sábado, dezembro 30, 2006

A FORCA DA PAZ E AS BUSHIMPUNIDADES














Cansatividade,
radiocansatividade dos outros
sobre nós, em cima de nós.
Os vossos pedidos não serão atendidos.
As vossas requisições serão rechaçadas.
Agora ficareis dependurados sadamianamente
já que sadomasoquistiastes a minha frágil paciência de Job.

Ó cansaço cansativo da vossa radiocansatividade
de nos requerer utilitariamente como se fôssemos coisas vossas à mão,
a que deitais a mão em impulsos sôfregos!

Pronto, acabei de versejar sobre uma coisa completamente outra
num dia de forca apressada.
Foi a forca da paz.
Foi o exemplo pela forca.

O cinismo internacional soma e segue!

O novo ano será auspicioso,
só pode ser, já se vê.
Começará após a lixívia de esta Pena de Morte aplicada sem demora.
Começará depois da pólvora, da mecha, do TNT etnicida desencadeado.

O mundo precisa de um Tribunal Penal Internacional
para fazer justiça com ditadores vivos,
com líderes africanos corruptos,
com régulos brutais,
com governos irresponsáveis
e onde a pena aplicada seja a reparação em dólares,
em reposições, em compensações e em prisão perpétua!

Até quando haverá planetárias bushimpunidades?


Joaquim Santos

sexta-feira, dezembro 29, 2006

BACH E BOTTICELLI




Zweiter Teil
Am zweiten Weihnachtsfeiertage

Lukas 2, 8 - 14

23. Choral

Wir singen dir in deinem Heer
Aus aller Kraft Lob, Preis und Ehr,
Daß du, o lang gewünschter Gast,
Dich nunmehr eingestellet hast.

J.S. Bach - Weihnachtsoratorium BWV 248


Joaquim Santos

Obrigado, Ergotelina. Eucaristeia.

POEMA DO TOALHETE QUE TEVE SOBRE SI (NEM) UMA SOPA (NEM) UM PREGO














Po(e)(s)tarei hoje
sobre o frio por dentro de quem é perfeito.
Farei versos a quem é cumpridor e competente
acessorados por um mau hálito excepcionalmente equivalente.
Cantarei ilimitadamente os que não falham letra nem alínea,
esses caralhos do erro ortográfico, mas da Lei sabida e consabida.

Farei odes, bigodes, sonetos, aos cabrões dos amigos iguais, leais,
animais, anormais, irregulares como a piça
no que pensam e decidem sobre o que somos e fizemos,
os pulhas,
e que sorriem com o sangue que os outros vertem,
com a dor que os outros sofrem lá no segredo dos seus artificiais
corações floribelos.

Vivam, vivam vocês, ó filhos da puta todos,
tolos,
ministros do bem incomum e bem-posicionados no acesso ao euro,
Hiu, hiu, cagamerdeiros, mijem na agulha, mijem n'agulha,
Cornudos atá mangueira.
Urra, arre!, pela alegria legal e lícita,
mas não legítima, dos 12 mil euros mensais-zinhos.

Ó leis,
ó prerrogativas filhas da puta,
devorai-me que não percebo as subtilezas vossas!
Soterrai-me, ó poalha-merda partidária e suprapartidária
porque não chego ao vosso requinte de amerdalhamento curricular!

Chamai-me à pedra,
queimai-me na pira dos vossos processos amontoados,
fulminai-me aqui e já
se tresleio serdes mais, muito mais!, que eu, que nada sou e nada tenho!
Claro que sois!
Admiti que sois sóis de rectidão e justiça.
Falecei-me com a vossa excelsa verdade certa,
como deuses da processualidade adequada, regulada e estatuída.

Ide, tendes a paz, a pose e o arroto na importantibilidade de Directores Gerais,
tendes o euro,
engordais todas as semanas, todos os meses engordais.
Tende ânus de gordurosa, cevadíssima, poupança,
panças fartas de furto e justificada sem-vergonheira em tudo
a bem do Partido Chulo, do Partido Puta.

