sexta-feira, julho 27, 2007

VALKYRIE, AGOSTO 2008


O heroísmo do Coronel Claus Schenk Graff von Stauffenberg,
tardio ou não, comove os conhecedores do contexto alemão
de há sessenta e quatro anos atrás.
Qualquer documento que historie e interprete o seu papel conspirativo
será útil e sempre oportuno dentro do melhor humanismo.
Mas por vezes, tais documentos vão mais longe,
se forem filmes, podem ter leituras inquietantes,
podem visar dar relevo,
além de aos elementos pessoais e contextuais,
à pertinência de uma dada mensagem
para o tempo presente ou contemporâneo ao mesmo filme.

Ora, presumo, por isso mesmo,
que aquando da estreia do filme Valkyrie,
com Tom Cruise a vestir a pele do herói,
pelo menos mais um pouco,
todos nos questionemos sobre se temos tido ou não a nossa quota parte
de acção cívica, de activismo cívico,
perante a ditadura liberal global contra os indivíduos
que se vai urdindo suave e lentamente,
como uma lenta anestesia;
todos nos questionemos sobre se o negócio das guerras em teimoso
decurso é afinal suportável, tolerável, admissível,
sobretudo tendo em conta dois mil anos de beatas pregações,
sobretudo tendo em conta duzentos e cinquenta anos
de libertárias aspirações socializantes.
çlk
É só aguardar.

BLOGUE: TODOS SE LHE RENDEM


Se ainda há pouco tempo dizer "blogue"
talvez remetesse sobretudo para páginas virtuais
de escapismos emocionais;
se, ainda, essa realidade,
por não ser de momento acessível às vastas maiorias, senão indirectamente,
cloroformizadas que estão pelos Media mais superficiais,
era taxada falsa e convenientemente de malévola,
porque promovia cavalgadas denegridoras
das figuras de topo,
porque trabalhava incansável na difamação
das figuras de topo,
porque agente de instabilidade
pelo poder de promoção e de despromoção de líderes e de governos,
(recorde-se o manto de maldito que, embalado pela estística mais geral ignorância,
numa entrevista, a actual entidade primoministerial
tentou lançar vagamente sobre a blogosfera!),
a verdade é que hoje todos se lhe rendem,
em especial as tais figuras ditas de topo.çlk

E rendem-se-lhe porque compreenderam a força blogotsunâmica,
blogoterminator (devidamente reprogramada para servir as pessoas
e não os filhos-da-puta-dos-números),
que remexer e crivar a verdade representa.
Rendem-se-lhe porque o fenómeno releva das bases mais bases,
das subjectividades mais subjectivas e mais autênticas,
mais capazes de politicamente incorrecto,
mais desvinculadas de interesses senão do imperativo da própria consciência,
mais agentes de sinceridade e de apuramento quadrimensional
dos factos e das intuições empírico-certeiras sobre eles.lkj

Não estranhem, pois,
que, para uma conferência confortável de postagens,
eu passe a ostentar na minha barra lateral de links
os blogues de Pedro Santana Lopes,
de Marcelo Rebelo de Sousa
e de Luís Filipe Menezes.

Mas, parece-me, quanto a isto,
quanto a esta catabática rendição,
ainda a procissão vai no adro.

quinta-feira, julho 26, 2007

DARFUR


OBESOMETÁFORA


Quando reparei no gigantismo do teu rasgão,
no seu temível veludo de mata abandonada,
(estavas a pôr os meus wiskas no meu pratinho
e tinhas o teu cigarrinho-de-estar-em-casa-à-vontadinha)
assustei-me, quase morria pela terceira vez,
vidas ainda tenho cinco,
o pêlo arrepelou-se-me
e perdi o apetite.
lkj
Até aí, eu não tinha senão ambições de gato:
queria comer, dormir e caçar,
queria as bênçãos infinitas
de me lamber no final das tardes de Inverno,
sobre o muro, em posição felina de esfinge egípicia,
quando o sol se vai pondo muito a sul em promessas de Natal e restos sucolentos,
quando o meu povo se vai preparando para a Missa.
lkj
Queria copular até à fraqueza dos meus membros,
soltar este almíscar e preponderar sobre toda e qualquer fêmea,
lutar por cada uma com a ferocidade-sabre de um felino extinto,
na hora de copular desesperada e miante.
Até aí, eu era fanático por ser só isto.
lkj
Mas depois do que me mostraste, algo por dentro se me quebrou.
Agora perdi-me.
Sinto-me um Silvestre sem Piu-Piu...
Sinto-me em ruptura epistemológica.
Quero ser mais que gato.
Quero ser um gato-monge,
um monge ateu no claustro,
um monge crente no laboratório fervoroso.
Quero pregar Cristo aos fanáticos pela Razão.
Quero pregar a Razão aos fanáticos por Cristo.
Quero demolir Igrejas e fundar Repúblicas.
Quero canzanar Monarquias.
Quero derrubar altares e ler tratados de Física Quântica.
Quero fazer da Física Quântica novo altar para a esplendente força atractiva de Cristo.
Quero as unhas do insulto e as almofadas-sob-patas da sapiência.
Quero ser o Jacobino e o Inquisidor na mesma santa ferocidade, santo delito.
Quero presidir ao Comité Central e ao Sinédrio, beber um shot de Pentágono nos cornos.
Quero polemizar com todo o argumentário do meu agnosticismo.
Quero ronronar altercações e perder amigos com a violência do meu argumentário.
Quero afiar argumentos com os meus amigos-cobaia-dos-meus-argumentos afiados.
Quero ver apenas o lado político e ignorar o lado puramente espiritual.
Quero transformar-me naquilo que verbero.
Quero reverter-me no que abomino.
Quero transformar-me no outro.
Quero descer do zelo.
Quero ser gente.
Quero ser gato.

