendo a eficiência nos demais serviços,
onde faltam computadores e sobram as infinitas papeladas,
onde mais de metade dos alunos desaparece no final do segundo período
por exclusão de faltas ou por desistência pura, por desmoralização endémica,
onde a cidade deprimida é a depressão da e na escola,
onde os professores ainda vivem a ilusão do autoritarismo
sem vertente afectiva, humanizadora!
çlk
Pois eu digo: também tenho tudo o que esta mulher tem dito em entrevistas,

tudo o que foi lavrado pelos seus serviços
em comunicados ridículos aflitivamente autojustificadores,
tudo o que de clima depressivo se tem instigado nas escolas:
os professores derreados e maltratados, sobrecarregados de inútil, reagem?
A Papelândia da Ministra, a Grande Burocrata, contra-ataca e em força.
çlk

Miseráveis! Não se mancam!
Charrua é um exemplo.
É a cabeça degolada à entrada da cidadela.
Quem tiver medo, cala a boca.

terça-feira, junho 12, 2007

MEU AMOR INTOCÁVEL


Porque és a Pureza Risonha mais Luminosa,
meu Tesouro Intocável, nosso!,
do pai, da mãe,
levantarei de novo a patorra ingente da minha Sáuria Palavra
e ferirei do mais ferino que possa
quem ensandecido te ofender.
Escancararei em cacos, pó e nada, quem,
por obsceno verbo,
invasão obscena aqui,
ousou molestar-te
com a mediocriade rasteira dos medíocres,
meu amor, Anjinho de Luz.
ºç
Para que servem os dentes tyranos da minha Palavra Sáuria
senão para defender-te
do mais leve rumor de indevido?
Para que servem estas mandíbulas sem fim,
inextintas,
senão para fincar-se, despedaçantes,
no pré-cadáver des astrado, des pudente, des-com-dentes,
de quem ousou ser escória por toda a parte lixo?
çlk
Meu Tesouro, Pureza Infinda,
és intocável, imolestável,
e o mundo será rasgado de alto a baixo,
e não sobrará pedra sobre pedra,
e rolarão cabeças,
se, por fracção de nada,
o mais cisco verbo nulo malevolente
te vier fazer tussir a mais mimo suave tosse de bebé pequeno.

LÁCTEA DESOVA


Abro todos os dias as janelas do pasmo.
Procuro a noite onde ela é mais noite
e a Via Láctea se me mostra fecundada de vida,
grande desova de luz,
recife-australiano-de-coral imenso,
que, a uma dada lua cheia anual qualquer,
barreira ilimitada de vida sem estrema,
se desata e sincroniza em seminações admiráveis,
dissemin'ovais,
por leitosas águas.
lkj
Nesse momento, o meu coração é Roça
donde todo o Céu se avista.
çlkj

domingo, junho 10, 2007

PORVENTURA PORTUGAL...


... Visto do espaço,
ele, mancha negra, negro buraco,
ele, onde se manda calar o outro para que outros burros falem,
ele, onde só se vêem virgens pudicas,
e gente não iniciada nos grande coitos da vida,
a sugerir a privatização de um conflito privado
de interesse geral!
Porventura Portugal,
visto pela grande sonda robótica cósmica
que estuda os inchaços prostáticos
pelos Cus-de-Judas do Universo.
oiu

sábado, junho 09, 2007

CRÓNICA DE UM ANJO ABATIDO


Amanhã pensaremos nisso,
agora cegamos futebol,
agora futebol cedemos,
agora os imundos são absolvidos
e os simples singelos perseguidos.
Agora promulgam-se leis iníquas,
agora faz-se de conta que não há uma ética mínima
uniforme de meridiano a meridiano planetário,
só a cana volúvel vaidosa em desfile do de Vilar de Maçada.
lkj
Agora, a Sombra!
lkj
Agora, Portugal é a Sombra.
É a nótula de rodapé fundamental e ilegível para o mundo,
é o resíduo da decência em bicos de pés,
é a escola, o grande casting, do nihil,
é a batalha obscena por poder, o seu cotovelo agudo por ele,
é o laudatório pseudotriunfo barroco basaroco câncio.
lkj
Amanhã, dia de Camões,
será na verdade dia da consagração de tudo o que há de anti-Camões,
o hipervivido, o hipersensível,
o vidente zarolho genial,
profeta Anjo maior português,
maior que ele mesmo,
muito maior que o havido Portugal, tão ido,
bem maior ainda que o que poderá haver.
lkhj