Eu é que sou uma amostra nula da espécie humana
porque não consigo isso do furto legal e tenho de ouvir
olhares coveiros gritar:
«Vede como veste mal!»;
«Vede o desleixo da sua barba de dias.»

Sim, votai-me ao desprezo, um desprezo de classe;
exluí-me de isto de ser só povo, é mister que me excluais mais e mais ainda.
Eu, longe das vossas festas combinadas,
longe das vossas premeditações de me convidar ou não convidar,
longe, bem longe, da vossa intencionalidade de me punir e excluir
por qualquer coisa que nem sei.
Eu, longe das vossas bandas e fanfarras e bebedeiras
e reuniões cúmplices.

Eu, de fora do vosso parque infantil,
da vossa superficialidade,
dos vossos ciúmes pela atenção por mim dada em tal festa
ao amigo do amigo do amigo do vosso amigo e não a vós.

Tirai-me isto de ter de morrer tal como vocês,
salvai-me de, no primeiro dia do ano,
ter de rir convosco as mesmas caganeiras, álcoois,
baforadas de erva tabágica ou outra
e depois o vómito redentor!

Ficarei aqui a construir humanidade com este paleio cromado
e a falar chinês para ti, puto.
Tu, puto, que não entendes linguagem para além do 'tá tudo'.
Vai lá, então, ser alguém-zinho, vai pró caralho!
E vós todos, mal resolvidos e mal fodidos,
que dais o cu e três tostões por fazer número
porque na verdade não tendes alternativa nem sabeis estar a sós,
fazei-me o favor de nem sequer pensarem em ler este merdapema,
este poemerda, este poe-de-mé-mé,
tora-cu de sinceridade falsificada,
como já nem sequer haver Natal
mas só o Polónio 210
de uma amizade falida!

Cobradores de gestos!
Reparadores de atitudes!
Contabilizadores de omissões!
Viciados no poderzinho!
Líderes no índice da popularidade!
Clownescos na estupidez vitalícia!...

Meus amigos, caros concidadãos,

Vão-se foder todos!
Feliz Vão-se-Todos-Foder!

E Pão Ano Novo!


Joaquim Santos

domingo, dezembro 24, 2006

VOTOS















A todos os meus amigos e leitores,
desejo um Natal intenso
e essencial,

por isso mesmo feliz!

Joaquim Santos

sábado, dezembro 23, 2006

POEMA «É CARNAVAL TODO O ANO»














Quer um homem queira
quer não queira,
é Carnaval todo o ano:
há armadilhas multicolores,
há apelos mentirosos, tentadores
abrem-se-nos as fauces dos papéis de embrulho de qualquer coisa,
menos da Verdade, uma Verdade essencial e não privatizável.

Pais, tios, sobrinhos
concorrem no pagamento do imposto de serem amados e lembrados.
Avós vêem-se sentados na praça hipermercádica,
onde se sorvem cafés,
exaustos de se entontecerem
e de hesitarem nas grandes superfícies:
brinquedos, jogos, roupa, wiskey, chocolate... Netos!

Rubicundos, os avós arfam e cascalham entre si da aventura mercádica.
Como é belo que os avós babem pelos netos!

É Carnaval todo o ano e o Natal
está moribundo por causa das barbas brancas
e da Coca-Cola que produtificam a época e a esvaziam..

Sim, há jantares de empresa,
de corpos docentes, numa autópsia de baldas e cumpridores,
num balanço de bem vestidos e desleixados,
há agora jantares de todo o tipo e feitio - são os jantares de Natal -
e toda a sentimentalidade jorra,
todo o fumo, toda a gula se transformam em verdade e vida
e faz-se luz:
é o espírito de Natal.

O 'espírito de Natal' é haver Carnaval em que tudo se troca,
trocam-se os papéis, trocam-se as identidades,
faz-se a feira, a degustação do excesso.