quarta-feira, julho 25, 2007

TAPETE IBÉRICO-PERSA


A MULHER DO CHICOTE


De Santana Castilho,
o autor do seguinte artigo de opinião,
professor do ensino superior, que chamou a este ano lectivo
O ano da chibata.

In Público do passado dia 19:

Analiso as políticas educativas, na imprensa portuguesa,
de forma permanente e regular, desde 1981.
Digo, pesando o que digo, que este é o pior Governo
para a área educativa não superior de que guardo memória.
Tudo o que seria importante para promover a qualidade do sistema de ensino
ou não foi realizado ou foi objecto de medidas
que degradaram ainda mais o que já era mau.
A ministra da Educação e os respectivos secretários de Estado
foram tecnicamente incompetentes e politicamente irresponsáveis.
Transportando para o mundo do ensino
a cultura dominante da governação de Sócrates,
actuaram como pequenos ditadores e 2006/2007 cola-se-lhes à acção
como o ano da chibata.
çlk
Longe de ser exaustivo, fundamento o que afirmo
com um balanço breve do ano lectivo que ora finda.
çlk
1. As políticas para o ensino foram boçais e destituídas de visão estratégica.
A ministra e os seus ajudantes mostraram ter cabeças tayloristas,
convencidas de que gerir passa por fazer, pela força e pelo medo,
com que os professores executem as suas ideias inconsistentes.
Qualquer mudança, desde que reduzisse, economizasse e afrontasse os professores,
foi considerada moderna e progressista.
O ano lectivo de 2006/2007 tinha obviamente que reflectir
a verificada redução orçamental (4,2 por cento no básico e secundário
e 8,2 no superior) e patentear o que o Governo privilegiava com isso:
diminuir o salário dos professores; piorar as condições em que exercem a profissão;
cortar-lhes direitos protegidos pela lei que os próprios carrascos produziram
(vide as decisões dos tribunais sobre as remunerações das aulas de substituição);
tornar cada vez mais precárias as condições contratuais,
em obediência aos cânones da liberalização selvagem;
fechar escolas (900 a somar às 1400 do ano transacto).
Tudo em nome do défice.
Mas o défice que hoje nos condiciona a vida
foi-se acumulando ao longo dos tempos,
sob responsabilidade de políticos com nome, vivos e bem instalados na vida.
Sem vergonha e sem contrição pública,
alguns voltaram ao exercício político e censuram hoje, displicentemente,
aquilo por que foram responsáveis ontem.
Para que não me acuse de ficar no vago,
concretize o leitor respondendo:
quem foi o político que concebeu o modelo retributivo do funcionalismo público,
que tantos elegem hoje como a desgraça do Estado?
Como se chama o megalómano que decidiu gastar milhões em dez estádios de futebol,
num país que manda as filhas parir no estrangeiro
e convoca para intervenções cirúrgicas velhos já mortos,
cegos, apodrecidos em anos de espera por uma simples operação às cataratas?
Qual o peso que sobrou para o défice público da saga de Cahora Bassa
e quem são os políticos por ela responsável?
Concedendo, sem mais discussão,
que não nos podemos eximir às regras do Pacto de Estabilidade e Crescimento
(que nome mais impróprio) e à lógica da globalização sem rei nem roque,
os três exemplos anteriores, de uma infindável lista,
e o contexto em que ocorreram,
justificariam uma metodologia bem diferente para tratar os professores.
Só incultos ou desumanos não o entendem.
lkj
2. O recente concurso de "professor titular",
a que foram opositores os docentes dos anteriores 8.º, 9.º e 10.º escalões,
é bem o paradigma da trapalhada,
da injustiça e do improviso em que se afunda a 5 de Outubro:
duma vida inteira de profissão, iluminados decidiram que só uns anos contam;
dos cargos, os mesmos deram preferência aos administrativos;
durante a semana em que o concurso decorreu,
pôde o país verificar, atónito,
que consoante os dias assim a posse do grau de mestre somava
ou retirava pontos ao número necessário,
como o exercício de cargos políticos equivalia
ou deixava de equivaler a serviço docente;
concorrentes ao concurso integraram órgãos de verificação e validação de dados,
ou seja, foram juízes em causa própria,
com um quadro referencial de confusão e bagunça,
o que faz prever uma bela caldeirada conflitual final. Imaginar-se-ia pior?