MEIO NATURAL DA CORRUPÇÃO PLANETÁRIA


ARREBENTA ANÓNIMOS, O VERDADEIRO FUNGICIDA


Há gestos que valem ouro.
Assim, rebentações de mar,
arrombamentos de cofres velhos, manhosos, maldosos,
cheios de pó e de imprevistos.
çlhj
oiu
Um pé-de-cabra bem firme, bem forte,
e os monstros completos,
os demónios do insulto quotidiano,
maldosos,
apodrecidos no âmago,
lá se manifestam a medo, tremendo do delito,
mortinhos por se re-enterrarem e se re-esconderem
da justa pressão, da justa re-acção.
E hoje é um bom dia para o lauto banquete de fungos,
de pseudónimos feitos de ar e zero,
de um ex-anónimo absolutamente covardolas,
hiperpseudonimista, badalhoco,
servida esplendidamente no meu,
também meu, Braganzzzzza!
poi
Arrebenta!

sexta-feira, junho 08, 2007

FEDERICO GARCIA LORCA, PROTOBLOGGER


Tu, que justamente pareceste a certo resumidor oficial
«mais perigoso com a caneta do que outros com o revólver»,
tu precedeste-nos nisto,
senão na arte, certamente no espírito.
Ó grande sede de liberdade liberta livre,
como te calariam sem caírem
no mais fundo ridículo da impotência e do esquecimento infame!
çkj
Não estavas só, sabêmo-lo, ó Grande Dramaturgo Andaluz Poeta,
quando se fez 1936 treva à tua volta,
não te martirizaram os últimos herdeiros
totalitaristas do joio inquisidor, católicos de nome,
como te martirizariam outros totalitaristas do joio inquisidor marxista,
nazionalsocialista, anarquista,
quando exercitasses a liberdade de jamais ser um cínico saramago qualquer nesta vida,
não te martirizaram em vão, dizia.
çlk
Caminhamos outros, sempre novos, no rasto teu audacioso,
fazendo da palavra, como tu fizeste, a Bela lâmina insuportável,
única guilhotina admissível,
que desce e corta e capa rente as ovais torpezas,
torpe suficiência dos que da mentira se pensam impunes.

BLOGUENTONTECER



Confesso-me em corrida.
Corro o mundo todos os dias como nunca imaginei poder.
Todos os dias, em tão pouco tempo,
salto continentes, vejo mil paisagens,
encontro rostos e vozes e a Vida, a Beleza,
por vezes, explodem-me diante, de surpresa em surpresa.
É uma viagem sem limites e sem ordem para parar.
Página a página, folheio o Mundo e o Mundo,
de excessivo e intenso, arrebata-me os sentidos, os afectos,
num efeito essencial de pasmo identificador.
çlk
Bloguentonteço então!
lkj
Como parar num panorama de milhões de possibilidades,
onde o Japão fronteiriza com a Turquia e o Irão com a Suécia e o Chile e muito mais?
A seguir, há sempre um tesouro inesperado, uma pérola de enorme valor,
uma amizade pronta a florescer.
Como parar? Milhões de 'nuncas'. «Jamais»! Jamaismente Lino,
na ilusória convicção, não na desértica gaffe!

quinta-feira, junho 07, 2007

OS ESTORRICADOS E A CÁUSTICA


Pinho e Lino entraram, com mérito, para o muito selectivo clube do anedotário nacional.
A desinformação arrítmica do primeiro e a imaginação hiperbólica do segundo
têm fornecido o que de melhor o bom humor português poderia engendrar.
Marcelo disse no domingo passado que se não saírem agora
poderão já só sair quando estiverem
completamente estorricados.
Eu hesito aí.
O país também perde com a saída de cena
de estes modelos de produtividade,
imbatíveis a ter piada.
çljk
Já outra coisa representaria a saída fulminante
do peso coveiro, tenebroso, deprimente,
de esta Ministra causticante.
Alguns segundos de esta coisa pelas TV's
e é o esgar, o vómito, a queimadura de alma.
Pelos frutos os conheceremos
e conhecemos esta árvore demasiado bem:
a recondução da HipoGuidapotamo, a implacável controleira,
a invenção do Estatuto Novo da Docência ou Grande Babel,
os Despachos Normativos Ridículos
como o n.º 5/2007, de 10 de Janeiro, alterado a 4 de Maio,
forçando a impensabilidade de exames a cadeiras não disciplinares,
como Área de Projecto;
a instilação do medo e do silêncio na Escola,
os processos e pressões a docentes no uso da sua opinião
e no direito de interpelação directa a todas estas políticas;
o ignorar as questões de saúde graves
que afectam verdadeiramente tantos professores;
as recomendações de subestimação ortográfica
nos exames de fingir do 2.º e 3.ºs ciclos,
enfim, tanta porcaria.
O seu ar Lurdes sério deixa supor a muitos seriedade,
trabalho, e um rumo claro e inevitável.
Na verdade, o seu rumo é dividir para reinar,
esmorecer os ânimos para ganhar pontos economicistas.
Abriu a caça ao búfalo: os professores, essa praga de gafanhotos na Função Pública,
são um alvo a abater, já abatidos, de abatimento em abatimento,
bovinizados no seu pastar inconsciente,
até à poupança orçamental final.