Em África é que pode haver Natal,
na Ásia profunda,
no Cáucaso é que pode...
Onde a ceia é somente um pouco menos pobre,
e onde haja frio e fome e pó,
cães lazarentos disputando migalhas com crianças,
famintas, alimentando-se de ar e com moscas e ranho e lágrimas,
aí é que o Natal é Verdade.

Aqui não.
Aqui já temos os brinquedos caros, comemos e arrotamos por dias a fio
e não pensamos em mais nada.
Aqui os mecânicos abusam da clientela,
a clientela abusa de quem tem ao seu serviço,
e tudo vai girando de injustiça em injustiça.

O Natal de Jesus e a teologia da condescendência divina
não interessa a ninguém e partir-te-ei o pescoço, Isaac,
se me vieres falar ou tentar falar de religião outra vez.
Caralho, pá, não estou interessado em argumentos engatilhados.
Poupa-me a conversas sobre religião à queima-roupa que não abrem diálogo nenhum,
mas apenas antena à tua perspectiva unilateral enciclopédica
de campeão em blaterar sobre religião.

Um dia, o Natal será «Estomacal» e dir-se-á:
«Feliz Estomacal!»...
E dar-nos-emos prendas na mesma, e tudo encaixará perfeitamente.
Família? O Natal é pensar na família?
Não é. É uma carga de trabalhos que acomete as mulheres da casa
é uma jantarada apática e cada vez mais vazia
cheia de prendas.

Um dia, o Natal será «Glacial»...
e dir-nos-emos: «Feliz Glacial!».

Sim, porque nós que já congelámos entre os produtos,
seremos glaciários de uma glaciação real e implacável.

É Carnaval quando um homem quiser.


Joaquim Santos

quinta-feira, dezembro 14, 2006

AS RODAS DA TUA CADEIRA














Tens o corpo retorcido e és recto.
Tens a mente brilhante e lúcida,
mais brilhante ainda o Teu olhar
mas o Teu discurso é nublado na baba
de uma articulação sofredora para Ti,
mas o teu pensamento é límpido,
afiadas e certeiras as tuas palavras.

És sentencioso, mas justo.

Zé, pareces-me a silhueta enerme, mansa, enorme
do Deus a Quem sempre adorei apaixonadamente
e que me fala, quando falamos.

Falas, caminhas sentado,
movimentas as tuas pequenas pernas
e as rodas da Tua cadeira deslizam:
sobes rampas, desces rampas,
vences obstáculos,
sob o sol e sob a chuva.
Tens humor e tens justiça,
tens a indignação pronta
contra as vacas que povoam de acrimónia
as salas da docência e da maledicência.

Tomas a tua meia-de-leite por uma palhinha
e dou-te a comungar "Belgas", essas bolachas
amanteigadas,
cada vez mais pequenas
e parcas nas suas respectivas embalagens cromadas,
o que Te desconsola, e és rápido a devorá-las
crocantes, de um tom de hóstia amarelada.

É então que me analisas melhor.
Falas do meu quinto andar desarrumado e do meu labirinto,
de como danço o tango da complacência em vez de o rock do rigor,
com este último derrotado e aquela hipertrofiada.
É quando me chamas filósofo hiperssensível
e me dizes evangelhos de música.
É quando repetes o quanto te aborrece
a imposição seja do que for,
mesmo da democracia,
mesmo da liberdade,
que a Europa, no passado,
e os Estados Unidos agora
exportam a ferro e fogo
com a marreta dos seus interesses disfarçados...

Terminas o Teu lanche, meu Deus, e regressas ao Teu computador, Zé,
em que és Rei e Senhor.
Despeço-me de Ti renovado.

Puro e recto, repito, é como és
e falas das putas e dos cabrões
e tens piadas sexuais com as quais ris muito.
Andas melhor informado que o maior dos mexeriqueiros,
mas tens a língua limpa
e mais limpo ainda o coração de opiniões surpreendentes.