çlij
3. Se do lado dos professores o ano foi mau,
do lado dos alunos só podia ser pior.
Os exames, fundamentais como sempre tenho defendido,
mas longe de tudo resolverem ou serem o mais importante de todo o processo,
são o motivo, por via dos respectivos resultados, para que o país acorde,
embora só por escassos dias.
Há semanas, depois de múltiplas decisões judiciais contra o Governo,
o Tribunal Constitucional decretou a inconstitucionalidade
de um despacho do secretário de Estado Valter Lemos,
sobre os exames,
que prejudicou 10.000 alunos e beneficiou 5000,
em violação da igualdade que deve presidir ao tratamento dos cidadãos
num Estado de direito. Que aconteceu? Nada!
Nem a ele nem à ministra que defendeu, contra tudo e contra todos,
com a arrogância que lhe conhecemos, o indefensável.
A cena da Física do ano passado ditou a demagogia primária deste ano.
Da multiplicidade de exames,
correspondentes à confusão de programas vigentes,
encontrou-se o menor denominador comum
e decretou-se o exame único:
uma farsa, um desrespeito pelo trabalho dos alunos,
das escolas e dos professores.
Mas a redução do número de provas não isentou de erros a produção dos exames.
Lá voltámos a ter 36.000 alunos confrontados com uma pergunta
a que nenhum poderia responder, por ser rematada asneira.
Que fez a ministra?
Achou irrelevante e engendrou a solução tecnicamente bruta
que os pais foram contestar em tribunal.
Até quando?
Sem contenção de linguagem e sem o mínimo rigor pedagógico e científico,
a ministra ligou o Plano da Matemática,
com escassos meses de acção, incompleta,
mesmo assim, por incumprimento seu,
aos resultados dos exames que estariam para vir.
Quando apareceram os primeiros, do 12.º ano,
que nada têm com o famigerado plano,
que apenas contempla o ensino básico,
embandeirou em arco e insinuou uma relação que não existe.
Finalmente, deve ter mordido a língua
quando foram conhecidos os do básico,
os piores de sempre,
que reduziram ao ridículo as declarações que produziu antes.
Terá ao menos realizado que falou dos êxitos das suas políticas
como os talibans falam de Alá ou as beatas da Senhora de Fátima?
asd
No ano que ora finda, nada do que pode mudar o desastre foi realizado.
A trapalhada do edifício curricular permaneceu incólume,
assim como a incoerência dos programas de estudo.
Aumentou o facilitismo e a idiotização do ensino.
Subalternizou-se ainda mais a Literatura no ensino do Português.
Empurrou-se para debaixo da mesa a trapalhada da TLEBS.
Liquidou-se a Filosofia.
Manteve-se uma dispersão assassina
e ignorante de solicitações aos alunos
(12 disciplinas no 3.º ciclo do básico
e mais tempo de permanência na escola
que os operários nas fábricas, não é de loucos?).
Mudou-se a estrutura orgânica do ministério,
deixando-o igualmente centralizador e burocrático.
Promoveu-se o clientelismo e premiou-se a delação e o servilismo.
Mudou-se a legislação disciplinar,
mas continua a ser mais fácil falsificar uma nota de 50
que actuar com eficácia sobre os pequenos delinquentes,
que tornam a vida dos colegas e dos professores um martírio diário.
Nada mexeu quanto ao anacronismo da gestão das escolas.
Professores, vítimas de cancros em fase terminal,
foram indignamente chibatados para morrerem no posto,
em nome duma lógica economicista
que rejeita aquisições civilizacionais básicas.
Mal haja, senhora ministra.

DA JOSÉ SARAMAGO SENECTUDE


Futura e inevitável União de Portugal com quem?
Com Castilla y la Mancha?
E por que não com a Galiza ou a Catalunha?
E por que não com os Vascos?
E por que não com a Andalucia?
Argumentos políticos, económicos, culturais?
Não, a Ibéria não tem futuro,
a não ser na plena independência de cada Nação
para mais perfeita interdependência entre cada Nação.
A Espanha não existe e, se existe,
só existe enquanto sempre putativa Manápula Imperial,
e o espanhol-língua
foi somente um acto-tentativa de supressão do catalão
e das outras.
Mesmo o nome Hispania é uma usurpação à Regionalização Romana.
Mesmo perante o presente estado de capitulação económica portuguesa
ante o pomposo avanço castelhano triunfalista,
há uma sanguínea-rivalidade que recrudesce
e uma orgulho-reacção que será dura.