quarta-feira, junho 06, 2007

SALTO AO BENTO


Ainda está por determinar que propósito levou
um indivíduo a dar um cambalhotesco salto desastrado em direcção
a Bento XVI em movimento, em plena Piazza di San Pietro.
Quereria uma bênção mais física?
Quereria um autógrafo em andamento?
Quereria imolar-se sob as rodas do descapotapamóvel?
Mistério por desvendar.

terça-feira, junho 05, 2007

ABOMINO TIRANOS, TIRANIAS E PEQUENOS CANDIDATOS A AMBAS AS COISAS


Abomino a sagrada numerologia da Ministra da Educação,
a sua submissão às sondagens, ministério sondagenítico,
sacerdócio que ministra,
o seu multiesfrangalhar da psique docente,
enganando-nos com Papéis, esganando-nos a esperança,
lançando o controleirismo e a Babel já no meio docente e ainda mais, muito mais, no futuro,
o seu tom autocrático e a sua sisudez seriíssima. Abomino!
çljh
Abomino o desprezo do que pensemos, do que digamos, do que bloguemos,
o desprezo que nos vota o Governo Presente,
a sua subestimação que morde,
a sua indiferença que ameaça,
o medo e insegurança que instila. Abomino!
çlkj
Abomino o barriguismo mouco e despótico do português médio
que quer mais pau que liberdade, mais ordem que progresso,
mais proibitividade que o são e livre exercício produtivo
da sua autonomia crítica. Abomino!
çlkjh
Abomino os que se disfarçam de moderados, mansos, aconflituosos,
mas se revelam depois cínicos velhos, velhos cínicos apaixonados pelo Partidozinho,
indiferentes a tudo, ao bom-senso, à limpidez dos argumentos,
à realidade, mesmo que governem os seus correligionários, conforme governam,
como quem conduz um cilindro cego do progresso e da Lei do Mais Forte. Abomino!
pioiuo
Abomino o lambe-botismo, a transigência estratégica nacional-governativa
com empórios comerciais emergentes,
com países enormes negócios Rússia e países negócios enormes China,
sem uma ponta de pedagogia humanística, personalística,
sem uma ponta de pressão pró-indivíduo,
todo o discurso da pequenez pequeníssima portuguesa
rendida ao gigantismo ingente dos gigantes.
Abomino!
çlkh
Abomino a escola de cinismo chirac, a merda-falante oca chirac cínica,
a podridão moral europeia, a grande masturbação europeia em automóveis e perfumes,
os grandes vazios de valores Sócrates preenchidos
com a vacuidade humanista da vaidade e da pedantaria,
os cana-agitada pelo vento dos negócios Europa e EUA. Abomino!
Abomino!
Abomino!

CASTRADA CUBA


Intolerável e intolerante,
vai morrer de velho tal como Pinochet.
Saramago cala. Outros calam.
Mas o princípio vigente é este: todos os ditadores são iguais
mais alguns ditadores são mais iguais que outros.
çlk
Que pior monstro seria Bush,
se não fosse um fundamentalista cristão texano imperialista,
se não fosse o limitado rato kafkiano no labirinto da Presidência e simultaneamente o gato,
se não fosse o sistema dito democrático que o regula, mas pouco?
Seria um monstro muito pior?
Que argumentos teria para empreender o petropresenteoil IraqCorps
e para nada ter a ver com o resto do mundo?