Deves ter vindo para desarranjar-me as revoltas
e os inconformismos materialistas que nunca tive
e só agora tenho.

Deves ter vindo lembrar-me que a minha prioridade és Tu,
o Teu fardo leve e o Teu jugo fácil são a minha prioridade.

Deves ter aparecido diante de mim para me atenuares
a fúria d'alma hoje,
na arena dos enganos,
toureado pela mentira com o meu consentimento.

Vieste lembrar-me que não posso servir a dois senhores
ou pôr entre parêntesis o meu favorito e Verdadeiro
por um prato de lentilhas.

Vieste rir-te comigo
da minha cara de bicho teimoso.

Ámen, Zé.


Joaquim Santos

terça-feira, dezembro 12, 2006

TUDO SOBRE LARANJAS, TANGERINAS E TORANJAS














A bola rola, e pronto,
não me apetece ser amiguinho,
mas só correr para ganhar,
ser combativo e honesto
ou não me saberia bem mais nada.
O que quero é descascar cada vitória,
pilantrear o pilantra que tiver pela frente,
fazer tremer o adversário
com sprints inesperados,
com cortes importantíssimos
e golos determinantes com que se não conta
lá mais para o fim do tempo.

Como laranjas quando posso
e tangerinas no tempo delas,
cheiro toranjas numa surpresa de hipermercado.

O cheiro da toranja dá-me uma sensação de infância e frescura indescritíveis.

Reparei no último ano
quanto de naturalmente laxante
há em três laranjas grandes pela manhã
só para que tudo funcione ainda melhor.

Tem tudo a ver!!!

Laranja é chorar por faltas,
inventar penalidades,
gritar golo até rebentarem as hemorródias,
é garantia de divisões e discussões
nas horas adversas,
e jogar sornamente atrás,
devagar e devagarinho,
quando as coisas correm bem,

Pelo contrário, se nós, os azuis, ganhamos é caladamente que ganhamos;
se perdemos é caladamente que perdemos:
a cor azul vai somando e ganhando silenciosamente.

Laranja é uma cor imberbe e lacrimejante,
não me entendam mal: eu gosto de laranjas,
gosto de consumi-las e comê-las,
e sobre as suas cascas
deposito agora mesmo,
não uma coroa de flores,
mas o sinal brincalhão da minha
mais profunda e sincera
homenagem
de amor e amizade:
obrigado, laranjas, por se deixarem comer por mim!

O meu sentido de humor
a minha fome de vitória,
e a minha paciência
são inesgotáveis.

Os meus amigos e colegas de futebol
é outra conversa.


Joaquim Santos

segunda-feira, dezembro 11, 2006

OLIGARCAS DA FACA














Não sei que champagne celebre a morte
do mal que está feito,
não percebo que foguetes,
que pinotes
por um Pinochet
defunto.

A tirania apodrecia já,
quando os tubarões engordavam
de humanos corpos,
torturados,
a ditadura tinha já problemas coronários,
crueldade e obstinação
raticida, fungicida: «muerte al rojo!».

Por eles, pelos fuzilados,
por aqueles a quem se deu sumiço,
a quem se arrancou olhos e unhas,
a quem se roubou família e vida,
num negro Chile,

siberiano,

imundo,

que nos fique claro e definitivo
que justiça cabal
não é coisa deste mundo.

Joaquim Santos

quinta-feira, dezembro 07, 2006

NO DEFUMATÓRIO














Baço,
este vidro húmido,
estas barras de alumínio,
recortam a árvore suprema em frente,
quase cálice de brandy com seiva e hastes só no topo nuas,
fechando-a em puzzle.

Elárvore oscila ao vento,
os ramos obliquam-se-lhe de parte incerta vento.
(Vermelheja um carro que nos dá a escala).
Ralas e amarelecidas
resistem as suas folhas
numa cor só agora imitadora
de como em crianças desenhávamos o sol.