A RECTIFICAÇÃO


"Ayer se hacía pública la nueva portada del semanario satírico "El Jueves",
en la que se recogía la rectificación que la publicación hacía de la "escandalosa"
ilustración de su último número,
y de la que también se hicieron eco,
la semana pasada, todos los medios de comunicación, públicos y privados, de nuestro país.
A estas alturas el mundo todo está ya enterado de que,
después de muchos años, España ha vuelto a conocer el uso de esa antigualla jurídica
que es el secuestro de publicaciones;
y lo más interesante está por venir,
ahora que el proceso penal por injurias graves contra la Corona
se ha puesto en marcha,
y los responsables del supuesto delito van a declarar ante el Juzgado Central de Instrucción,
en la Audiencia Nacional.
Grandes cosas veremos, entre ellas, probablemente,
el inicio de un debate que, espero,
alumbre una pequeña reforma del Código Penal;
y también una nueva pincelada judicial
que dibuje los perfiles definitivos de la Libertad de Expresión en nuestro país."
Ler mais aqui.

terça-feira, julho 24, 2007

MISS PEARLS: AUTO DO APARECIDO ATIRADIÇO


Quando se falar da lei referendada em Portugal
relativa ao Aborto,
fale-se da abjecção da lei,
fale-se dos homens que abjectamente
a moldaram segundo a própria dureza obstinada
ou por abjecta tibieza não lhe limitaram a banalizabilidade.
e fale-se da decorrente sementeira de injustiças dessa e doutras leis.
dfg
Tu, Miss Pearls, que tens o benefício sorridente
da mediação arco-íris blogo-papizante
e monopolizas o bom-tom,
e fomentas a cartelização da nacionalo-blogosfera,
e transbordas de tanta chiqueza
e semeias tanta comunhão esferoblóguica
e esparges tanta bênçao blogurbi et blogorbe,
lembra-te de mim quando chegares ao teu Reino blogoPeroliniano
que eu farei o mesmo contigo,
quando chegar ao meu
entre os blogopobres e os bloguescorraçados
que nada sabem de hotéis,
de essa bijuteria conceptual,
mas de um suor carecido de sol a sol.
çlk
Que não te vais lembrar?
Que é tanta coisa que?
asd
Ok, pronto, desestendo a mão, então.
Não poderás amar vozes proféticas, duras, eremíticas,
de urze, no meio de tanto bafio bien...
Está certo, comprende-se!
Não vou insistir.
ljk
Vá lá, um pequeno esforço,
só uma moedinha
e esta espécie de blogoCristo descalço
de blogossimplicidade blogodesarmante
blogoluzirá na tua blogovida...
çlk
Blogonão?
Está bem, então.

PinoBushinochio


Isto é uma bola Branca de neve!
isto é um horrível Belo Adormecimento!
Isto é somente um PinoBushinochio!

MENEZES


Há um espírito de resistência
caricaturizante da figura de L.F. Menezes
que a espaços se manifesta na Imprensa
e na sincero-verdade de alguns blogues nacionais,
mal se verificam condições de disputa da liderança do PSD.
Pode ter defeitos, o homem e o político,
mas enquanto autarca da minha cidade,
é empreendedor, determinado, forte, claro, directo,
explícito, em face das pessoas concretas,
e, por esses e outros motivos, bem amado do respectivo Povo.
lkj
Enquanto a Licenciatura Farinha Amparo,
a impostura curvocervical instalada no cerne do Estado,
o grande accionista da Nação e grande promotor da OPA ao País,
o mentir governativo tão muito e tão amplo,
agora prática política corrente descarada,
o estar de cócoras perante os fortes,
perante quem pague e quem possa,
o mentir OTA muito e prolongadamente,
o promover oxímoros como o grande absurdo-aborto-insulto
e depois a re-carga de taxas no SNS
aliada à sua respectiva crescente privativo-inacessibilidade,
enquanto tudo isto de plástico,
tudo isto de nojo,
tudo isto de decadente e desumanístico
segue o seu tremelicante e predatório Rumo,
pode ser que a política se revista, com Menezes,
da consistência discursiva e decisória que lhe falta.
lçkj
Há horas em que o Lobo Mau-Político-Partidário
e o Capuchinho Rubro-Povo-Eleitor se deveriam aliar
por terem gravosas e forçosas razões para isso.