FLOROVULVOVAGINAL


Foto tulipamente encontrada aqui
e gentilmente autorizada por HANSU
ºçjkl
Não. Tu é que me aconteceste, Tulipa.
Não fui eu que te apus nexos,
não fui eu que te quis colar metáforas.
Tu é que te me impuseste metafórica,
tu é que me excitaste associativa,
tu é que te vieste vulva aninhar vaginal
sob associações de delícia
à minha língua,
çlkjçlkjçlkjasao meu falo,
ao meu tacto
Babado!
Total!

segunda-feira, junho 04, 2007

UM PUTIN CRISPADO


Alguém me explica
por que motivo se volta a dizer frases tão drásticas?
Parece que os nostálgicos
de um bom churrasco planetário foram regressando sorrateiramente.
Não bastava um petrossôfrego Bush,
tínhamos de aturar agora também um eurofobo Putin.

PERTENÇA


Pertencemos às grandes brisas-Paráclito no tempo,
às sólidas noites de humilde luz,
prenhes de Esperança n'O que sustém o firmamento.

sábado, junho 02, 2007

KENNEDYLEMA


Brocados e cetins,
mulheres novas,
ó dermes de seda,
em tantos quartos de hotel à minha espera!
Galinha em pele sob as palmas minhas...
çlk
Tão breve é a vida
e a solidão tão certa.
Sinto que pereço de dor às vezes.
Fica.
Iremos por este ocluso quarto bem cingidos.
Faz silêncio. Nada digas.
O teu rosto, teu corpo nu,
só mais uma noite a menos no meu calendário mortal,
só mais um tiro que troa e vara
o espesso escuro que me faz, que me dói, sejam.
kjh
Aqui chegado, ame e durma
e tudo esqueça de um esquecer
que invada e viole, por um nada,
o que em mim não é já a criança imolada,
o que em ti não é somente outra mulher.

MOST WANTED ONES


Rapaces.
Maniqueus.
Maquiavélicos.
Belicosos.

DESDINOSSAURIZAÇÃO DA POESIA


Extingue-se a olhos vistos a Poesia.
Parece coisa de somenos e, no entanto, esplende subtilmente tanto!
Vai crepuscular, mas esplende.
Ela não aparece no cómico Finantial Times
porque o seu trágico número de circo
não tem público aí,
aí ninguém há que a nostalgie,
como se nostalgia o comboio a vapor
ou os grandes titaniques que a engenharia
- a verdadeira! - engendrou.
kj
Ando em busca de ela, criança obnubilada pela civilização feérica.
Mas a Poesia a olhos vistos extingue-se, volta ao pó, perde a liberdade,
desaparece das bocas, não está nos corações, todos a ignoram,
soterra-a o seco pragmatismo sem calado dos que a publicam obesos de ego,
e a publicam como quem a sequestrou e a deteve por exclusiva;
devasta-a o grande meteorito dos números-em-vez-das-gentes,
o que a rarefaz é a grande mutação ambiental que se perdeu das palavras
e já não lhes conhece o sabor poético destilado, tão criança e tão livre.
A Poesia era inclusiva. Era isto. Agora extingue-se.
lkj
Por mim, PALAVROSSAVRVS REX,
que se organizem caçadas no rasto de a Poesia,
que se cace ou necrofagie a Poesia, para que, morrendo, reviva.
Que a sua carne se faça nossa carne.
Seja eu Tyranossaurus Rex, o do dizer punhalino e dente
sobre a enorme carne ímpar do tempo presente.
Eu, palavrenorme, palavrousado, temívelavre!
Que se inaugure aqui um pasmo novo por milhões de anos
por causa de esta refeição que salva a Poesia!
Por milhões de anos, novo!
Ferino, farei fúrias palávricas
e talvez somente eu fulgure e flagre A Poesia,
coisa-menina extinta.

sexta-feira, junho 01, 2007

LOBOS E MAUS


Parece-me óbvio que a OTA é uma teima.
Agora pensem se, além de esta obstipada obstinação governativa inédita,
há ainda outras teimas, outras manias, que nos colocam talvez
formalmente no bom caminho dos números,
mas à custa do Sangue e das Almas.
ljk
Imaginem!
çkk
Imaginem que é precisamente esse vosso indiferente
nem-querer-saber o terreno fértil
ou quando a manápula gulosa de este Poder Indiscutível
aperta a garganta à liberdade
aperta com firmeza e determinação,
mas com a lenta suavidade do veludo!

PETRA


Hei-de, Petra, ainda transcorrer-te

tão de olhos e âmago marejados!
Ainda verei de ti, na pedra gravados,
sulcos, marcas, que só o Espírito verte.