Nesta sala docente sem docência,
é habitual um fumar doente,
último reduto de névoa e margem.
O fumo fica,
entranha-se,
fossiliza,
torna-se uma só coisa com móveis,
chão,
assentos.

Um fumo fêmeo de séculos rescende das paredes,
grita ansiedades plúmbeas,
tem unhas de frustração,
sorrisos de convívio com fumo macho igual,
enxofre e alcatrão sedimentados
como num infernal vulcão
e conversas que «não saem daqui»
nem passam a arte ou a lei.

Fumo fêmeo de centenas de alminhas
docentes volitando ainda aqui, que cheiro, meu Deus!,
no seu terror por cadelas turmas,
no seu chichi gotejando tímido,
pela via-sacra do ensino
espezinhado,
em aflições represadas,
chichi nesse pano íntimo,
nesse tecido que freme
já e ao fim do dia
por liberdade
como por água
e detergente.

Joaquim Santos

domingo, dezembro 03, 2006

DA PUTACASA SEM MISERICÓRIDA













Um ou dois tiros de caçadeira bastariam.
Ou um de um mini-canhão por um bom artilheiro.

Em ninguém esses tiros.

Somente na velha caixa onde se apoia aquele globo transparente
dos sorteios falsos,
falseados,
fraudulentos,
das bolas que giram,
magna ilusão de óptica,
magno ilusionismo sobre a credulidade colectiva,
um ou dois tiros
para que todos vissem
o predeterminismo daquela merda
e percebessem que as bolinhas multicolores sorteadas
não vêm ou pingam de cima,
aleatórias, em sorte, girando com vento nelas,
mas que elas só giram para enganar o parolo,
e que brotam de dentro e de baixo,
escolhidas a dedo
pelos cálculos
reguladores,
gestores
e sornas
de um super-computador
hiper-eficiente
e tão filho da puta
como os filhos da puta que o pariram.

Tudo porque os números gordos vendem mais que a partilha magra
e é preciso garantir isso.

O país nunca aprenderá que é, também aí,
enganado num ludíbrio nacional que, no entanto,
vai enfraquecendo na adesão que merece
em favor de um magnoludíbrio euro-internacional igualzinho,
só que aparentemente mais promissor e dourado!

Completas Falácias!

Veja-se a subtileza das câmeras,
até elas cooperantes com o logro: focam as bolas que rolam,
nunca o desentranhamento delas.

Veja-se as caras sem-abrigo dos representantes do Governo Civil
ou sei lá do quê:
tristes,
perdidos,
como que retirados de sob edifícios
e suas reentrâncias,
puxados para fora das suas camas de cartão,
lavados e barbeados à pressa,
à pressa despiolhados,
ei-los ali, inúteis, focados um segundo,
feios, num sorriso amarelo amordaçado, mas que grita:
«isto é uma aldrabice, fujam que fede a merda»,
ei-los ali, os sem-abrigo dos fiscais, dos observadores espantalhos,
ali para sofrer uns minutos de mentira conspirativa
contra o que o povo supõe ser limpo,
mas ainda assim estátuas bem compenetradas
sob a música deprimente de um músico bêbado ao teclado,
de motivo musical em motivo musical,
e a diarreia verbal da Cirenela
paga e bem paga para rir,
para sorrir, encorajando ilusões
e papaguear promessas
de sorte da treta.


Joaquim Santos

sábado, dezembro 02, 2006

À SUBTIL ROEDORA E AVE


















Não sei de nada:
perante a Sobreira assim,
numa pose bombástica como esta,
convidando e provocando,
desatam-se-nos os nós,
cede-nos a sede,
canta-nos a Carne
e é-se todo
corpos cavernosos,
tecido eréctil em festa,
até ao ângulo da fome mais juvenil,
mais vertical, portanto, mais sôfrega.

Fulminar tal roedora irrequieta,
(ó delícia!)
tal ave rubra em baba,
(ó doçura!)
até à liquefação mais consolada,
quando então se faz música!

Joaquim Santos