domingo, julho 22, 2007

REGIME EM PUTREFACÇÃO


À distância, a coisa vê-se melhor:
todo o problema do Portugal presente
é um problema de Regime.
A democracia é coisa de plutofingir há muito tempo.
As instituições, sobretudo sórdido agora,
funcionam na óptica do Poder Político
submisso, subserviente, passento, servil
em relação aos recordistas nacionais do PIB,
e o Povo, que pela República era suposto ser educado
sob o paradigma novo da Liberdade,
é afinal constrangido à prudência do Silêncio,
é o grande adorno murcho em fim de festa
e o outrora grande pretexto balão agora esvaziado.
Ninguém, por exemplo, está à margem do processo iníquo
ao António Balbino Caldeira,
e mesmo que se assobie para o lado,
conforme os Media Nacionais assobiam,
a voragem de tal iniquidade não poupará ninguém.

sábado, julho 21, 2007

NA CAATINGA


Às vezes, um homem completamente telúrico,
ágil, ligado aos animais e aos seus ritmos, forte,
cheio de uma ancestralidade romana de vida da terra,
com a terra e pela terra,
só se encontrando a si mesmo de verdade
na verdade da sua Roça, da sua Villa,
pode ser precisamente o teu sogro.
~
Sob um noctilino céu tão sonho,
de lucilantes estrelas,
de negrejantes nebulosas e seus halos luzentes,
embrenhámo-nos uma destas noites,
toda uma longa noite,
na caatinga, território imenso, propriedade sua.
Botas, roupa militar,
eis-nos na mata cerrada, sentidos alerta.
Primeiro, breve travessia de canoa.
Os nossos dois cães, um com chocalho, correndo,
só perante caça lantindo ou ladrando.
E nós, no seu aleatório encalço,
correndo, subindo e descendo ladeiras,
abrindo por mato fechado,
o duro e incerto caminho de espinhos,
de galhos em teia, em rede,
da rasteira macambira cortante.
çlk
Canino alarme! Corremos a toda a brida!
Logo um tamanduá se vê dos cães cercado.
É a primeira presa.
Morto, é deixado para recolher mais tarde
e seguimos porque o forte de esta caça é o tatu
ou, com muita sorte, o caititu.
çlk
E este céu tão mágico, tão pleno!

Noite. Silêncio.
É preciso submergir em esta noite e em este silêncio
e seguir de ambos impregnado.
A cada célere passo, dois gritos expertos do caçador
à frente, como um guia.
Lanternas acesas na corrida.
Correr.
Estacar, lanternas apagadas.
Escutar.
Lá longe, o raro latido ou o chocalho sumido do nosso cão
incita-nos à correria mais sôfrega e serena.
Completo silêncio.
Sentar. Fumar. Correr. Parar. Escutar.
Fumar. Conversar.
çlk
Mas que céu sobredivino!
lkj
Pelo ouvido, chegamos desenfreados aos caninos:
acuados, acuaram um tatu.
Escava-se no trilho das suas luras sinuosas.
Primeiro tatu, dobrado trabalho.
É crianço, por isso, devolvido.
E será assim, neste ritmado suor,
até que o demorado sol nasça.
çlk
E os estremecimentos de um tatu vivo,
amarrado, insistindo em viver,
suspenso dos meus dedos...
E o odor às suas urinas nos meus dedos,
os seus olhos de inerme e misericoridiosa animalidade orelhuda,
e a sua couraça incouraçante,
e os pêlos do seu peito,
e o debater inconformado da sua cauda no meu braço,
e aquela gambá fedorenta
que caçámos na clareira do cimo de um morro,
com um odor afinal tão natural e intenso
como o da própria mata perfumada que desbravávamos.
lkjlkj
E um céu de que nunca pude tirar os olhos
e me lembrou o fundo cumprimento do que,
em aventura acamaradada e suor, vida inteira, e poalha,
eu tanto desejara
e me lembrou a dimensão espiritual integrada de tudo.

segunda-feira, julho 16, 2007

ENTRE UM RIO E OUTRO


Ante o rio S. Francisco, outro rio de alma se me desagua.
Aqui, Brasil, tão a jusante do meu velho luso país,
é uma terra de promissão,
é o futuro em delta do que do passado afluiu.
lkj
Aqui, onde haver crianças é toda uma fonte de felicidade anti-europeia, euro-alienígena,
aqui, onde os rios são milagres de fecundidade entre duros desertos,
aqui, onde a terra engravida muitas vezes
e tanto ou mais que as sinuosas mulheres ondulantes,
aqui, onde o afecto entre a gente corre livre e torrencial,
onde as crianças nos tocam, nos amam e são amadas e tão queridas,
em que a alegria é como um álcool,
sempre bebido e transpirado e bebido o dia inteiro,
aqui é, afinal, onde deverá desaguar toda a sequiosidade
por amor e verdade do Mundo,
um mundo à procura do Saber-Viver brasileiro
um modo ainda mais perfeito de se ser português.

terça-feira, julho 10, 2007

RETTERIN! DU, MEINE RETTERIN!


Nunca imaginei possível tanto consolo
por centímetro cúbico,
ilimitado, torrencial!
Tu, meu amor!...
«Du, meine Retterin».
çlk
Salvo do vazio,
salvo de toda uma viuvez de alma!
Por ti!
çlk
E haver um Porto só meu em ti
e aportar quando quero aos teus recantos,
líquido deslizar entre águas de doçura,
suave marulhar de esta bélica nave entre os lençóis da paz.

segunda-feira, julho 09, 2007

VISITAR É UNIR


Os corações começam a abrir-se à grande cidadania e comunhão planetárias:
uma forma também blogueana de estar
em que toda a gente procura partilhar-se com toda a gente
e gerar sinergias positivas, inesperadas.
çlk
Para efeitos de denúncia e luta contra toda a espécie de injustiças
é preciso que se agudize um tipo de consciência
e de cumplicidade planetárias tão totais
que finalmente se faça face, de modo unitário e eficiente,
às últimas e remanescentes ousadias tirânicas.
çk
É necessário que se transite weblogicamente
da presente timidez de ave cria ensonada ao olhar o mundo em volta
para a visão aquilina, para a ousadia predatória de madura águia feita,
para o voo grifo de larga amplitude.
çlk
Assim se conjuga que nos unamos
pelo Belo, pela Liberdade, pela Novidade,
pela Verdade, pela Criatividade ilimitadas,
pessoa a pessoa,
à escala Cósmica!
çlk
Será essa (vai sendo) a nossa Riqueza Máxima!

sábado, julho 07, 2007

COMENDADOR - REDESCOBRIMENTOS


Um povo que se deitou
a navegar mar cavo por aí fora,
que aportou a ilhas novas,
que afundou primeiro os pés em novas praias
e entre novas pernas
re-edificou em falo alto
um belo povo novo moreno;
lçkj
Um povo que pôde ter a Índia como sua
e foi todo dela,
que bordejou e amou o Japão primeiro;

Um povo que sempre se humildou lá fora
e foi comendo a dor cá dentro,
um povo assim não pode senão renavegar
aqui e agora
contra os promontórios do Medo
e os Cabos aspérrimos anti-cidadão.

Afinal pode ou não pode o cidadão Navegar o que pensa?
Afinal pode ou não pode, interessa ou não interessa,
que o cidadão diga
(em nós sinceros no cordame de vela sonho,
em lemes inseguros sob a borrasca da vida,
mau biscoito, má beberagem, mal provida embarcação!)
que o cybercidadão diga
de que Sul se faz a Nova Pimenta Liberdade que almeja?

sexta-feira, julho 06, 2007

FAST-POLITIK


Quando a mão do poder escorrega para
tiques autocráticos,
(cheira-me ao século XXI Português!)
quando as luminárias do Rumo certo
não suportam contestação,
estamos perante a emergência daquilo a que chamarei fast-politik:
decisões virtiginosas contra o cidadão
agilizam-se;
açaimes-código deontológico dos Jornalistas
obviam-se;
a componente parlamentar/negocial da democracia representativa
minimiza-se até ao ridículo mais formalístico e ritual,
(a crise está instalada e a saída há-de ser a blogodemocracia directa!);
a contestação de rua e de blogue
reprime-se e intimida-se;
as liberdades e garantias
anunciam-se num amplo sorriso gestual e vocalisticamente castrato,
mas a pouco e pouco,
mais futebol menos futebol,
mais Concurso TV menos Concurso TV,
mais novela menos novela,
deixam calamitosamente de ser praticadas.
lçkj
Qual é a arma do silêncio?
Pode ser o tacho de que se beneficia político-partidariamente garantido
pois isso dá muita afonia.
Pode ser agora o QREN, essa megatoneuroarma
que pode comprar e fabricar calados-como-ratos
por calar bem fundo nos bolsos forrados!
lkj
Tudo isto é triste.
Tudo isto existe.
Tudo isto é fast-politik!

quinta-feira, julho 05, 2007

MEGASÓCRATRON


Jamais alguém se importaria com a actual crise de valores
no exercício da política-poder nacional,
com o actual inédito recrudescimento de sinais de irracionalidade
e de indignidade na implementação local de directrizes e exemplos,
certamente vindos de cima, na Saúde e na Educação,
se pudesse haver uma forma positiva e estimulante de humano-transformismo
nos respectivos agentes.
lkj
Um fácies de este Cameron tipo Diaz na Ministra da Educação,
ainda que revestido da mesma deliberada estratégia de choque,
talvez nos soasse a mel e a música celestial no bom sentido.
Talvez a situação cretinamente gerada a António Balbino Caldeira,
talvez a repressão intolerável ao humor-em-serviço Vieira do Minho
talvez os excessos monopolistas-PS em Braga,
talvez as tristes e abusivas circunstâncias das mortes da colega Estanqueiro
e do colega de Filosofia, doentes terminais ainda assim encaminhados para o serviço
por zelosíssimas Juntas Médicas,
talvez tudo isto não soasse à coisa mais grosseira e bárbara no Portugal de Agora,
mas a acidentes pontuais não sistémicos.
çlkj
O problema é que, na verdade,
ninguém realmente se importa!

JIHAD E A REMANESCÊNCIA DE UMA CERTA ESQUERDA SANGUINÁRIA


Nos tempos que correm,

há alguma extrema-esquerda europeia
que se manifesta particularmente solidária com certos ataques jihadistas
a interesses norte-americanos ou europeus no mundo.
çlk
Parece que a face do Mal é-lhes, a eles, corporizável nesse modelo
de homem norte-americano em triunfo económico absoluto,
sugando maioritário os recursos do planeta,
praticando a venda mais ampla e mais bem sucedida de armas em todo o planeta,
implementando uma espartana forma guerreira de estar na economia mundial,
tanto mais que esse modelo-de-homem-em-triunfo-económico-absoluto
atrai e seduz à sua imitação outros eixos,
até agora baluartes de um outro humanismo,
como a grande Europa, por exemplo.
çlk
Note-se que esta Europa velha é uma velha Europa
em renegação de parte da sua essência
numa voraz autofagia nihilista imparável:
tem o bem-estar, tem o progresso, tem a tecnologia,
tem a preocupação ambiental,
e, no entanto, está perdida,
enredada num labirinto volitivo, espiritual,
sem nova meta que a arrebate.
lkj
Aquela ultra-esquerda, a par de se insurgir
contra as intervenções bélicas imperialistas da América,
entre outras coisas,
supostamente profilácticas de problemas maiores,
enquadra e legitima muitas vezes os atentados terroristas
como se de pontos num videojogo se tratassem.
çlk
A verdade é que a soma de dois nadas não acresce no que quer que seja:
convinha uma perspectiva holística dos problemas de violência endémica,
caso contrário o maniqueísmo vigente entre americanos, jihadistas,
ultra-esquerdistas, e o respectivo pólo tangente dos ultra-direitistas,
seguirá produzindo e justificando todo o sangue
como um sangue necessário
e não um sangue inutilmente estúpido, conforme é.
oiu
A Cultura da Morte e da Exclusão
tornou-se um fenómeno transversal.

quarta-feira, julho 04, 2007

INESQUECÍVEL


Há uma história por detrás da foto.
Há uma vida.
O quanto nos diz de um desdém justificado!
O quanto nos diz de um presente já reflexo de um futuro marcado!
Em seu próprio nome,
em nome de todos quantos soçobram sob leis injustas
e sob um mundo segregador,
competitivo e sobremaneira desigualitário,
surge esta sua imagem de jovem,
promessa já cumprida de mulher,
com o seu olhar-desafio a rasgar as décadas
por que no planeta se cumpra a Justiça.

terça-feira, julho 03, 2007

O MUNDO PARA OS NORTE-AMERICANOS


Clique na imagem para ver melhor.

lkj
O nosso problema é que eles pensem assim em relação ao mundo,
em relação à pena de morte,
em relação à cor da pele,
em relação aos que têm ou não têm religião,
em relação ao vício-posse das armas,
ao uso recreativo e adrenalínico das armas.
Especialmente numa perspectiva interiorina.
Nos grandes litorais dificilmente se pensa assim.
Depois os efeitos disto são iraques sem fim
e o grande contempto Bush pelo resto do mundo,
o grande evitamento Bush da actual emergência ambiental,
em que a consciência dos cidadãos exige acção política imediata
e não a actual atitude dubitativa e expectante
da Administração.

UM POUCO MAIS QUE BARRIGA


segunda-feira, julho 02, 2007

URGENTES CINCO GRANDES NÃO'S


Não quero um país onde se correia de campos.
Não quero um país onde o PM e cidadão Zeca processa ABC,
sem nada contestar,
sem nada contrapor,
sem em nada o contraditar.
Não quero um país onde Maria de Lurdes se sequestram os docentes
e se lhes dá somente o malefício da suspeita e nunca o incentivo do valor.
Não quero um país onde se pratica a caça ao cidadão.
Não quero um país onde se dê sequência a Charruacusações.
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Tenham, portugueses, vergonha em consentir trauliteiros!
Enrubesçam por consentirem caceteiros.
Tenham vergonha!

ÍRIS


Para maior deslumbramento,
clicar sobre a imagem.
Explicações adicionais aqui.

THE BRILLIANT PORTUGUESE EUROPEAN PRESIDENCY


Vai ser de gritos!
Os gritos do escândalo estão por todo o lado,
enquanto um certo sorriso brilha.
lkj
«Depois do "caso Charrua"
(que, para espanto de quem se julga num país democrático,
acabou mesmo condenado),
aparece agora um novo caso.
As circunstâncias são parecidas.
Parece que o médico António Salgado de Almeida,
vereador da CDU, durante um fim-de-semana,
resolveu pôr numa parede do Centro de Saúde de Vieira do Minho
uma entrevista do ministro Correia de Campos.
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Nessa entrevista, Correia de Campos dizia que,
no caso de ter a vida em risco, não iria a um Centro.
O crime estava em que, por baixo desta declaração, alguém escrevera:
"Façam como ele. Vão a uma urgência de Braga" ou coisa equivalente.
Aqui apareceu uma figura já típica do regime,
o denunciante,
na previsível pele de "um membro do PS".
O denunciante fotografou a entrevista,
agora promovida a "cartaz",
"pediu o Livro Amarelo para fazer um queixa"
e comunicou o escândalo à autoridade política,
ou seja, à Administração Regional de Saúde (ARS/Norte).
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A directora do Centro de Vieira do Minho,
Maria Celeste Cardoso, não sabia do cartaz.
Mas, quando soube, "repreendeu" o médico
(não se percebe muito bem porquê).
Infelizmente, a ARS/Norte não se deu por satisfeita.
A "repreensão" não bastava para um acto tão grave.
A ARS/Norte queria esmagar o celerado;
queria nomeadamente que Maria Celeste Cardoso instaurasse um processo disciplinar
ao médico.
E, como ela se recusou, foi demitida por um ofício de Correia de Campos.
Para tudo ser perfeito, Maria Celeste Cardoso é casada com um PSD,
vice-presidente da Câmara de Vieira do Minho,
e o Governo nomeou para a substituir um vereador ("independente") do PS de Ponte de Barca.
çlk
A moral da história é simples:
o PS, que os portugueses se habituaram a ver
como o defensor da liberdade e da democracia,
não passa hoje de um partido intolerante e persecutório,
que age por denúncia (aqui como na DREN)
e tem uma rede potencial de esbirros,
pronta a punir e a liquidar qualquer português por puro delito de opinião.
Pior ainda, personagens como Correia de Campos
colaboram pessoalmente nesta lamentável empresa de intimidação.
çºlk
Não admira.
lj
Nem o eng. Sócrates nem o dr. Cavaco manifestamente compreendem
que a repressão da dissidência e da crítica
começa a corromper o regime e torna inevitável o futuro "saneamento" dos "saneadores".
O silêncio de cima encoraja o miserável trabalho de baixo.
Em Portugal, a colaboração do Estado com os pequenos pides do PS
já não é uma vergonha.»
poi
Vasco Pulido Valente, in Público 30/6/07

DA NECESSIDADE DE SER


Terei nas mãos a humildade de saber que será.
Terei diante dos olhos a certeza de que será.
Farei sempre por acordar de todas as lutas vãs.
Farei por recordar que há uma vereda sinuosa até ao cume,
que há uma Fonte Límpida que irrompe da Rocha,
que há ainda onde Incenso é o único odor.

domingo, julho 01, 2007

METÁSTASES NOVAS DA LOUCURA VELHA


MefistoChávezDiabo: Sócrates, hijo... Me orgulho de ti, sabes, tan mi discípulo?!
Sócra-teso-Aluno: Ainda bem, mestre DiaboMefistoChávez,
novo faz-de-conta-Tirano admirável.
Também gosto muito de tampas-TV, tampinhas e tampões.
É maravilhoso restaurar o Medo, a Delação-bufa, apertar com os blogues,
reduzir à merda os que na merda vegetam de tão impotente povo, arg!,
andar tudo numa suspeição temerosa daquelas,
e finalmente toda a gente metida na ordem.
E a minha joggingona pessoa de mãos dadas com a baba dos ricaços!
lkj
Aquele que me chamou «filho-da-puta» Charrua, já comeu.
Fomos buscar o argumento da 'falta de lealdade',
portanto, todos os que me chamem «filho-da-puta», na Função Pública,
prevaricam na lealdade que me devem e ficaram, com um só golpe, a saber disso
se não sabiam. Os cartazes sanitários jocosos que vieram a seguir também comeram.
ChávezMefistoDiabo: Es realmente deslumbrante!
Sócra-teso-Aluno: E não ficámos por aqui. Sei ou não sei introduzir no cu do povo
o supositório do respeitinho, hem,
mestre ChavezDiabo, novo Tirano admirável?!
ChávezMefistoDiabo: Si, de verdad!